O Hotel Palácio, no Estoril, acolheu na quinta-feira passada, dia 14 de maio, a quarta edição do Forbes Women Summit, sob o tema “O Poder da Voz”. Sandra Caldas, fundadora e CEO da Work3, subiu ao palco e debruçou-se sobre este último, sublinhando a importância da voz, quer em saber fazer-se ouvir, quer, e sobretudo, em saber ouvir. A empresa portuguesa, focada em arquitetura, engenharia, fiscalização de obras e consultoria técnica, tem uma particularidade que reforça a posição de Sandra: é composta maioritariamente por mulheres, numa área dominada por homens.
Com atividade em Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, a Work3 alia a sua forte componente internacional a um crescimento cada vez mais sólido em solo português. Mais do que expandir geograficamente, a empresa tem vindo a provar que é possível crescer de forma diferente — com mulheres à frente e a escuta ativa como ferramenta de gestão.
“Estamos numa área muito masculina, a construção civil. Quando começamos, éramos um bocado outsiders porque temos uma equipa maioritariamente construída por mulheres”, contou. Mas não foi por acaso, nem tão pouco resulta de uma política de quotas. “Os cargos de direção da Work3 são quase todos ocupados por mulheres; e mulheres que conquistaram essas posições por mérito e competência”, frisou Sandra.
Crescer de forma diferente passa também por ouvir de forma diferente. Sandra partilhou com a audiência um episódio concreto que marcou a forma como a empresa remodelou o seu modus operandi e deixou claro à Work3 o poder transformador da escuta ativa na gestão da empresa. “Há dois ou três anos, fizemos um projeto que achávamos perfeito, até que um dia uma senhora com mobilidade condicionada reclamou. Disse-nos que estava tudo perfeito no projeto, menos a casa de banho”, recordou Sandra, explicando que “o lavatório escolhido” não cumpria os requisitos de acessibilidade necessários para a condição específica da cliente.

Desde então, a Work3 passou a integrar de forma sistemática a preocupação com mobilidade condicionada. “É preciso haver cada vez mais essa preocupação, em todas as áreas, não apenas na nossa. Não é só fazer, é fazer bem feito”, defendeu.
Para a CEO, a voz não é apenas um tema inspirador, mas uma ferramenta de gestão que “neste momento é mais importante do que nunca”, afirmou. “A voz define a identidade de uma empresa e de uma instituição. Se não ouvirmos quem está do lado de lá, seja quem procura os nossos serviços ou os nossos fornecedores, não nos é possível fazer uma integração total da voz de cada um”.
“A voz define a identidade de uma empresa e de uma instituição. Se não ouvirmos quem está do lado de lá, não conseguimos fazer uma integração total da voz de cada um”
E se ouvir clientes é essencial, ouvir as próprias equipas é igualmente crítico, sobretudo num país onde “reter talento é cada vez mais difícil”, alertou. “É fundamental ouvirmos cada um dos nossos colaboradores para adaptar o nosso modo de operação às necessidades deles.” Essa adaptação exige, naturalmente, um novo tipo de liderança. “Há 30, 40 anos, um líder dava ordens, ponto. Hoje em dia esse tipo de liderança não tem lugar no nosso mercado”, defendeu.
Sandra Caldas falou, ainda, da transformação tecnológica acelerada, em particular da inteligência artificial, deixando claro que, apesar de “o mundo estar a mudar a uma velocidade incrível”, há algo que se manterá: “o ser humano”. No que diz respeito à “gestão emocional”, acredita que “continuará a depender das pessoas, não das máquinas. Quem quiser crescer e reter talento terá de ouvir cada vez mais as suas equipas”.
“Na Work3, a gestão passa por garantir que todos se sintam ouvidos, com uma liderança genuinamente interessada no que cada pessoa tem a dizer. A confiança é tudo. É ouvir as pessoas verdadeiramente”.
Sandra Caldas fechou a intervenção com uma reflexão sobre o papel das mulheres na liderança, sublinhando que têm um contributo indispensável para as organizações. “As mulheres têm um papel fundamental. A mulher tem uma forma de ver, sentir e fazer as coisas de uma maneira totalmente distinta dos homens, o que faz toda a diferença numa organização. O caminho é ter cada vez mais mulheres na liderança: a ouvirem, a tomar decisões e a fazer crescer as organizações”, concluiu.





