Forbes Women Summit 2026: “Investir numa mulher é mudar a sociedade”

A 4ª edição do Forbes Women Summit decorreu esta quinta-feira, 14 de maio, no Hotel Palácio, no Estoril, sob o lema "O Poder da Voz". Foi neste contexto que se realizou o painel "As Vozes do Capital", que contou com a presença de três mulheres que movimentam capital privado em escalas distintas: o venture capital…
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Sílvia Mota, Inês Fiúza Marques e Priscila Ibrahim partilharam os desafios de liderar negócios num universo dominado por homens, no painel "As Vozes do Capital" do Forbes Women Summit 2026. A conversa atravessou venture capital, fintech e reabilitação urbana, mas convergiu na mesma ideia - investir em mulheres é uma forma de transformar a sociedade.
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A 4ª edição do Forbes Women Summit decorreu esta quinta-feira, 14 de maio, no Hotel Palácio, no Estoril, sob o lema “O Poder da Voz”. Foi neste contexto que se realizou o painel “As Vozes do Capital”, que contou com a presença de três mulheres que movimentam capital privado em escalas distintas: o venture capital de um grupo industrial e um fundo dedicado a empreendedoras, os pagamentos digitais ao consumidor, e a reabilitação urbana enquanto classe de ativo.

Estiveram connosco Sílvia Mota, CEO da MEXT Mota-Engil Next e fundadora do Moon Capital, um fundo de capital de risco lançado em 2025 para investir em negócios liderados por mulheres; Inês Fiúza Marques, Country Manager da Klarna em Portugal; e Priscila Ibrahim, CEO e fundadora da Metal Ballerina House of Investment.

Com a moderação de Diogo Costa, que figura na lista “30 under 30” da Forbes Portugal, o painel arrancou com o parecer de Inês Fiúza Marques, que partilhou connosco ter “saído da área do marketing”, onde sempre trabalhou rodeada de mulheres, para o universo da fintech, onde a presença feminina é muito menor. “Ao início senti-me pouco compreendida. Mas hoje vejo-o como uma oportunidade para arriscar”, contou. Na equipa que lidera em Portugal, Inês diz fazer questão de “ter pessoas que pensam de forma diferente”.

O painel “As Vozes do Capital” contou com a moderação de Diogo Costa, que figura na lista “30 under 30” da Forbes Portugal.

Quando questionada sobre como a posição de outsider da Klarna, em Portugal, funcionou “como obstáculo e como trunfo”, Inês Fiúza Marques recuou aos primeiros tempos da empresa no país, onde chegou em 2021, num mercado conservador e com baixa literacia financeira. “Ninguém conhecia a Klarna. Perguntavam-me o que é que estava a fazer”, afirmou. O mercado, lembrou, era “dominado pela rede multibanco e não viemos competir com isso. Viemos oferecer um crédito mais profissional e sem juros”, disse. Ainda que recente em Portugal, a empresa começou na Suécia há quinze anos, sublinhou, e o que “foi aprendido lá tem sido fácil de aplicar cá, tanto junto dos comerciantes como dos consumidores. Estamos sempre a trabalhar a literacia financeira dos nossos clientes”, explicou.

“Estamos sempre a trabalhar a literacia financeira dos nossos clientes”, afirmou Inês Fiúza Marques, Country Manager da Klarna em Portugal.

Sobre o modelo da Klarna, Inês foi clara: o crédito sem juros “não é financiado pelo cliente, mas pelo comerciante, que paga uma taxa para oferecer pagamentos diferidos. Não há uma linha de crédito aberta. É para compras específicas, o que retira a ideia de dependência crónica e a substitui por uma compra ponderada”. A Klarna, defendeu, “liberta mais do que endivida”.

Já Priscila Ibrahim, que há sete anos trabalha na reabilitação urbana em Lisboa, partilhou com o painel o peso de operar num universo masculino. “Mulheres são mães, empreendedoras, e muito mais, mas não precisam de andar a provar que estão a construir, a moldar, a fazer acontecer”, afirmou. “Quando entramos numa sala já formada, a confiança não nos é dada tão facilmente. Mas a resiliência e a persistência”, defendeu, “são virtudes das mulheres”.

A empresária reconheceu, também, o peso da burocracia no setor da construção e a constante necessidade de validação. “Numa construção, temos de estar constantemente a mostrar o nosso valor. Fazer com que seja possível ouvir a nossa voz, e ter a certeza de que somos ouvidas, é o nosso maior objetivo”, disse Priscila. Quanto à movimentação de capital, deixou-nos com uma das frases mais marcantes deste painel, ao sublinhar que “o dinheiro tem personalidade e tem valor, e não é só valor monetário”.

“O dinheiro tem personalidade e tem valor, e não é só valor monetário”, disse Priscila Ibrahim, CEO e fundadora da Metal Ballerina House of Investment.

Sílvia Mota, que vem de uma das estruturas familiares mais sólidas do tecido empresarial português, atribuiu à educação familiar a visão com que olha para o capital. “Foi o que aprendi dentro da minha estrutura familiar que me permitiu ter a visão que tenho”, afirmou. E foi a partir dessa sua visão que fundou o Moon Capital. “As coisas só existem se houver capital por detrás. É preciso alguém que avance e que invista nas mulheres”, explicou. “Investir numa mulher não é apenas uma questão de equidade. É uma questão de mudar o mundo. Investir numa mulher é mudar a sociedade”, destacou.

Sílvia procura, contou-nos, projetos liderados por mulheres que acreditem “no valor da mulher e nelas próprias. As mulheres são naturalmente sustentáveis e inclusivas”, defendeu.

“Investir numa mulher não é apenas uma questão de equidade. É uma questão de mudar o mundo. Investir numa mulher é mudar a sociedade”, sublinhou Sílvia Mota, CEO da MEXT Mota-Engil Next e fundadora do Moon Capital.

Quando questionada sobre quais as maiores resistências que enfrentou à data, a sua resposta foi imediata: “vêm dos investidores. Por mais que todos adorem os nossos projetos, ainda há medo em arriscar em empresas lideradas por mulheres”, partilhou. Disse também existir um obstáculo “mais subtil”, que diz continuar a prevalecer na nossa sociedade, em que “as próprias mulheres muitas vezes têm medo de ser vistas como feministas”. O Moon Capital, defendeu, “existe para colocar à disposição capital que faça crescer projetos que de outra forma não chegariam ao mercado. É só quando a nossa voz é ouvida que conseguimos fazer a diferença”, concluiu.

Sílvia Mota, Priscila Ibrahim e Inês Fiúza Marques convergiram, no fim, na ideia de que o capital, quando bem dirigido, deixa de ser meio e passa a ser uma forma de transformar o que existe à volta.

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