O setor financeiro nacional, em particular a banca nacional, está resiliente, mostrando resistência aos choques dos últimos 10 anos, refletindo uma de alavancagem após a crise da dívida em 2012. Esta é uma das conclusões do Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro de Portugal, hoje publicado. “Os bancos dominam o panorama financeiro, com fortes reservas de capital e liquidez e elevada rentabilidade em relação aos seus pares. O crescimento do crédito está a recuperar após anos de declínio; embora os riscos sejam atualmente moderados, é necessário um acompanhamento contínuo à medida que o ciclo evolui e o conflito no Médio Oriente se desenrola.
O setor tem-se mostrado, até ao momento, resiliente ao aumento da incerteza global”, pode ler-se no documento. Como conclusão global, o FMI refere que os riscos para a estabilidade financeira em Portugal são atualmente moderados, já que os bancos demonstram resiliência em testes de resistência severamente adversos, incluindo choques de magnitude semelhante aos registados durante a crise da dívida europeia. No entanto alerta que é necessário um acompanhamento atento ao rápido crescimento dos preços imobiliários, uma vez que o crédito hipotecário está agora a acelerar, sendo necessário algumas medidas. “O Banco de Portugal (BdP) deve continuar a desenvolver instrumentos para monitorizar os riscos do setor bancário”, diz o relatório.
Segundo agência Lusa, Ranjit Singh, chefe da missão do FMI para o Programa de Avaliação do Setor Financeiro, sinalizou, em conferência de imprensa que “o sistema financeiro está numa posição mais forte do que há uma década, os bancos estão mais capitalizados e resilientes”.
FMI revê previsão de crescimento da economia em baixa
A instituição internacional voltou hoje a rever em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa, de 1,9% para 1,7% este ano, no relatório relativo ao Artigo IV. Segundo a agência Lusa, esta previsão fica abaixo da do World Economic Outlook (WEO) de abril, e da previsão do Governo, que no relatório anual de progresso enviado a Bruxelas no final de abril tinha previsto um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% este ano. Para 2027, o FMI prevê agora um crescimento de 1,6%, e de 1,8% para 2028, de acordo com a atualização das previsões divulgadas hoje. Prevê também que o saldo orçamental de Portugal será nulo este ano, o que compara com a previsão de um défice de 0,1% do PIB em abril.
O FMI recomenda reversão de apoios aos jovens na compra da primeira casa, por entender que estes apoios acabaram por aumentar a procura e agravar desequilíbrios no mercado, pelo que deviam ser retirados.
O FMI defendeu ainda a necessidade de aumentar a flexibilidade no mercado de trabalho para acelerar a produtividade. No relatório elaborado ao abrigo do artigo IV considera que a “persistente disparidade de rendimentos entre Portugal e os seus pares da zona euro exige reformas para aumentar a produtividade, eliminando os desincentivos ao crescimento das empresas, simplificando a burocracia, impulsionando o investimento no capital humano, melhorando o acesso das PME ao financiamento e abordando a dualidade do mercado de trabalho”. Numa conferência de imprensa sobre o relatório, Jean-François Dauphin, chefe de missão para Portugal, salientou, citado pela Lusa que “aumentar a flexibilidade no mercado de trabalho, vai ajudar a um melhor uso dos recursos laborais e produtividade aumentada”. “Uma das prioridades seria tornar os contratos sem termo mais flexíveis para serem mais atrativos para as empresas e isso ajudaria a reduzir a dualidade, aumentava a percentagem de emprego estável e dava a empresas maiores incentivos para investir em formação”, argumentou o responsável.
Além disso, no mesmo relatório, o FMI recomenda reversão de apoios aos jovens na compra da primeira casa, por entender que estes apoios acabaram por aumentar a procura e agravar desequilíbrios no mercado, pelo que deviam ser retirados. A instituição considera que para reduzir os desequilíbrios do mercado imobiliário e os riscos associados ao setor financeiro devem ser aplicadas medidas do lado da oferta. As medidas do Governo para apoiar jovens compradores, incluindo garantias públicas e isenções fiscais, “visam melhorar a acessibilidade, mas aumentaram a procura e agravaram os desequilíbrios do mercado”, disse o FMI, pelo que “devem ser revertidos”.
(Com Lusa)





