Em abril de 2026, a Le Labo, que abriu no final do ano passado a sua primeira loja em Lisboa, comemorou 20 anos com um lançamento um pouco diferente daquilo a que tem habituado os clientes da marca: um livro.
“Le Labo: The Essence of Slow Perfumery” reúne fotografias, ensaios e reflexões que celebram estas duas décadas da marca que deu os primeiros passos em Nova Iorque, na Elizabeth Street.

Escrito por Deborah Roy, diretora criativa e presidente global da Le Labo, o livro conta com dez capítulos onde se exploram temas como o artesanato, ambientes que inspiram tranquilidade, a prática japonesa do wabi-sabi, aromas ou a relação com o tempo.
“Vinte anos após a abertura do nosso primeiro laboratório no bairro de Nolita, em Nova Iorque, quisemos assinalar este marco com um livro. Parte arquivo, parte reflexão, parte convite, reúne ensaios pessoais, imagens e reflexões que celebram duas décadas de trabalho artesanal discreto, criação com alma e dedicação”, afirmou Deborah Roy em comunicado.
E acrescentou: “A memória é subjetiva, seletiva, fugaz e sensorial. Muitas vezes não nos lembramos da imagem completa, mas apenas das suas sombras, da sua periferia, da sensação de estar lá, despertada por aromas, sons ou imagens que nem sempre conseguimos explicar. O perfume tem essa notável capacidade de comprimir o tempo, transportando-nos instantaneamente entre o passado e o presente, o que foi e o que poderá ser. Apesar da sua efemeridade, deixa uma marca duradoura. Queria que este livro honrasse essa fluidez e as formas elusivas e não lineares como, na verdade, nos lembramos. Espero transmitir que o que perdura ao longo do tempo raramente são as realizações mais grandiosas, mas sim os momentos humanos fugazes, os raros instantes de ligação profunda, as perguntas eternamente sem resposta, as pequenas coisas ao longo do caminho. E que abrandar e dedicar-lhes conscientemente a nossa atenção pode ser, à sua maneira, um ato radical”.

Uma vez que este livro surge em forma de comemoração do 20.º aniversário da marca, a diretora criativa deixou ainda a sua visão para as próximas duas décadas da marca. “Os próximos 20 anos serão dedicados a tornarmo-nos mais quem realmente somos. Um provérbio chinês diz-nos que, quando as raízes crescem profundamente, o vento não passa de um sussurro, quanto mais nos ligamos às nossas convicções mais profundas, menos somos abalados pelas tempestades que possam surgir. Avançar ao nosso próprio ritmo neste mundo acelerado é um ato de resistência. Este aniversário não é um ponto final, mas uma pausa entre batidas do coração. É a nossa reafirmação de que, numa cultura viciada na aceleração incessante, oferecemos algo infinitamente mais poderoso: a coragem de abrandar”, concluiu.





