Opinião

PMEs: o coração de uma economia que não pode deixar de bater

Paulo Morais

Quando pensamos em saúde, salta-nos de imediato a ideia de prevenção. Todos queremos prevenir a doença, com mais ou menos entusiasmo, e é certo que ninguém quer estar doente. O mesmo acontece com as pequenas e médias empresas (PMEs), ninguém no país quer ver o coração da economia doente e, perante tantas agressões externas, o caminho passa pela prevenção.

Em Portugal, as PME’s constituem a maioria do nosso tecido empresarial, um motor que faz a economia mexer, mas a sua dimensão pode torná-las mais vulneráveis em períodos de crise, tanto por fatores internos como externos, nomeadamente no âmbito das relações comerciais.

Se uma PME não apostar em prevenção e, por conseguinte, não tiver um conjunto de ferramentas financeiras suficientes, estará sujeita a um risco acrescido, em caso de incumprimento por parte dos clientes. A isto somam-se as dificuldades de acesso a financiamento e de expansão da sua atividade.

O estudo mais recente sobre gestão de risco de crédito da Crédito y Caución e da Iberinform revela que 53% das empresas portuguesas têm de aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados para manter a sua carteira de clientes nas operações B2B, sobretudo devido à falta de liquidez dos seus clientes.

A morosidade provoca uma perda de receita em 29% das empresas, aumenta os custos financeiros em 34% dos casos e coloca em risco a continuidade do negócio em 14% das organizações. Além disso, o relatório anual de 2025 da Comissão Europeia sobre práticas de pagamento alerta que a morosidade continua a ser uma das principais causas de tensão financeira no tecido empresarial europeu, com um em cada quatro processos de insolvência a estar ligado a atrasos nos pagamentos. Para as PMEs, o incumprimento de um cliente pode ter um impacto significativo, comprometendo a situação financeira e, em casos extremos, a continuidade do negócio.

A ameaça é ainda maior quando não existem mecanismos ou estratégias de gestão de risco de crédito. No último ano, apenas 10% das empresas portuguesas criaram comités de risco comercial para rever, aprovar e recomendar limites de exposição ao risco e controlar sistemática e transversalmente a evolução da carteira de clientes.

Caro leitor, os fatores externos sublinham a fragilidade da saúde das nossas PME’s. A prevenção passa pelo seguro de crédito, ao fornecer uma análise comercial especializada que ajuda a identificar atempadamente sinais de uma possível insolvência.

E tal como no nosso bem-estar físico e mental, para quê arriscar?

Antes de celebrar um contrato comercial, é aconselhável verificar a solvabilidade do cliente, para antecipar possíveis dificuldades de cobrança. A obtenção de relatórios comerciais é fundamental para prevenir e reduzir o risco de incumprimento, sobretudo no caso das PMEs.

De acordo com a Comissão Europeia, os atrasos nos pagamentos reduzem a competitividade empresarial, encarecem o financiamento e levam as empresas a abdicar de investimentos e oportunidades de crescimento. Porém, ao contratar um seguro de crédito, a PME não só protege as suas vendas como também fortalece um dos ativos mais relevantes do seu balanço. Desta forma, melhora a perceção de risco por parte das entidades financeiras e facilita o acesso a financiamento em condições mais favoráveis.

As PMEs são o coração da economia portuguesa. Proteger a sua atividade e criar condições para o seu crescimento saúdável é contribuir para que esse coração continue a bater com força e forma continuada.

Paulo Morais,
Diretor Regional Portugal e Brasil Crédito y Caución

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