Livraria Lello atinge, pela primeira vez, 120 mil livros vendidos num único mês

A Livraria Lello ultrapassou em agosto, pela primeira vez nos seus 120 anos de história, a marca dos 120 mil livros vendidos num único mês, “consolidando a posição como livraria independente que mais livros vende no Mundo”, destacam os responsáveis da livraria que acrescentam que o recorde acontece sem um aumento correspondente do número de…
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No ano em que celebra 120 anos, a Livraria Lello alcançou um recorde mensal de venda de livros: 120 mil obras. Aconteceu em agosto último. O “segredo” está no modelo de negócio que foi implementado e que é explicado por Aurora Pedro Pinto, Presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello.
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A Livraria Lello ultrapassou em agosto, pela primeira vez nos seus 120 anos de história, a marca dos 120 mil livros vendidos num único mês, “consolidando a posição como livraria independente que mais livros vende no Mundo”, destacam os responsáveis da livraria que acrescentam que o recorde acontece sem um aumento correspondente do número de visitantes e tem mais a ver com um facto: mais de 80% dos que entram na Livraria compra hoje pelo menos um livro (contra menos de 10% dos que o faziam até 2015) e aumentou também o número médio de exemplares adquiridos por comprador.

Até 2015, menos de 10% dos visitantes compravam um livro na Lello. Hoje, são mais de 80%.

“No centro desta evolução está uma estratégia de negócio que procurou conciliar a dimensão da visitação com a razão de existir de uma livraria: transformar visitantes em leitores”, assume os responsáveis da livraria que implementaram o modelo de ticket-voucher – o valor pago pela entrada é totalmente dedutível na compra de um livro, transformando a visita num motor do próprio negócio livreiro.

A escala alcançada permite, por sua vez, investir na edição própria, alargar a oferta a diferentes línguas, reforçar a equipa de livreiros e continuar a criar novas formas de aproximar públicos muito diferentes da leitura: “É inegociável o nosso posicionamento como livraria, e para o podermos defender precisamos de um modelo de negócio que o torne sustentável. Seria mais simples e financeiramente mais vantajoso cobrar uma entrada e terminar aí a relação com quem nos visita. Escolhemos usar a escala da visitação para criar escala para o livro”, afirma Aurora Pedro Pinto.

“Isso significa vender cerca de quatro mil exemplares diariamente, investir em edição e continuar a apostar num conhecimento especializado cada vez mais raro, o dos livreiros. Mas também um trabalho muitas vezes invisível, que começa às seis da manhã com a nossa equipa de logística, e que é essencial para continuarmos a receber da melhor forma os nossos visitantes. A missão e o negócio não estão em lados opostos: o negócio tem de nos permitir cumprir a missão”, completa a Presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello.

Ampliação do espaço em junho

Foi também com essa lógica que a Livraria Lello investiu na ampliação do seu espaço. Inaugurada em junho, a nova ala desenhada por Álvaro Siza Vieira permitiu quintuplicar a área da livraria, mas sobretudo impulsionar a experiência do visitante, assente num conjunto de espaços que se traduzem em novas formas de viver, explorar e relacionar com a literatura.

Cada área representa diferentes formas de chegar ao livro, da POP Collection, que revisita grandes clássicos para novas gerações, distinguida pela Graphis, à instalação A4, do artista Ai Weiwei, e à Manifesto Library, criada em parceria com o Service95 Book Club, de Dua Lipa. O novo auditório acrescenta a este percurso um espaço dedicado à leitura, ao pensamento e à conversa.

“Quando decidimos ampliar a Livraria Lello, não queríamos simplesmente receber mais pessoas. Queríamos criar mais razões para que quem nos visita descubra, escolha e leve livros consigo”, diz Aurora Pedro Pinto, Presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello.

“Quando decidimos ampliar a Livraria Lello, não queríamos simplesmente receber mais pessoas. Queríamos criar mais razões para que quem nos visita descubra, escolha e leve livros consigo. Os primeiros resultados refletem mais visitantes a comprar livros e mais livros adquiridos por comprador. É esse o crescimento que procuramos”, acrescenta Aurora Pedro Pinto. “É este trajeto que queremos continuar a percorrer, reafirmando-nos como a instituição que mais exporta cultura e literatura portuguesa. Somos responsáveis por cerca de um terço dos livros vendidos em Portugal do único nobel da literatura nacional, José Saramago”, conclui.

A mesma lógica tem vindo a ultrapassar as portas da Livraria. No BABELL, festival literário lançado este ano no Porto pela Fundação Livraria Lello, o princípio foi levado à escala da cidade: a compra de um livro numa das livrarias aderentes funcionou como acesso à programação. Durante seis dias, o livro tornou-se a “moeda” do festival, envolvendo mais de 50 livrarias e transformando a procura gerada por um grande evento cultural em negócio para a rede livreira da cidade.

A Livraria Lello tem também reforçado a atividade editorial própria. Em 2026, prevê publicar mais de 40 novos títulos, entre novas edições e o alargamento das suas coleções a outros idiomas, incluindo coreano e mandarim.

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