A decisão de vender uma casa levanta quase sempre a mesma dúvida. Será que vale a pena investir em obras antes de colocar o imóvel no mercado?
A resposta curta é sim, mas com critério. Nem todas as intervenções garantem retorno e, em alguns casos, obras mal planeadas podem até destruir valor.
O mercado imobiliário atual é exigente. Os compradores estão mais informados, comparam mais e valorizam cada vez mais casas prontas a habitar. Um imóvel que transmite cuidado, modernidade e funcionalidade tende a destacar-se, e isso reflete-se diretamente no preço e no tempo de venda. Mas é aqui que entra o ponto crítico: não se trata de renovar tudo.
Intervenções com maior impacto são, regra geral, cozinhas e casas de banho. São as divisões que mais pesam na decisão de compra e onde os sinais de desgaste ou desatualização têm maior efeito negativo. Melhorias ao nível da pintura, iluminação e pequenos arranjos também podem transformar significativamente a perceção do espaço com investimentos relativamente controlados.
Por outro lado, obras estruturais profundas nem sempre compensam num contexto de venda. São mais caras, demoradas e o retorno não é garantido, especialmente se o comprador tiver preferências diferentes.
Outro fator que influencia diretamente esta equação é o enquadramento fiscal, nomeadamente o IVA na reabilitação.
A aplicação da taxa reduzida de IVA a 6% em determinadas obras de reabilitação tem sido um instrumento importante para incentivar a renovação do parque habitacional. No entanto, a sua aplicação continua a ser limitada e, muitas vezes, pouco clara para o consumidor final.
Alargar e simplificar este regime teria um impacto direto na decisão dos proprietários. Tornaria mais acessível renovar antes de vender, aumentaria a qualidade dos imóveis no mercado e contribuiria para uma valorização mais sustentável do setor.
Hoje, muitos proprietários acabam por não avançar com obras por receio do custo total, e isso traduz-se em imóveis que chegam ao mercado abaixo do seu potencial.
Renovar para vender não é uma questão estética. É uma decisão estratégica. Quando bem pensada, uma intervenção pode não só acelerar a venda como aumentar o valor final do imóvel de forma significativa. Mas exige conhecimento do mercado, definição clara de prioridades e execução profissional.
Na MELOM, vemos diariamente exemplos concretos: pequenas intervenções com grande impacto e investimentos controlados que se traduzem em propostas mais altas e decisões mais rápidas por parte dos compradores.
Num mercado competitivo, quem vende melhor preparado, vende melhor.
Vasco Magalhães,
CEO da MELOM





