Opinião

Vestir a camisola pela solidariedade

Andreia Trindade

As iniciativas solidárias dentro das empresas não são apenas ações pontuais de responsabilidade social. São, acima de tudo, manifestações de cultura, valores e humanidade. São escolhas que dizem muito sobre o tipo de comunidade que queremos construir dentro e fora das organizações.

Hoje, mais do que nunca, é visível a capacidade de as pequenas ações gerarem impacto real. Uma simples notícia sobre a necessidade de colheita de sangue pode ser o ponto de partida para uma mobilização coletiva. Um apelo individual sobre uma associação de animais pode transformar-se num movimento maior. E, quando existe abertura e vontade, a resposta surge de forma natural: as pessoas querem ajudar e mobilizam-se para o fazer, mesmo que isso implique gerir melhor a lista de afazeres, recursos e também ser criativo para garantir uma adesão superior. Por isso mesmo, diria que o mais importante para que estas iniciativas possam ser concretizadas é ter um local de trabalho recetivo a estes momentos e onde se possa vestir a camisola pela solidariedade sem constrangimentos e sem julgamentos.

É interessante, precisamente, observar como a cultura empresarial influencia diretamente o envolvimento nestas iniciativas. Há organizações naturalmente mais recetivas, onde existe espaço e tempo para participar. Noutras, esse espaço ainda precisa de ser construído, mas arrisco-me a dizer que a maioria das empresas já está a dar passos nesse sentido. Aliás, arrisco-me a dizer que muitas empresas já perceberam que é essencial dedicar dias a estas iniciativas, não só pelo papel que devem assumir junto da sociedade civil, mas também pela importância de criar um propósito para os próprios colaboradores. Esta mudança já é notória até na fase de recrutamento das empresas: se fizermos uma breve pesquisa por vagas de emprego, percebemos que já é comum mencionar o voluntariado ou outras atividades solidárias como parte da proposta de valor das empresas. E percebe-se que há uma procura crescente por alinhamento de valores, por propósito e por impacto social.

As empresas não devem praticar o bem “para a fotografia”, mas sim atuar com propósito, tendo em vista o impacto nas entidades e nos colaboradores, que têm uma oportunidade de sair da secretária, pôr as mãos na massa e lutar pelas causas que defendem. Quando isso acontece de forma consistente e sincera, as organizações tornam-se mais do que locais de trabalho: tornam-se espaços de ligação humana e de impacto positivo na sociedade.

Andreia Trindade,
Community Manager no IDEA Spaces

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