O novo ouro da inteligência artificial está a criar bilionários em série no negócio dos chips

O crescimento explosivo da inteligência artificial está a transformar o setor dos chips de memória numa das áreas mais lucrativas da indústria tecnológica mundial, criando novos bilionários e impulsionando avaliações históricas entre os maiores fabricantes globais. O caso mais recente é o de Sanjay Mehrotra, presidente e CEO da Micron Technology, cuja fortuna ultrapassou os…
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A subida meteórica da Micron Technology transformou o CEO Sanjay Mehrotra em bilionário, mas o fenómeno vai muito além de um único executivo. O boom da inteligência artificial está a gerar fortunas históricas entre os principais fabricantes mundiais de chips de memória, num mercado que já soma empresas avaliadas em mais de 1 bilião de dólares (cerca de 920 mil milhões de euros).
Negócios Tecnologia

O crescimento explosivo da inteligência artificial está a transformar o setor dos chips de memória numa das áreas mais lucrativas da indústria tecnológica mundial, criando novos bilionários e impulsionando avaliações históricas entre os maiores fabricantes globais.

O caso mais recente é o de Sanjay Mehrotra, presidente e CEO da Micron Technology, cuja fortuna ultrapassou os mil milhões de dólares depois de as ações da empresa norte-americana terem atingido máximos históricos.

Segundo estimativas da Forbes, Mehrotra acumula atualmente uma fortuna de 1,2 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros).

O executivo, de 67 anos, lidera a Micron desde 2017, depois de uma longa carreira na SanDisk, empresa pioneira no armazenamento flash que acabou adquirida pela Western Digital em 2016 por cerca de 16 mil milhões de dólares (14,7 mil milhões de euros).

A valorização da Micron impressiona. As ações da empresa subiram 194% este ano e acumulam uma valorização de 863% nos últimos 12 meses, impulsionadas pela procura crescente de chips de memória utilizados em servidores de inteligência artificial.

A empresa sediada em Boise, no estado norte-americano do Idaho, atingiu uma capitalização bolsista próxima de 1 bilião de dólares (920 mil milhões de euros), juntando-se à Samsung Electronics e à SK Hynix no restrito grupo de fabricantes de chips de memória avaliados acima desse patamar.

O fenómeno revela como a inteligência artificial está a redefinir um setor historicamente conhecido pela volatilidade cíclica. Os chips de memória tornaram-se essenciais para alimentar os processadores gráficos utilizados no treino e execução de modelos de IA como o ChatGPT ou o Claude.

Micron, Samsung Electronics e SK Hynix dominam atualmente a produção mundial de chips de memória em larga escala, beneficiando diretamente do investimento massivo em infraestruturas de inteligência artificial.

A corrida tecnológica também está a criar algumas das maiores fortunas da Ásia.

Na Coreia do Sul, os quatro membros da família Lee, que controla a Samsung, ocupam atualmente o topo da lista dos mais ricos do país. O presidente executivo da Samsung, Jay Y. Lee, viu a sua fortuna mais do que duplicar em menos de seis meses, aproximando-se agora dos 35 mil milhões de dólares (32 mil milhões de euros).

As irmãs Boo-jin e Seo-hyun, bem como a mãe Hong Ra-hee, surgem logo atrás, com fortunas estimadas em 12,9 mil milhões de dólares (11,9 mil milhões de euros), 12,2 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros) e 12,1 mil milhões de dólares (11,1 mil milhões de euros), respetivamente.

Também Chey Tae-won, presidente do grupo SK, controlador da SK Hynix, viu a sua riqueza disparar. A fortuna do empresário ascendeu a 5,6 mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros), mais do triplo dos 1,7 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) registados em janeiro.

Percurso de Sanjay Mehrotra

O percurso de Sanjay Mehrotra acompanha a ascensão do próprio setor tecnológico. Nascido em 1958 em Kanpur, na Índia, mudou-se para os Estados Unidos aos 18 anos para estudar na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Em 1988, cofundou a SanDisk ao lado de Eli Harari e Jack Yuan. A empresa destacou-se no desenvolvimento de armazenamento flash, entrou em bolsa em 1995 e acabou vendida à Western Digital mais de duas décadas depois.

Um ano após essa operação, Mehrotra assumiu o comando da Micron, numa altura em que as ações da empresa negociavam perto dos 30 dólares. Desde então, os títulos dispararam cerca de 3.000%, impulsionando significativamente os prémios em ações atribuídos ao executivo.

A própria SanDisk voltou entretanto aos mercados. A Western Digital separou novamente a empresa como companhia autónoma cotada em bolsa no início de 2025.

As ações da SanDisk acumulam uma valorização de 477% este ano e de 4.064% nos últimos 12 meses, atingindo um preço de 1.590 dólares (cerca de 1.460 euros) por ação no fecho de quarta-feira.

O entusiasmo em torno do setor chegou também à esfera política. Numa ação de campanha em Nova Iorque, Donald Trump destacou recentemente os investimentos da Micron: “A Micron, meu Deus, a Micron é fantástica, estão a investir centenas de milhares de milhões.”

As ações da empresa subiram mais de 18% na primeira sessão bolsista após as declarações do Presidente norte-americano.

Sanjay Mehrotra integrou igualmente a delegação empresarial que acompanhou Trump numa visita oficial à China em maio, ao lado de nomes como Elon Musk, Jensen Huang e Tim Cook.

Apesar do entusiasmo em torno da inteligência artificial, alguns analistas alertam para os riscos históricos associados ao setor dos chips de memória.

Tradicionalmente, períodos de forte procura foram frequentemente seguidos por excesso de produção, acumulação de inventário e quedas abruptas de preços.

Embora muitos investidores defendam que a inteligência artificial poderá garantir uma procura estruturalmente mais estável, outros recordam anteriores ciclos de expansão excessiva, como aconteceu nos anos 1990 durante o boom dos computadores pessoais e da internet.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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