“Estamos só a sobreviver”: o discurso intenso de Mariza Liz

Mariza Liz apresentou, na 4ª edição do Women Summit da Forbes Portugal, um momento dedicado à “voz própria". A cantora de 43 anos, anteriormente conhecida como a vocalista do Amor Electro, e também cara conhecida do The Voice Portugal,  fez um discurso, profundamente reflexivo sobre feminismo, humanidade, liberdade e evolução pessoal, numa intervenção marcada pela…
ebenhack/AP
Mariza Liz apresentou, na 4ª edição do Women Summit da Forbes Portugal, um momento dedicado à “voz própria". A cantora fez uma reflexão sobre feminismo, humanidade, liberdade e evolução pessoal.
Forbes Events Forbes Women Forbes Women Summit

Mariza Liz apresentou, na 4ª edição do Women Summit da Forbes Portugal, um momento dedicado à “voz própria”. A cantora de 43 anos, anteriormente conhecida como a vocalista do Amor Electro, e também cara conhecida do The Voice Portugal,  fez um discurso, profundamente reflexivo sobre feminismo, humanidade, liberdade e evolução pessoal, numa intervenção marcada pela vulnerabilidade e pela procura de sentido coletivo. A cantora começou por esclarecer que a luta feminista “nada tem a ver com uma luta contra os homens”, defendendo antes uma visão de inclusão e transformação conjunta.

Ao longo da intervenção, Mariza Liz assumiu que as suas ideias não são definitivas, sublinhando que todos os seres humanos estão em constante transformação. Sem pretender apresentar verdades absolutas, apelou à suspensão do julgamento e da culpa, afirmando que “ninguém até agora teve um caminho justo”, incluindo mulheres, homens, crianças e animais.

A artista refletiu sobre a condição humana e sobre a forma como o planeta continua a suportar os erros e fragilidades da humanidade. Questionou o propósito da existência e a tendência das pessoas para viverem apenas em modo de sobrevivência, presas a rotinas, crenças, ideologias e conceitos que, na sua perspetiva, limitam a liberdade individual e coletiva.

Num momento mais introspetivo, Mariza Liz falou da sensação de vazio e desorientação que acompanha a experiência humana, comparando as pessoas a “pontos pequeninos no universo”, muitas vezes perdidos e sem propósito comum. Ainda assim, defendeu a importância de sonhar coletivamente, não como fantasia, mas como objetivo concreto capaz de aproximar as pessoas e criar ligação, pertencimento, integração e propósito.

A cantora abordou também questões ligadas à saúde mental e à evolução emocional, defendendo que o verdadeiro progresso depende da capacidade de olhar para o ser humano como um todo. Segundo a artista, a sociedade permanece presa a culturas tóxicas, à ilusão de superioridade e a modelos de competição constante, especialmente consigo próprios.

Ao explicar porque integra temas feministas e sociais na música que cria, Mariza Liz afirmou que nunca encontrou uma razão específica para o fazer, porque essas preocupações sempre fizeram parte da sua forma natural de estar. Referiu ainda a influência da mãe como exemplo inspirador e manifestou esperança em continuar a sentir orgulho de pertencer à humanidade.

Na parte final do discurso, assumiu-se como mulher, trabalhadora e mãe, dizendo lutar diariamente pelo direito de sonhar sem limitações ou julgamentos. Criticou a tendência para reduzir a evolução humana através de preconceitos e conceitos rígidos, defendendo que homens, mulheres e pessoas não binárias nunca tiveram verdadeiramente a oportunidade de viver livres dessas condicionantes.

A intervenção terminou num tom simultaneamente confuso e esperançoso. “Estou confusa”, admitiu várias vezes, acrescentando, porém, que talvez “a confusão não seja o problema, mas sim o caminho”. A frase sintetizou o espírito de toda a intervenção: uma reflexão aberta, emocional e filosófica sobre identidade, liberdade, humanidade e transformação coletiva.

Mais Artigos