Há empresas que crescem porque acompanham o mercado. Outras porque conseguem antecipar a forma como está prestes a mudar. É este o caso da Lusotendas. Em 2016, a empresa de São João de Ver, em Santa Maria da Feira, instalou a sua primeira cobertura para campos de padel. Podia ser apenas mais um projeto. Acabou por ser o ponto de viragem que transformaria uma empresa familiar numa referência europeia. “Este projeto representou muito mais do que um novo produto; marcou o início de uma nova fase da empresa, assente numa maior componente técnica, de engenharia e de desenvolvimento de soluções especializadas”, recordam Ana Luísa Sobrado e Emanuel Oliveira, fundadores e gerentes da Lusotendas. Até então, a empresa mantinha atividade no aluguer e venda de estruturas para eventos, um negócio marcado por ciclos e sazonalidade. O padel, o ténis e outros desportos trouxeram uma nova leitura. Ana Luísa Sobrado e Emanuel Oliveira perceberam cedo que estavam perante um mercado que precisava de infraestruturas duradouras, capazes de transformar campos expostos ao clima em ativos utilizáveis 365 dias por ano.

De empresa familiar a player internacional
A decisão revelou-se estruturante. Dois anos depois, a empresa mudou-se para instalações maiores. Seguiram-se investimentos em equipamentos mais avançados, reforço da capacidade produtiva, engenharia, qualificação das equipas e a internacionalização. Sem perder as raízes familiares, a empresa começou a ganhar escala industrial.
O crescimento do padel confirmou a aposta. Segundo a International Padel Federation, a modalidade já ultrapassa os 35 milhões de praticantes ativos a nível mundial. Para clubes, investidores e operadores, esta expansão trouxe uma questão prática: como garantir mais horasde utilização e maior retorno?
O negócio por trás das coberturas
Foi aqui que a Lusotendas encontrou o seu novo território. A empresa não vende apenas coberturas. Desenvolve soluções de engenharia que ajudam os espaços desportivos a funcionar com maior previsibilidade, reduzindo o impacto da chuva, do vento, de temperaturas extremas e parte do impacto sonoro. “Na prática, estas soluções contribuem para aumentar a rentabilidade dos espaços desportivos, permitindo que clubes e operadores mantenham a sua atividade durante todo o ano”, explicam os fundadores. As estruturas são modulares, personalizáveis e preparadas para acompanhar o crescimento dos projetos. Permitem integrar cores e branding, adaptar dimensões e responder a diferentes exigências técnicas. A utilização de alumínio reforça a durabilidade e a resistência.

Do Reino Unido a Miami
A internacionalização tornou-se uma consequência natural desta capacidade de adaptação e hoje as estruturas da Lusotendas estão presentes em mais de 20 países, de Espanha, Itália, Grécia, Reino Unido, Chipre e Holanda ao Senegal, Namíbia, Chile e Colômbia, com projetos também no Médio Oriente. “Gostamos de dizer que somos uma empresa ‘camaleão’, capaz de compreender as necessidades específicas de cada cliente e de cada país, ajustando as nossas soluções sem nunca comprometer os padrões de qualidade”, sublinham. O Reino Unido é prioritário. De acordo com a LTA, a participação em padel duplicou em 2025, chegando aos 860 mil praticantes, enquanto o número de campos na Grã-Bretanha ultrapassou os 1.500. A Lusotendas foi Gold Sponsor da edição inaugural dos British Padel Awards, sendo a única empresa portuguesa presente.
Mais recentemente, a empresa deu o salto para os EUA. Em Miami, está a concluir três coberturas num rooftop localizado no sétimo andar de um edifício, para o ICON PADEL. O projeto, particularmente desafiante do ponto de vista técnico e logístico, mostra a capacidade da Lusotendas para adaptar as suas soluções a mercados e contextos de elevada exigência. “Estar presente em geografias como o Reino Unido ou os Estados Unidos permite-nos ganhar escala, aumentar a notoriedade da marca e consolidar o posicionamento da Lusotendas como um operador global”, referem os responsáveis. Apesar do peso crescente do padel, a Lusotendas mantém uma atuação relevante na logística e na indústria, com estruturas modulares para armazenamento e expansão de áreas operacionais. Esta diversificação dá robustez ao negócio e deduz a dependência de uma única vertente para continuar a crescer.
Engenharia humana: o maior ativo
A acompanhar esta trajetória de sucesso está também uma transformação interna. Na última década, a equipa cresceu de 9 pessoas para cerca de 70 colaboradores. O investimento em tecnologia foi decisivo, mas a aposta contínua na criação de competências e na especialização das equipas tornou-se um dos seus maiores ativos. “As pessoas continuam a ser um dos principais fatores diferenciadores da Lusotendas, senão o fator principal”, assumem os responsáveis.
A Lusotendas viu no padel mais do que uma tendência e fez dessa leitura uma rota de crescimento internacional. De São João de Ver para o mundo, mostra como uma cobertura bem desenhada pode tornar um recinto desportivo mais eficiente, rentável e preparado para crescer.
Este artigo foi produzido em parceria com a Lusotendas.





