Ainda a pensar no eclipse solar? O próximo grande espetáculo pode justificar férias no Egito. Serão mais de 6 minutos de escuridão na terra dos faraós

Ainda a pensar no eclipse solar da semana passada? Pode começar a pensar em marcar férias no próximo ano para o Egito, mais concretamente para Luxor. A razão é simples: a 2 de agosto de 2027, a antiga capital dos faraós será um dos melhores lugares do mundo para assistir a um dos mais extraordinários…
ebenhack/AP
A 2 de agosto de 2027, Luxor, no Egito, será atravessada pela sombra da Lua durante mais de seis minutos, num eclipse total que promete combinar um fenómeno astronómico raro com alguns dos maiores monumentos do Antigo Egito.
Forbes Life

Ainda a pensar no eclipse solar da semana passada? Pode começar a pensar em marcar férias no próximo ano para o Egito, mais concretamente para Luxor. A razão é simples: a 2 de agosto de 2027, a antiga capital dos faraós será um dos melhores lugares do mundo para assistir a um dos mais extraordinários eclipses solares totais deste século.

Pouco depois das 13h00 locais, a sombra da Lua atravessará Luxor, proporcionando 6 minutos e 19 segundos de totalidade, a fase em que a Lua cobre completamente o Sol. Nas proximidades da cidade, a duração chegará aos 6 minutos e 22 segundos.

A combinação entre uma duração excecional, condições meteorológicas particularmente favoráveis e uma das maiores concentrações de património arqueológico do planeta fez de Luxor o centro simbólico daquele que já é conhecido como o “eclipse do século”. Espera-se que muitos milhares de visitantes internacionais viajem até à cidade, naquele que poderá tornar-se um dos maiores encontros de observadores de eclipses de sempre.

O Egito oferece as condições meteorológicas mais fiáveis ao longo de todo o percurso da totalidade. Em agosto, a nebulosidade é excecionalmente rara devido ao sistema subtropical de alta pressão que domina o Norte de África. Poeiras e neblina poderão, contudo, afetar a visibilidade.

O Sol estará também quase diretamente sobre as cabeças dos observadores durante a totalidade, a cerca de 82 graus acima do horizonte. Para acompanhar confortavelmente a coroa solar, muitos terão de se deitar numa manta ou numa espreguiçadeira.

As temperaturas em Luxor costumam ultrapassar os 108 graus Fahrenheit (42 graus Celsius) no início de agosto. Durante a totalidade, a temperatura poderá descer brevemente 18 graus Fahrenheit (10 graus Celsius), antes de voltar a subir rapidamente assim que o Sol reaparecer.

Um eclipse entre templos com mais de 3.000 anos

Luxor ocupa o lugar da antiga Tebas, capital dos faraós durante o auge do poder do Antigo Egito, no segundo milénio antes de Cristo.

Hoje, a cidade estende-se ao longo da margem oriental do Nilo, onde se encontram o Templo de Karnak e o Templo de Luxor. Do outro lado do rio fica a Necrópole Tebana, que inclui o Vale dos Reis, o Vale das Rainhas, o templo funerário da rainha Hatshepsut e os Colossos de Mémnon.

O conjunto faz de Luxor uma das paisagens arqueológicas mais ricas do mundo e valeu-lhe a reputação de maior museu ao ar livre do planeta.

A 2 de agosto de 2027, a sombra da Lua passará diretamente sobre monumentos construídos há mais de 3.000 anos por uma das grandes civilizações da história, conhecida pelo culto ao sol, criando uma combinação rara entre astronomia e património histórico.

Apesar da importância dos monumentos, a maioria dos visitantes deverá assistir ao eclipse a partir de hotéis, barcos de cruzeiro no Nilo ou zonas ribeirinhas. O acesso a locais como o Templo de Karnak ou o Templo de Luxor deverá ser limitado devido à dimensão esperada das multidões.

Outras opções para assistir ao eclipse

Luxor deverá concentrar grande parte das atenções, mas não será a única opção para quem quiser assistir ao fenómeno.

Quem procurar evitar as maiores multidões poderá considerar o Templo de Dendera, a norte de Luxor, onde a totalidade durará 6 minutos e 15 segundos, ou o Oásis de Bahariya, a oeste do Cairo, onde o eclipse total durará 6 minutos e 19 segundos, sob algumas das condições atmosféricas mais favoráveis do percurso.

Outras possibilidades incluem o Oásis de Siwa, Abydos, Edfu e a costa do Mar Vermelho, junto a Berenice. Nenhuma oferece a combinação de história e espetáculo de Luxor, mas poderão proporcionar uma experiência mais tranquila sem sacrificar a duração excecional da totalidade.

Porque dura tanto este eclipse?

O eclipse de 2 de agosto de 2027 pertence ao Saros 136, uma família de eclipses conhecida por produzir períodos de totalidade particularmente longos.

Membros anteriores desta série atravessaram o México em 1991 e a China em 2009. Um membro futuro será responsável pelo muito aguardado eclipse solar total que atravessará os Estados Unidos em 2045.

A duração excecional do eclipse de 2027 resulta de uma geometria celeste particularmente favorável. A Lua estará próxima do perigeu, fazendo com que pareça ligeiramente maior do que a média, enquanto a Terra estará perto do afélio, fazendo com que o Sol pareça ligeiramente mais pequeno.

Como o eclipse ocorre também próximo do equador terrestre, os observadores permanecem dentro da sombra da Lua durante mais de seis minutos.

O percurso da totalidade atravessará sul de Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iémen e Somália. Ao todo, cerca de 89 milhões de pessoas vivem dentro da faixa de totalidade.

Para quem assistiu ao eclipse desta semana a partir da Europa, o próximo verão poderá, assim, representar uma oportunidade particularmente rara: transformar a observação de um eclipse solar numa viagem ao coração do Antigo Egito.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

Mais Artigos