Criada em 2008 especificamente para a publicação de livros de bolso de ficção e não ficção, a 11×17, selo editorial do Grupo BertrandCírculo, prepara uma rentrée literária que atravessa diferentes géneros e combina autores consagrados com temas atuais.
Em setembro, chega às livrarias “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, uma das obras fundamentais da literatura brasileira. O romance acompanha Bento Santiago, conhecido como Dom Casmurro, que revisita a sua história e a relação com Capitu, o amor da sua infância. A partir das memórias do protagonista, instala-se uma dúvida que atravessa toda a narrativa: terá Capitu sido infiel com Escobar, o melhor amigo de Bento? A suspeita acaba por colocar em causa não apenas o casamento, mas também a própria paternidade.

Machado de Assis, que nasceu e morreu no Rio de Janeiro, destacou-se como romancista, contista e cronista e foi fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. A sua obra continua a ser reconhecida pela atualidade, pelo humor e pelo olhar crítico sobre a sociedade.
Outubro traz três propostas de natureza bastante diferente. Em “O Diário de um Mago”, Paulo Coelho recupera a viagem de iniciação que esteve na origem da sua transformação pessoal e literária. Ao longo do Caminho de Santiago, o peregrino confronta-se com expectativas, ilusões e aprendizagens, numa jornada de descoberta de si próprio e dos segredos que o Mestre lhe vai revelando.

Primeiro livro de Paulo Coelho, a obra antecedeu uma carreira internacional que fez do escritor brasileiro um dos autores de língua portuguesa mais vendidos de sempre. A sua obra está publicada em mais de 170 países e traduzida em 88 idiomas.
Também em outubro, “Quando as Coisas Não Correm Como Queremos”, de Haemin Sunim, parte de experiências comuns como a perda, a rejeição, a incerteza e a solidão para propor uma reflexão sobre a forma de enfrentar a adversidade. O monge budista recorre à sabedoria espiritual e a histórias e aforismos para ajudar o leitor a reenquadrar momentos difíceis e a encontrar maior tranquilidade perante os desafios.

A vertente mais inquietante da rentrée fica a cargo de Stephen King. Em “Holly”, a investigadora Holly Gibney aceita procurar Bonnie Dahl, uma jovem desaparecida, apesar das suas reservas iniciais. A investigação condu-la até Emily e Rodney Harris, um casal de professores reformados que aparenta levar uma vida tranquila num subúrbio americano, mas esconde na cave um segredo ligado ao desaparecimento.

É mais um regresso de uma das personagens marcantes do universo de Stephen King, num romance que combina investigação, suspense e horror. O escritor norte-americano publicou o primeiro romance, “Carrie”, em 1974 e conta com mais de seis décadas de carreira e mais de 60 livros publicados.
Em novembro, a 11×17 amplia o leque temático com “Autocracia, Inc.”, de Anne Applebaum. A historiadora e jornalista defende que as autocracias contemporâneas já não dependem apenas de um líder todo-poderoso e de estruturas tradicionais de repressão. Rússia, China e Irão são apresentados como exemplos de sistemas apoiados por redes financeiras cleptocráticas, tecnologias de vigilância e estruturas profissionais de propaganda.

Para Applebaum, estas redes não são necessariamente unidas por uma ideologia comum, mas por objetivos como poder, riqueza e impunidade. O livro assume, assim, um tom de alerta sobre a necessidade de as democracias compreenderem melhor esta nova forma de organização do poder autoritário.
A ciência e a tecnologia entram igualmente nas novidades de novembro com “Supremacia Quântica”, de Michio Kaku. O físico teórico explora o potencial dos computadores quânticos e a forma como esta tecnologia poderá transformar áreas tão distintas como a energia, a biologia e a medicina.

Entre as possibilidades apontadas estão a utilização de computadores quânticos no desenvolvimento de reatores de fusão nuclear, na criação de fertilizantes e na compreensão da dobragem das proteínas, um processo fundamental para o estudo de várias doenças. Kaku, professor de Física Teórica na City University of New York e cofundador da teoria do campo de cordas, procura explicar esta nova fronteira tecnológica de forma acessível a um público alargado.
Com esta seleção de livros, a 11×17 mantém a aposta no formato de bolso que está na origem do selo editorial desde 2008.





