Under 30 quer pôr bem-estar no centro do trabalho e transformar o Porto em polo global da felicidade laboral

António Pedro Pinto, um dos membros da lista "Under 30" de 2025 destacados pela Forbes Portugal, passa grande parte do ano entre aeroportos, reuniões e conferências internacionais. O objetivo não é apenas acompanhar tendências sobre o futuro do trabalho, mas convencer algumas das principais vozes globais na área do bem-estar laboral a deslocarem-se ao Porto…
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O Happiness Camp, criado por António Pedro Pinto em 2022, regressa ao Porto a 24 de setembro com líderes de empresas como a Salesforce e a Nokia, num encontro que procura discutir saúde mental, produtividade e cultura organizacional num contexto de crescente pressão sobre o bem-estar no trabalho.
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António Pedro Pinto, um dos membros da lista “Under 30” de 2025 destacados pela Forbes Portugal, passa grande parte do ano entre aeroportos, reuniões e conferências internacionais. O objetivo não é apenas acompanhar tendências sobre o futuro do trabalho, mas convencer algumas das principais vozes globais na área do bem-estar laboral a deslocarem-se ao Porto para discutir um tema que considera cada vez mais urgente: como criar empresas onde produtividade e qualidade de vida coexistam.

Com quase 30 anos, António Pedro Pinto lidera a área de bem-estar no Lionesa Group, um ecossistema empresarial que reúne mais de 7.000 pessoas, 120 empresas e cerca de 50 nacionalidades. Neste ecossistema, este “Under 30” rapidamente percebeu que os desafios das empresas já não cabem na folha de salário. E foi nesse contexto que começou a questionar a forma como as organizações encaram o trabalho e a relação com os colaboradores: “Não chega pagar bem. É preciso cuidar melhor”, concluiu, depois de identificar desafios que, segundo defende, ultrapassam hoje a dimensão salarial.

“Não chega pagar bem. É preciso cuidar melhor”, afirma António Pedro Pinto.

A partir dessa perceção nasceu, em 2022, o Happiness Camp, inicialmente pensado como uma experiência para discutir felicidade no trabalho, saúde mental e liderança organizacional. A adesão levou o evento a crescer rapidamente. Depois de uma primeira edição com centenas de participantes, o encontro mudou-se no ano seguinte para a Alfândega do Porto e passou a reunir milhares de pessoas.

A próxima edição realiza-se a 24 de setembro e contará com representantes de empresas como a Salesforce e a Nokia. Entre os nomes já confirmados estão Felicia Cheng e Riddhima Kowley, que irão apresentar estratégias de bem-estar e saúde mental aplicadas em organizações globais.

O Happiness Camp 2026 recebeu o Alto Patrocínio do Presidente da República, em reconhecimento da importância social e pública do projeto.

O crescimento do projeto surge num momento em que o debate sobre condições de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e saúde mental ganhou novo peso nas empresas. Dados da Eurofound colocam Portugal entre os países europeus onde os trabalhadores reportam níveis mais elevados de stress laboral, enquanto a Ordem dos Psicólogos Portugueses tem alertado para o aumento dos riscos psicossociais no contexto empresarial.

Também a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão e a ansiedade representem perdas superiores a um bilião de dólares por ano para a economia global devido à quebra de produtividade.

É neste contexto que António Pedro Pinto procura posicionar o Happiness Camp como uma plataforma internacional dedicada à transformação das culturas organizacionais. O projeto funciona atualmente sem fins lucrativos e pretende oferecer ferramentas práticas a líderes empresariais para repensarem a forma como gerem equipas e ambientes de trabalho.

Este ano, a iniciativa avança ainda com a criação de um conselho executivo, numa tentativa de reforçar a sua dimensão internacional e consolidar a ambição de colocar Portugal na discussão global sobre o futuro do trabalho.

A ideia central, defende António Pedro Pinto, mantém-se simples: se o trabalho ocupa uma parte significativa da vida das pessoas, então as empresas terão inevitavelmente de se tornar espaços onde o bem-estar deixe de ser visto como exceção.

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