UE pede a Meta e TikTok que reforcem vigilância sobre informação após incidentes em Ceuta

A comissária europeia para a soberania tecnológica, Henna Virkkunen, apelou à Meta e ao TikTok para "agirem de forma decisiva" para combater a desinformação nas redes sociais, que terá estimulado o afluxo maciço de migrantes a Ceuta. Virkkunen adiantou que a Comissão manteve conversas com as duas plataformas sobre a vaga de desinformação nas redes…
ebenhack/AP
Henna Virkkunen, comissária europeia para a soberania tecnológica, apelou à Meta e ao TikTok para "agirem de forma decisiva" para combater a desinformação nas redes sociais, que terá estimulado o afluxo maciço de migrantes a Ceuta.
Economia

A comissária europeia para a soberania tecnológica, Henna Virkkunen, apelou à Meta e ao TikTok para “agirem de forma decisiva” para combater a desinformação nas redes sociais, que terá estimulado o afluxo maciço de migrantes a Ceuta. Virkkunen adiantou que a Comissão manteve conversas com as duas plataformas sobre a vaga de desinformação nas redes sociais que terá contribuído largamente para o afluxo de dezenas de milhares de pessoas ao território espanhol no norte de África, em particular um rumor de que “a fronteira de Ceuta estava aberta”.

“As plataformas têm de agir de forma decisiva para preservar a integridade do espaço digital, especialmente em situações de crise”, afirmou Henna Virkkunen, comissária da soberania tecnológica, segurança e democracia. “A monitorização deve ser reforçada, a cooperação com os verificadores de factos deve ser consolidada”, acrescentou a comissária, adiantando que a União Europeia irá fazer um acompanhamento da situação na segunda-feira.

Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha. Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

O incidente foi explorado por vozes da direita e da extrema-direita como prova do caos migratório na Europa e provocou um atrito diplomático entre Espanha e a Itália, que defende uma linha dura em matéria migratória. O comissário europeu para os Assuntos Internos e a Migração, Magnus Brunner, qualificou na terça-feira o episódio de Ceuta como um “teste” para a segurança das fronteiras do bloco e para a sua “resiliência face à desinformação”.

As travessias foram “alimentadas por redes criminosas de patrões ilegais e também pela desinformação”, declarou Brunner, ao mesmo tempo que considerou que era “tarde demais” para dizer quem estava na origem da “instrumentalização” da situação online – traficantes ou uma potência estrangeira como a Rússia.

No entanto, o comissário avisou que a UE “deve reforçar a sua capacidade de acompanhar as tendências de desinformação nas redes sociais, trabalhando em estreita colaboração com a Europol e todas as outras agências da UE”. Uma investigação em fontes abertas realizada pela empresa tecnológica Golden Owl concluiu “com um elevado grau de confiança” que a vaga de migrantes “foi uma operação deliberadamente organizada”.

Mais Artigos