Opinião

A diversidade na engenharia é uma vantagem competitiva

Christine Marconcin

Durante muitos anos, a engenharia foi vista como um caminho predominantemente masculino. Apesar da evolução que temos assistido nas últimas décadas, a presença feminina em áreas técnicas continua abaixo do desejável, sobretudo em funções de liderança e decisão. Esta realidade não resulta de falta de talento ou competência.  É consequência, muitas vezes, de barreiras culturais e de perceções que ainda condicionam a forma como as mulheres se veem, e são vistas, nestes setores.

O Dia Internacional da Mulher na Engenharia é, por isso, uma oportunidade importante para refletirmos sobre o caminho que já foi feito, mas também sobre aquilo que continua por transformar.

Hoje existe uma maior consciência acerca da importância da diversidade nas organizações. As empresas compreendem cada vez mais que equipas diversas produzem melhores resultados, tomam decisões mais equilibradas e desenvolvem soluções mais inovadoras. Numa área como a engenharia, na qual o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de adaptação são fundamentais, considerar diferentes perspetivas representa vantagem competitiva.

No entanto, ainda persistem desafios. Muitas mulheres continuam a sentir que precisam de demonstrar as suas competências de forma mais consistente para alcançar o mesmo nível de reconhecimento. Outras acabam por afastar-se destas áreas antes mesmo de iniciar o percurso profissional, por falta de referências ou por acreditarem que não pertencem naturalmente a este contexto.

É precisamente aqui que a mudança precisa de acontecer.

A igualdade não se alcança apenas através do discurso ou da intenção. Materializa-se quando criamos ambientes onde o talento é verdadeiramente valorizado de forma objetiva, independentemente do género. Reforça-se com oportunidades reais de crescimento, com o reconhecimento de diferentes estilos de liderança e com a presença de exemplos próximos e inspiradores para as gerações mais jovens.

Ao longo da minha carreira, aprendi que a confiança profissional não surge de forma imediata. Desenvolve-se com experiência, preparação e coragem para aceitar desafios, mesmo em contextos exigentes. Nenhum percurso se faz sem dúvidas ou sem momentos de pressão. Mas é precisamente nesses momentos que crescemos enquanto profissionais e líderes.

Também aprendi que não existe uma única forma correta de liderar. Durante muito tempo, as mulheres sentiram necessidade de se adaptar a modelos de liderança já estabelecidos para serem reconhecidas. Hoje sabemos que a liderança mais eficaz é aquela que consegue combinar competência técnica, capacidade de decisão, empatia, colaboração e visão estratégica.

O futuro da engenharia exige exatamente isso: pessoas capazes de inovar, trabalhar em conjunto e responder a desafios cada vez mais complexos. E esse futuro será necessariamente mais forte quanto mais diverso for.

À próxima geração de mulheres que ambiciona construir um caminho na engenharia, deixo uma mensagem simples: não limitem a vossa ambição – o lugar também é vosso. Não esperem sentir-se totalmente preparadas para avançar. A evolução profissional constrói-se através da aprendizagem contínua, da curiosidade e da capacidade de sair da zona de conforto.

Christine Marconcin,
Chief Operations Officer da Critical TechWorks

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