Cascais recebe a primeira Bienal Mundial da Água

Portugal é palco da primeira edição da Bienal da Água - As Pegadas da Água, uma iniciativa inédita à escala mundial que coloca a água no centro da reflexão científica, artística e política. Sob o Alto Patrocínio da Presidência da República, a Bienal decorre entre julho e setembro, em Cascais, reunindo especialistas internacionais, artistas de…
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De julho a Setembro, o projeto une arte, ciência e diplomacia ambiental com mentoria do arquiteto Júlio Quaresma que expõe ao lado de outros 70 artistas, como Yoko Ono, Joana Vasconcelos e Thomas Ruff.
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Portugal é palco da primeira edição da Bienal da Água – As Pegadas da Água, uma iniciativa inédita à escala mundial que coloca a água no centro da reflexão científica, artística e política. Sob o Alto Patrocínio da Presidência da República, a Bienal decorre entre julho e setembro, em Cascais, reunindo especialistas internacionais, artistas de renome e instituições de referência num programa multidisciplinar que pretende posicionar a água como um dos grandes temas estratégicos do século XXI.

Mais do que uma exposição de arte, o projeto nasce como uma plataforma de diálogo entre ciência, cultura, tecnologia e sustentabilidade. O programa inclui um ciclo internacional de conferências, exposições de arte contemporânea, concertos e encontros dedicados à inovação, culminando na elaboração do “Apelo de Cascais”, documento que será apresentado nas Jornadas da Água das Nações Unidas, previstas para dezembro de 2026, no Dubai.

Segundo Júlio Quaresma, mentor da iniciativa, a escolha de Portugal foi uma consequência natural da sua identidade marítima.

“Esta Bienal não estava inicialmente pensada para Portugal. Mas, olhando para a nossa relação atlântica, para a ligação histórica ao mar e para o simbolismo de Cascais, percebemos que só podia começar aqui.”

A programação científica recupera o legado do Manifesto da Água, apresentado em 1998 e que esteve na origem do Contrato Mundial da Água. Coordenado por Margarida Ruas, antiga diretora do Museu da Água, o ciclo de conferências reúne alguns dos protagonistas que participaram na redação do documento original, promovendo uma reflexão sobre os desafios atuais relacionados com a gestão dos recursos hídricos, as alterações climáticas e a sustentabilidade.

Paralelamente, a componente artística assume uma dimensão internacional, sob direção de Consuelo Ciscar e curadoria geral de Demetrio Paparoni, reunindo mais de 70 artistas de diferentes geografias. Entre os nomes confirmados destacam-se Yoko Ono, Joana Vasconcelos, Thomas Ruff e o próprio Júlio Quaresma, cujas obras estarão distribuídas entre o Centro de Congressos do Estoril, a Cidadela de Cascais e o Centro Cultural de Cascais.

A Bienal integra ainda um Congresso de Arte e Tecnologia, na Nova SBE, e um programa musical dedicado à água, que inclui a estreia mundial de “Agoas Libres”, composição inédita do maestro Silvestre Fonseca, bem como um hino original criado para esta edição pelo compositor Joan Aguila Chavero.

No final de julho será também apresentada a instalação “O Caminho da Água”, da autoria de Júlio Quaresma, uma obra concebida para a Cidadela de Cascais e que reforça a dimensão artística e simbólica do projeto.

Para Júlio Quaresma, esta Bienal pretende afirmar-se como muito mais do que um evento cultural.

“Em tudo, a água assume a sua dimensão política, social e humanitária. Queremos que esta iniciativa seja um espaço permanente de reflexão, mas também de ação, criando pontes entre a cultura, a ciência e a solidariedade.”

A componente humanitária é igualmente um dos pilares da Bienal, contando com o apoio da Oliver Water, empresa da Patagónia chilena que desenvolve um modelo de impacto social através da doação de água a comunidades em situação de vulnerabilidade por cada litro comercializado.

Ao contrário do modelo tradicional das bienais, esta iniciativa terá periodicidade anual. A partir de 2027, cada edição contará com um país anfitrião e um país convidado, estando já em curso convites de vários países do Médio Oriente, onde a gestão da água assume uma importância estratégica crescente.

Ao colocar a água no centro da discussão global, a Bienal pretende afirmar Cascais e Portugal como um novo polo internacional de reflexão sobre sustentabilidade, diplomacia ambiental e inovação, demonstrando que os grandes desafios do futuro exigem uma abordagem integrada entre conhecimento científico, criação artística e cooperação internacional.

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