A análise é do Banco de Portugal: contratar crédito através de intermediários chega a ser 1,2 pontos percentuais mais caro do que fazer o crédito diretamente nas instituições. Segundo o relatório “Os intermediários de crédito no crédito aos consumidores”, elaborado por Renata Mesquita, Joaquim Rodrigues e Carla Soares, em média a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) é mais elevada nos contratos com intermediários. Este diferencial é obtido comparando empréstimos semelhantes concedidos através de intermediários ou diretamente na instituição, pela mesma instituição financeira, num determinado mês, a um mesmo “tipo de indivíduo”.
O relatório, publicado no Boletim Económico de Junho, começa por referir que os intermediários de crédito se tornaram agentes relevantes no processo de comercialização de contratos de crédito, num mercado que apresenta uma oferta cada vez mais diversificada e sofisticada. Dados mostram que cerca de 51% do montante de crédito aos consumidores e de 56% do montante de crédito à habitação foi comercializado, durante o ano de 2025, com a intervenção de intermediário.
Os investigadores referem que, dadas as suas funções, os intermediários de crédito podem proporcionar benefícios relevantes aos consumidores. E exemplificam: podem promover a inclusão financeira ao facilitarem o acesso ao crédito por parte de pessoas com menor literacia financeira ou maiores dificuldades de acesso ao crédito; podem contribuir para reduzir os custos de procura do consumidor – como o custo de o consumidor se ter de deslocar a vários balcões de instituições financeiras para obter propostas. Os intermediários de crédito, ao fazerem uma análise da situação financeira, objetivos e necessidades do cliente, podem evitar situações de recusa pelos mutuantes, e podem ajudar a encontrar as soluções mais adequadas para o cliente.
O relatório aponta ainda que existem diferenças sistemáticas entre a concessão de crédito através de intermediários e diretamente nas instituições, verificando-se que o recurso a intermediários de crédito é mais relevante para mutuários geralmente associados a menor literacia financeira, principalmente no crédito pessoal.
No fundo estes reforçam a concorrência entre mutuantes, contribuindo para que as instituições ofereçam melhores condições para captar clientes. “Para as instituições financeiras, o recurso a intermediários pode permitir reduzir custos fixos, como aqueles associados à manutenção de uma rede de balcões. Para as empresas que vendem bens e serviços, contribuem para aumentar as vendas junto de clientes que não têm capacidade para pagar a pronto ou que preferem não o fazer”, pode ler-se no estudo.
Assim, o diferencial para o crédito pessoal pode refletir o que o consumidor está disposto a pagar para não ter de procurar crédito diretamente nas instituições financeiras. O relatório aponta ainda que existem diferenças sistemáticas entre a concessão de crédito através de intermediários e diretamente nas instituições, verificando-se que o recurso a intermediários de crédito é mais relevante para mutuários geralmente associados a menor literacia financeira, principalmente no crédito pessoal. É também neste tipo de crédito que se regista um diferencial nas TAEG por intermediários de crédito face à contratação direta, que pode estar associado aos custos de procura por crédito.





