O painel “As Vozes da Influência” da quarta edição do ‘Forbes Women Summit 2026’ juntou em palco três nomes que estão presentes nas plataformas digitais e cuja voz já influencia uma comunidade significativa de seguidores. Catarina Maia, apresentadora e locutora de rádio, Catarina Gouveia, atriz e empreendedora e Luísa Oliveira, modelo, debateram a responsabilidade de influenciar de forma positiva e com propósito e o papel das plataformas digitais. Este painel inserido no evento que teve como tema “O Poder das Voz” foi protagonista de um live moment, já que, foi transmitido em tempo real no Instagram da Forbes Portugal.
Catarina Maia, que teve a seu cargo a moderação do painel, começou por lembrar o denominador comum entre as três protagonistas: as redes sociais como o canal onde “difundimos o nosso trabalho, é por lá que fazemos a nossa influência, quero eu acreditar, boa”.
Feito o esclarecimento, a primeira pergunta lançada para a mesa não poderia ter sido outra: O que é ter uma voz de influência?

Catarina Gouveia realçou que a “voz que trago é a voz que todos os dias partilho também no digital já há muitos anos. É uma voz que tem de assentar em vários pilares, no mais importante, na responsabilidade e na consciência. E noutro que é qual é o propósito que me leva a comunicar, o que é que vai acrescentar”. A empreendedora lembrou que começou a trabalhar no digital e a querer comunicar aquilo que considerava que poderia ser interessante para a vida de alguém já há mais de dez anos. “Aquilo que há dez anos me movia e me motivava, continua a ser exatamente aquilo que me motiva hoje: é inspirar a um estilo de vida saudável, a hábitos saudáveis, é quase humanizar uma rotina que inspire à disciplina e ouvimos tão bem falar aqui estes testemunhos com os quais me identifiquei bastante, que foi o testemunho de uma atleta e a base da disciplina numa vida que quer alcançar várias conquistas”. Mesmo não sendo atleta, assumiu ter “esta disciplina na minha vida para sobreviver às rotinas, para manter a minha sanidade mental, falar também da importância de mantermos bons hábitos que ajudem a mantermos a nossa saúde mental em dia e falar sobre a sua importância. Sem dúvida para mim, é estarmos com uma voz responsável, consciente e com intenção”.
Luísa Oliveira defendeu que “qualquer pessoa que tenha uma plataforma digital, independentemente da dimensão, deveria ter alguma responsabilidade social e ética, a partir do momento que sabemos que estamos a ser vistos e ouvidos, que sabemos que fazemos parte do dia-a-dia das pessoas. Acho que tem uma responsabilidade acrescida e que é fundamental termos essa consciência quando estamos a partilhar”. A modelo destacou que “é um papel muito importante das criadoras de conteúdo e das comunicadoras terem essa noção de que estão a ser vistas e ouvidas por muita gente e não sabemos quem está do lado de lá. Sempre que partilhamos, temos essa consciência, essa transparência também, devia ser quase que obrigatória”.
Autenticidade e transparência
Catarina Maia, que além de moderadora também se inclui no grupo de quem tem influencia no digital, sublinhou que “para mim só faz sentido estar presente [nas redes sociais] se existir algo mais a acrescentar. Cada um há de ter uma pequena valência diferente, porque felizmente somos todos diferentes no mundo e temos sempre algo a acrescentar. Tem de existir uma compaixão e, às vezes, é um bocado por aí que conseguimos chegar às pessoas que nos seguem”.
Questionada sobre se sente um peso acrescido pelo facto de saber que há pessoas que a seguem e se isso a limita de alguma forma, Catarina Gouveia não tem dúvidas que “o peso é importante que exista, porque está sempre associado à responsabilidade que eu quero manter presente e à minha consciência de que posso influenciar escolhas, influenciar comportamentos. Mas não com isso perder a minha autenticidade. Ou seja, nem sempre a autenticidade significa impulsividade. Eu gosto de ser autêntica, mas gosto de ser ponderada”.

Alinhada com a mesma ideia, Luísa Oliveira salientou que “ser autêntica não significa mostrar tudo, não significa não ter filtro. É muito importante até que haja esse filtro e esse cuidado”. E destacou que, no seu caso, tenta “sempre que a comunicação seja transparente e autêntica, seja a comunicação que faço no dia-a-dia, coisas mais orgânicas, coisas pessoais, como da vida profissional”. E acrescentou que “um passo que também é importante darmos, na criação de conteúdo, na parte criativa, na parte profissional, é que a base seja essa autenticidade. Que façamos as coisas por gosto, obviamente, e coisas que signifiquem aquilo que somos e aquilo que representamos e não fazer por fazer, ou seguir os outros. Acrescentar alguma coisa diferente, alguma coisa nossa, que faça de facto sentido não só para nós, mas também para o público que sabemos que nos acompanha e que nos segue, porque se fôssemos todos iguais não tinha piada nenhuma”.
Catarina Gouveia, que é mãe de uma menina, revelou que face à curiosidade que se gerou em torno deste facto, acabou por decidir divulgar imagens da criança o que permite à família ter controlo do que é publicado evitando assim que surjam imagens sem consentimento. A empreendedora lembrou ainda que, nos últimos anos o mundo digital mudou a uma velocidade alucinante, sendo que é o algoritmo e a própria plataforma moldar o ambiente do digital.
Lamentou o facto hoje os conteúdos mais tóxicos, polémicos, mais polarizados são os que são mais amplificados ou viralizados. Face a este cenário, o criador que queira mais visibilidade tende a seguir pelo caminho dos conteúdos mais virais negligenciando os pilares da consciência e autenticidade. Por isso, defende que cabe aos influenciadores e às próprias plataformas um trabalho de equipa para se criar ambientes que amplifiquem temas como a educação. “Precisamos de um empurrão da plataforma para que esse conteúdo seja o verdadeiro conteúdo visto, impulsionado”.
Luísa Oliveira concordou dizendo que deve haver um trabalho conjunto entre criadores de conteúdos e plataformas na partilha da responsabilidade sobre o que deve ser comunicado e amplificado. “A responsabilidade é muito da parte dos criadores de conteúdo, mas nós somos a voz. As plataformas são a sala onde falamos. Portanto, acho que deve haver uma responsabilidade acrescida também da parte das plataformas. Devemos ter regras claras sobre aquilo que é comunicado, porque muitas das vezes, por muito que façamos o papel certo, o algoritmo às vezes é incontrolável e mostra aquilo que não é benéfico ou o conteúdo mais problemático”. E rematou que “deve haver um equilíbrio entre os dois papéis, ou seja, do criador de conteúdos como o da plataforma em si e até mesmo com a questão da proteção dos menores e com o conteúdo nocivo e muitas das vezes até a desinformação e o conteúdo que lá está”.
Gerir o conteúdo pago
Catarina Maia lançou um novo desafio às influencers para perceber como equilibram o facto de, por vezes, fazem comunicação de conteúdos pagos por marcas que querem defender os seus valores como é que garantem que continuam a manter a autenticidade e transparência?
Catarina Gouveia não teve dúvidas em assumir que uma das regras que considera importantes e que não abre mão é perceber “se existe efetivamente uma identificação com o produto, com o serviço, com aquilo que vou comunicar. E partir do princípio de que esta coerência entre a minha marca, Catarina, e a marca que se quer comunicar fazem aqui um match, se são equilibrados, partilham das mesmas ideologias. Esta é a base”. Além desta identificação, procura perceber de que forma é que “posso acrescentar à marca, qual é a minha perspetiva sobre o produto, sobre o serviço, de que forma é que eu contaria a história e haver aqui uma fusão entre as duas naturezas, entre os dois ADN, para que o conteúdo fique o mais orgânico possível, o mais verdadeiro e que seja bem aceite pela comunidade”.
Sobre este tema, Luísa Oliveira considerou que “a coerência é fundamental e acho que hoje em dia o consumidor é cada vez mais curioso e cada vez mais informado e procura o feedback real”, o que traz uma responsabilidade acrescida. A modelo defendeu ainda que “o melhor marketing continua a ser o do passa a palavra e se o conteúdo não for real e não transparecer essa autenticidade, não for orgânico, o público vai sentir também. Sente-se do lado de lá quando as coisas não estão alinhadas, seja o perfil do criador de conteúdo e o produto que está a comunicar. Acho que os conteúdos que até funcionam muito bem hoje em dia, são o feedback real das pessoas, mesmo que não sejam criadores de conteúdo”.

Catarina Maia sublinhou que quem já tem uma carreira no digital há vários anos acaba por ter uma comunidade que acompanha esse trabalho e “consegue perceber quando realmente gostamos de alguma coisa ou estamos só a ser pagas”. E Luísa Oliveira reiterou que “a coerência é fundamental, porque, a partir do momento que fazemos todas as campanhas e mais algumas, sem diferenciar, sem explicar o porquê, sem contar a história à nossa maneira e porque é que nos identificamos com o produto ou com o serviço que estamos a vender, as pessoas pensam: que não é real, porque é que vou acreditar neste conteúdo se é igual a tantos outros. A coerência é fundamental e a transparência também”.
Dar voz aos projetos pessoais
Catarina Maia realçou que as duas oradoras têm apostado em comunicar, de forma leve, conceitos que defendem as mulheres e o seu papel na sociedade, através de dois projetos pessoais. Luísa Oliveira criou o Dear Wellbeing Journal e Catarina Gouveia a Pura Slow Living que ambas assumem que são uma extensão do seu estilo de vida e da sua marca pessoal.
“O Journal é mesmo uma extensão de mim própria e daquilo que eu acredito. A criação do livro veio muito de uma necessidade pessoal. Era algo que eu procurava e não conseguia encontrar e que, de facto, me ajudava muito, especialmente a longo prazo. E percebi que era uma necessidade do meu público também, e do público em geral, porque depois isso também me trouxe pessoas novas”. Assim que começou a partilhar o gosto pela escrita e o interesse pelo journaling percebeu que fazia sentido criar algo que pudesse ajudar os outros da mesma forma que a ajudou. No Journal comunica projetos profissionais, temas relacionais com moda, lifestyle e empreendedorismo. E também sobre saúde mental, um tema a que tem vindo a dar cada vez mais palco “porque é um privilégio e não é vergonha nenhuma, pelo contrário, é uma prova de força, mostrar o quão importante é cuidarmos de nós próprios interiormente como cuidamos do exterior, o quão importante é cuidarmos da nossa mente e queremos nos ver bem interiormente e não só a nível físico”.
Também Catarina Gouveia confirmou que o nascimento da Pura Slow Living teve como intenção ser uma extensão sua e da marca Catarina. “A Pura surge com esta vontade de trazer ao mercado uma visão que seja, sobretudo, assente na sustentabilidade e que nós mulheres podemos e devemos também primar pela elegância, pelo bom corte, pela qualidade daquilo que é cada vez mais bem feito. Uma das melhores coisas do Made in Portugal é que é cada vez mais procurado e valorizado, sobretudo pelo mercado internacional”. E destacou que quis trazer “esta sustentabilidade e esta durabilidade da beleza de uma peça que pode entrar no armário de uma mulher e durar e durar. A minha voz e que, muitas vezes, sustento não só pela minha marca, mas no meu consumo também diário enquanto mulher é repetir peças”. Por isso, aposta em peças que sejam transversais e que se possam usar em diversas ocasiões. “É quase querer contornar esta tendência muitas vezes viralizada, apostar no slow fashion, combater o fast fashion e humanizar essa tendência em que acredito e que tento sempre muitas vezes amplificar da importância de nós também repensarmos o nosso estilo de consumo”, explicou. O projeto Pura Slow Living nasce mantém o propósito de ter coleções muito pequenas, que se vão mantendo de ano para ano.





