Instalada na Rua de São Pedro de Alcântara, ao pé do Largo da Misericórdia, na zona do Chiado, em Lisboa, a Brotéria é uma instituição sem fins lucrativos ligada aos Jesuítas portugueses (Companhia de Jesus), dedicada à investigação e divulgação cultural e científica. A sua atividade passa pela organização de conferências, colóquios e encontros, bem como pela edição de revistas e livros, afirmando-se como um dinâmico polo cultural da cidade.
Desde o final de fevereiro, a Brotéria reforçou a sua oferta com a abertura do Clara Café, um espaço de restauração que substituiu o que anteriormente se encontrava no local, integrando-se num edifício (o antigo Palácio dos Condes de Tomar), onde convivem biblioteca, galeria, livraria e programação cultural regular.

Apesar de ser um espaço autónomo dos Jesuítas e subconcessionado, o projeto Clara Café nasce em diálogo com o ambiente envolvente da Brotéria, marcado por uma forte dimensão intelectual e artística. Os dois grandes mentores do Clara Café são o chef Diogo Noronha e o barman Fernão Gonçalves.
O Clara Café abriu portas há pouco mais de dois meses. Funciona das 10h00 às 18h00, de segunda a sábado. Combina cultura e gastronomia.
“Estamos ainda na fase de descoberta, de conhecer os nossos clientes e de conhecer a comunidade”, assume Diogo Noronha, chef que se formou em Nova Iorque e que trabalha uma cozinha de base vegetal e com quem a Forbes Portugal falou.
A proposta afasta-se do percurso de fine dining que marcou parte da carreira de Diogo Noronha. “Tive vontade de ter uma coisa bem mais do dia-a-dia, mais casual, comida de conforto”, explica. Essa nova abordagem traduz-se numa oferta que acompanha o ritmo do dia (comida para “all day”, como afirma), do pequeno-almoço ao almoço e às pausas da tarde.

A cozinha do Clara Café privilegia produtos sazonais e uma abordagem mais consciente à alimentação, com forte presença vegetal. Sem excluir outras opções (há pratos com proteína animal, designadamente com frango), o projeto aposta em combinações onde os vegetais assumem protagonismo, trabalhando com produtores selecionados. “A minha visão é menos quantidade e mais qualidade”, afirma o chef, sublinhando o foco nos ingredientes.
A carta reflete estas preocupações e vai sendo ajustada de forma progressiva: “As primeiras cartas são sempre um bocadinho mais conservadoras, no sentido de perceber o cliente e a dinâmica”, aponta o chef.
“A carta atravessa o dia com naturalidade”, acentua o chef Diogo Noronha. Neste momento, no menu atual, croissants simples (€3,7), de queijo (€4,5) ou misto (€5,5), torradas com requeijão, abóbora e rúcula (€5,5) ou com manteiga e compota de citrinos (€4,5) marcam as manhãs. O folhado de maçã com tomilho-limão e gengibre (€4,5) e a granola de avelã, toranja e alecrim com pera em calda de earl grey e bergamota (€5,5) prolongam o momento.

Ao almoço, surgem pratos leves: omelete recheada com pasta de espinafres, pão de centeio e manteiga de miso branco (€12); ovo escalfado com marmelada de cebola roxa, biscoito de zaatar e queijo tomme Casa Pratas (€12); creme de couve-flor com cebola assada (€4,5); saladas e bowls que combinam leguminosas, folhas e molhos preparados na casa. Nas sobremesas, há bolo de limão confit com azeite e açafrão-da-índia (€4,5) e tarte cremosa de chocolate com toffee de miso e koji de cevada (€4,5).
A identidade visual do projeto segue a linha da Brotéria, com o próprio design da carta do menu a sobressair pelo grafismo depurado e minimalista (com uso abundante de minúsculas).

O espaço acompanha também a dinâmica da própria Brotéria: o horário, das 10h00 às 18h00, de segunda a sábado, coincide com o da instituição: “Estamos sempre ligados à programação da Brotéria”, explica Diogo Noronha, referindo que o café funciona como uma extensão natural das atividades da casa.
Contudo, a ambição passa por aprofundar mais a ligação entre gastronomia e programação cultural, podendo o horário vir a estender-se em dias com eventos mais tardios: “Há um caminho a fazer e uma vontade”, afirma Diogo Noronha.
O chef refere ainda a intenção de desenvolver iniciativas e colaborações alinhadas com a atividade da Brotéria, um ecossistema que atrai uma audiência diversificada, que cruza diferentes gerações e interesses, desde visitantes habituais a novos públicos, incluindo muitos estrangeiros que utilizam o espaço para estudar, trabalhar online, consultar a biblioteca ou visitar exposições. “São pessoas com abertura cultural e intelectual”, observa o chef.

De resto, o Clara Café beneficia de estar inserido nas instalações da Brotéria, cujo edifício transporta-nos para outra realidade dentro da cidade, logo a partir da entrada onde pontifica uma ampla escadaria de mármore em espiral que liga os vários pisos. O Clara Café ocupa uma dessas áreas, combinando uma sala interior com um convidativo pátio exterior amplo.
Neste 2026, o Clara Café surge, assim, como uma lufada de ar fresco nas propostas gastronómicas da capital, integrando a comida numa experiência mais ampla, entre livros, arte e encontro.





