Nvidia quer reinventar o PC e desafiar Intel e AMD com novo chip para a era da IA

A Nvidia revelou esta segunda-feira o RTX Spark, um novo processador destinado a portáteis e computadores de secretária com Windows que marca a entrada da empresa no desenvolvimento de plataformas de computação totalmente integradas para o mercado de consumo. O anúncio foi feito por Jensen Huang, fundador e diretor executivo da Nvidia, durante a Computex,…
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A Nvidia apresentou o RTX Spark, o primeiro chip totalmente integrado da empresa para portáteis e computadores de secretária com Windows. O anúncio foi feito por Jensen Huang, diretor executivo da tecnológica norte-americana, que aproveitou também para rejeitar a ideia de que a inteligência artificial está a destruir empregos, defendendo que a tecnologia está a impulsionar a contratação de mais engenheiros.
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A Nvidia revelou esta segunda-feira o RTX Spark, um novo processador destinado a portáteis e computadores de secretária com Windows que marca a entrada da empresa no desenvolvimento de plataformas de computação totalmente integradas para o mercado de consumo.

O anúncio foi feito por Jensen Huang, fundador e diretor executivo da Nvidia, durante a Computex, em Taipé, onde afirmou que a empresa está a trabalhar com a Microsoft para “reinventar o PC”.

“A Microsoft e a Nvidia vão reinventar o PC; este será o novo PC”, afirmou Huang durante a apresentação.

O RTX Spark combina uma unidade de processamento gráfico (GPU) da Nvidia com uma unidade central de processamento (CPU) concebida pela empresa, em colaboração com a MediaTek. Trata-se de uma mudança estratégica relevante, uma vez que os computadores equipados com placas gráficas Nvidia dependiam até agora de processadores desenvolvidos por fabricantes como a Intel ou a AMD.

Segundo a Nvidia, o novo chip permitirá executar localmente agentes de inteligência artificial, além de aplicações profissionais e videojogos exigentes. Durante a apresentação, Huang mostrou portáteis equipados com o RTX Spark a correr títulos como 007 First Light e Forza Horizon 6, bem como um computador de secretária compacto, de dimensões semelhantes às de um Mac Mini.

A empresa não revelou preços nem uma data concreta de lançamento, limitando-se a indicar que os equipamentos chegarão ao mercado no outono. Os primeiros modelos serão produzidos por fabricantes como ASUS, Dell, HP, Lenovo, Microsoft e MSI.

De acordo com Mark Aevermann, diretor sénior de gestão de produto da Nvidia, citado pela imprensa norte-americana, os novos equipamentos deverão oferecer autonomia para um dia inteiro de utilização e desempenho gráfico comparável ao da atual GPU móvel RTX 5070. Os sistemas poderão incluir até 128 GB de memória.

O lançamento surge numa altura em que a Nvidia se tornou uma das maiores beneficiárias da corrida global à inteligência artificial. A empresa, conhecida pelas suas GPU utilizadas em videojogos, transformou-se num dos principais fornecedores de hardware para centros de dados que suportam modelos de IA como o ChatGPT.

A capitalização bolsista da Nvidia já ultrapassou os cinco biliões de dólares (cerca de 4,29 biliões de euros), um valor superior ao Produto Interno Bruto (PIB) do Japão ou da Índia.

Durante o mesmo evento, Huang procurou também contrariar os receios de que a inteligência artificial esteja a eliminar postos de trabalho: “O número de engenheiros está, na verdade, a aumentar. As pessoas falam que a IA reduz os empregos, e isso não faz sentido; está a levar à contratação de mais engenheiros de programação”, afirmou.

O responsável explicou que existem atualmente cerca de 30 milhões de programadores de software em todo o mundo, responsáveis por aproximadamente três biliões de dólares (cerca de 2,58 biliões de euros) em salários. Segundo Huang, a utilização de ferramentas de IA permite triplicar a produtividade destes profissionais, elevando o valor do seu trabalho para nove biliões de dólares (7,73 biliões de euros).

“A razão para isto é muito simples: se pode contratar um engenheiro de programação, pode gerar nove biliões de dólares em trabalho produtivo, então por que não contrataria mais engenheiros?”, questionou.

Para Huang, a inteligência artificial já está a produzir impacto económico mensurável: “A IA gera agora lucros, a IA gera agora PIB”, defendeu.

Nem todos os analistas veem, porém, a estratégia da Nvidia sem reservas. Stephen Wu, antigo engenheiro de IA e fundador do fundo de investimento Carthage Capital, afirmou à agência France-Presse (AFP) que a empresa está a procurar controlar uma fatia cada vez maior da cadeia de valor dos computadores pessoais: “A Nvidia está a ignorar a cadeia de fornecimento tradicional de PC para construir um monopólio de hardware completo”, afirmou.

O especialista considera que os concorrentes mais diretamente afetados poderão ser a Intel e a AMD, acrescentando que os novos equipamentos poderão oferecer aos utilizadores de IA a largura de banda necessária para executar modelos avançados localmente, reduzindo a dependência de serviços na nuvem.

com Forbes Internacional e Lusa

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