IA pode acrescentar 480 mil milhões de euros por ano ao PIB europeu até 2030

A McKinsey & Company considera que a Inteligência Artificial (IA) poderá desempenhar um papel decisivo no relançamento económico da Europa, numa altura em que o continente enfrenta décadas de abrandamento da produtividade e crescimento económico inferior ao de outras grandes economias. No estudo Accelerating Europe’s AI Adoption: The Role of Sovereign AI, apresentado no Fórum…
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A McKinsey & Company defende que a Inteligência Artificial pode ajudar a Europa a recuperar produtividade e competitividade, estimando um impacto anual de até 480 mil milhões de euros no PIB europeu até 2030, caso o continente acelere a adoção destas tecnologias.
Economia

A McKinsey & Company considera que a Inteligência Artificial (IA) poderá desempenhar um papel decisivo no relançamento económico da Europa, numa altura em que o continente enfrenta décadas de abrandamento da produtividade e crescimento económico inferior ao de outras grandes economias.

No estudo Accelerating Europe’s AI Adoption: The Role of Sovereign AI, apresentado no Fórum Económico Mundial, a consultora estima que uma adoção mais rápida e estratégica de IA poderá acrescentar até 480 mil milhões de euros por ano ao Produto Interno Bruto (PIB) europeu até 2030.

Segundo o relatório, o crescimento económico europeu tem vindo a desacelerar desde o início do século, acompanhado por uma quebra persistente da produtividade do trabalho. A McKinsey argumenta que a IA representa uma das poucas ferramentas com escala suficiente para inverter essa tendência.

“A Europa enfrenta um desafio estrutural de produtividade que se tem vindo a agravar nas últimas décadas. A Inteligência Artificial representa uma das poucas alavancas com escala suficiente para alterar esta trajetória. No entanto, sem decisões rápidas, investimento consistente e coordenação entre setor público e privado, o continente arrisca-se a perder uma oportunidade crítica para reforçar a sua competitividade global”, afirma Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey.

“A Europa enfrenta um desafio estrutural de produtividade que se tem vindo a agravar nas últimas décadas. A Inteligência Artificial representa uma das poucas alavancas com escala suficiente para alterar esta trajetória”

O estudo indica que 92% das empresas a nível global planeiam aumentar o investimento em IA generativa nos próximos três anos. Ainda assim, apenas uma minoria reporta impactos financeiros significativos até ao momento, sinal de que a tecnologia continua numa fase inicial de adoção.

Desfasamento europeu face a EUA

A análise destaca também o desfasamento europeu face aos Estados Unidos no investimento em IA. Entre 2020 e 2024, as empresas norte-americanas investiram cerca de 300 mil milhões de dólares em IA, enquanto as empresas europeias investiram aproximadamente 62 mil milhões de dólares. Na China, o investimento no mesmo período foi de cerca de 58 mil milhões de dólares.

Apesar de manter posições relevantes em alguns setores industriais e tecnológicos, a Europa continua dependente de fornecedores externos em áreas consideradas críticas para o desenvolvimento de IA, incluindo infraestruturas de cloud, hardware e modelos fundacionais.

É neste contexto que o relatório introduz o conceito de “IA soberana”, definido como a capacidade de desenvolver e controlar competências críticas de IA dentro da própria Europa. Segundo a McKinsey, questões relacionadas com segurança de dados, conformidade regulatória e dependência de infraestruturas externas continuam a travar a adoção destas tecnologias no continente.

De acordo com o estudo, 44% dos líderes tecnológicos europeus referem preocupações com segurança de dados como motivo para evitar cloud pública, enquanto 31% apontam a necessidade de manter dados em geografias específicas.

“A soberania tecnológica é um fator central para desbloquear o potencial da IA na Europa. Desenvolver e controlar competências críticas de IA é essencial para reduzir dependências externas, acelerar a adoção em setores estratégicos e capturar valor económico tanto através de ganhos de produtividade como do crescimento de empresas europeias de IA”, acrescenta Benjamim Vieira.

Do impacto económico estimado pela McKinsey, cerca de 63 mil milhões de euros anuais resultariam do crescimento de empresas europeias dedicadas ao desenvolvimento de soluções de IA. Os restantes 416 mil milhões de euros estariam associados a ganhos de produtividade nas organizações que utilizem estas tecnologias.

O relatório conclui que a Europa não necessita de liderar toda a cadeia global de valor da IA, mas deverá concentrar-se estrategicamente em áreas onde possa gerar maior impacto económico, como aplicações de IA, modelos especializados e ferramentas de software orientadas para ganhos rápidos de produtividade.

A consultora defende ainda maior coordenação entre setor público e privado, investimento à escala europeia e uma abordagem comum para a criação de um mercado único europeu de IA.

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