Astrónomos descobriram um novo exoplaneta semelhante à Terra a apenas 25 anos-luz do Sistema Solar, abrindo uma nova e promissora possibilidade na procura de vida para lá do nosso planeta. Batizado GJ 3378b, o mundo potencialmente rochoso orbita na zona habitável da sua estrela, onde as temperaturas poderão permitir a existência de água líquida à superfície.
A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal, reforça a ideia de que mundos potencialmente habitáveis podem ser mais comuns na vizinhança do Sistema Solar do que anteriormente se pensava.
Um vizinho cósmico relativamente próximo
GJ 3378b tem uma massa mínima pouco superior ao dobro da Terra. Os cientistas classificam planetas deste tamanho como super-Terras, uma categoria que pode incluir mundos com superfícies rochosas e condições que merecem ser estudadas com maior detalhe.
O planeta recebe aproximadamente 90% da radiação estelar que a Terra recebe do Sol. Essa característica coloca-o na chamada zona habitável da sua estrela, a região em torno de uma estrela onde as condições podem permitir a existência de água líquida à superfície.
Embora 25 anos-luz pareça uma distância enorme, para os astrónomos GJ 3378b é um dos vizinhos potencialmente habitáveis mais próximos da Terra.
“É um dos nossos vizinhos cósmicos mais próximos”, afirmou Paul Robertson, professor associado de Astronomia na Universidade da Califórnia, em Irvine, que liderou a investigação. “25 anos-luz parece uma distância enorme, mas a Via Láctea tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro, por isso, nesse sentido, é o nosso vizinho do lado.”
O planeta não pode ser observado diretamente, mesmo com um grande telescópio amador. GJ 3378b e a sua estrela, uma anã vermelha, encontram-se na constelação setentrional da Girafa (Camelopardalis).
Como foi descoberto
As anãs vermelhas representam cerca de 70% de todas as estrelas, o que as torna alvos importantes na procura de vida fora do Sistema Solar. São, contudo, relativamente pequenas e pouco luminosas, dificultando a deteção dos planetas que as orbitam.
Para identificar GJ 3378b, os astrónomos recorreram ao método da velocidade radial. A técnica permite detetar uma pequena oscilação no movimento da estrela provocada pela atração gravitacional de um planeta que a orbita. A partir dessa oscilação, os investigadores conseguem determinar a massa e a órbita do planeta.
A descoberta foi realizada com recurso ao Hobby-Eberly Telescope, no Observatório McDonald, no Texas, e ao telescópio WIYN, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona.
“Sigam a água”
O facto de GJ 3378b se encontrar na zona habitável é particularmente relevante porque significa que poderá existir água líquida à sua superfície. Mas isso não significa que o planeta seja habitável — muito menos que tenha vida.
“O nosso mantra é ‘sigam a água’”, explicou Robertson. “É a única coisa de que todos os seres vivos que conhecemos na Terra precisam, por isso é a primeira coisa que procuramos quando tentamos encontrar ambientes que possam sustentar vida.”
Uma das principais incógnitas é saber se GJ 3378b possui uma atmosfera capaz de manter condições estáveis à superfície. O planeta encontra-se próximo do que os astrónomos designam por “linha de costa cósmica”, um limite a partir do qual a radiação intensa da estrela pode, ao longo do tempo, retirar a atmosfera de um planeta. Acredita-se que Marte possa ter passado por um processo semelhante há milhares de milhões de anos.
O próximo passo: procurar uma atmosfera
A descoberta é, por isso, apenas o início. Para perceber se GJ 3378b poderá realmente oferecer condições favoráveis à vida, serão necessários telescópios espaciais mais avançados, capazes de estudar diretamente a sua atmosfera.
A NASA está a desenvolver o Habitable Worlds Observatory, previsto para ser lançado na década de 2040. O observatório foi concebido precisamente para estudar exoplanetas próximos semelhantes à Terra e procurar sinais nas suas atmosferas que possam indicar condições favoráveis à vida.
Se futuras observações demonstrarem que GJ 3378b possui a composição atmosférica adequada, o planeta poderá tornar-se um dos alvos mais interessantes para futuras missões de procura de vida fora do Sistema Solar.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





