Liderar na nova economia da saúde: sustentabilidade, regulação e o futuro da competitividade

Hoje, liderar na Europa implica responder a um novo contrato social entre empresas, cidadãos e reguladores, refletido em instrumentos como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), que reforça as exigências de transparência e responsabilidade ambiental, social e de governance. Neste enquadramento, afirmar que não há saúde humana sem saúde planetária é mais do que uma…
ebenhack/AP
Num contexto em que a sustentabilidade deixou de ser voluntária para se tornar uma exigência regulatória e económica, o setor da saúde enfrenta um desafio decisivo: continuar a inovar enquanto reduz o seu impacto ambiental. A liderança empresarial será determinante para alinhar ciência, política pública e criação de valor
Forbes LAB

Hoje, liderar na Europa implica responder a um novo contrato social entre empresas, cidadãos e reguladores, refletido em instrumentos como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), que reforça as exigências de transparência e responsabilidade ambiental, social e de governance. Neste enquadramento, afirmar que não há saúde humana sem saúde planetária é mais do que uma convicção ética: é uma condição de competitividade. A sustentabilidade deixou de ser periférica e passou a integrar o centro da estratégia empresarial.

Na Sanofi, esta visão traduz-se na estratégia AIR — Acesso, Impacto Ambiental e Resiliência — alinhada com os princípios europeus de dupla materialidade ESG. Isto significa avaliar não apenas como os fatores ambientais e sociais afetam o negócio, mas também o impacto da atividade da empresa nos sistemas de saúde, na sociedade e no ambiente.

Este compromisso concretiza-se em metas mensuráveis: desde 2019, reduzimos as emissões em 47%, garantimos que 85% da eletricidade utilizada nos nossos complexos industriais é renovável e diminuímos o consumo de água em 50%. Paralelamente, a integração de princípios de eco-design em novos produtos promove maior eficiência ao longo da cadeia de valor. A transformação é igualmente tecnológica e cultural. A inteligência artificial já permite acelerar o desenvolvimento clínico, tornando a investigação mais eficiente e sustentável. Ao mesmo tempo, novas metodologias industriais ajudam a reduzir desperdícios e consumo energético, demonstrando que sustentabilidade e competitividade são hoje inseparáveis.

Esta evolução é particularmente relevante num setor responsável por cerca de 4,4% das emissões globais de gases com efeito de estufa. Em Portugal, o setor da saúde representa aproximadamente 5,8% das emissões nacionais, assumindo assim um papel central na concretização das metas climáticas do país.

Ao desenvolver medicamentos e vacinas que previnem doenças e evitam hospitalizações, contribuímos não apenas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas também para reduzir a pressão sobre os recursos do sistema de saúde. A inovação científica e a sustentabilidade reforçam-se mutuamente.

Neste novo contexto, liderar exige antecipar regulação, integrar critérios ESG na tomada de decisão e colaborar ativamente com decisores públicos, parceiros e sociedade civil. O futuro da saúde construir-se-á precisamente nesse equilíbrio: inovação com impacto clínico, económico, social e ambiental.

Este artigo foi produzido em parceria com a Sanofi. 

Mais Artigos