Opinião

Como fazer crescer negócios na era dos marketplaces

Rúben Lamy

Na era dos marketplaces, a presença digital já não é apenas um complemento da loja física tradicional, tendo passado o universo online a afirmar-se como estrutura onde grande parte do comércio acontece, cresce e se internacionaliza, tornando-se fundamental para os negócios.

Atualmente, mais do que plataformas de venda de produtos, os marketplaces são encarados como ecossistemas completos que permitem que as empresas acedam a novos mercados, testem produtos e escalem operações de forma rápida e a baixos custos, chegando a consumidores que, de outra forma, estariam fora do seu alcance. Para muitas Pequenas e Médias Empresas (PME), que constituem a maioria do tecido empresarial português, a internet representa mesmo a diferença entre crescer ou ficar para trás, sendo uma ferramenta que democratizou o acesso ao consumo global e, consequentemente, a inúmeras oportunidades.

Segundo a 1ª vaga do Barómetro CTT E-Commerce 2026, 85,1% das empresas indicam que as vendas online cresceram em 2025 face ao ano anterior, sendo que mais de metade (53,1%) registou aumentos superiores a 10%. Para 83% das empresas, esta tendência crescente que se tem vindo a verificar deverá manter-se ao longo do ano, sendo que, para 51,1%, o online já representa mais de 15% do total das compras nos seus setores.

Estes valores refletem a nova fase de maturidade do e-commerce. A questão já não é se as empresas devem estar online, mas qual a melhor forma para o fazerem. Hoje, competir implica deixar de olhar para o universo digital como um canal secundário, passando a operar num ambiente em que há integração de diferentes pontos de contacto e onde o consumidor compara, decide e compra em poucos segundos, tendo acesso a uma experiência consistente desde o primeiro clique até à entrega, ou desde a entrada até à saída de uma loja.

A tecnologia é, assim, um importante fator de diferenciação. A Inteligência Artificial (IA) e a análise de dados estão, de acordo com o mesmo barómetro, no topo das prioridades de investimento das empresas, sobretudo pela sua capacidade de melhorar o serviço ao cliente, personalizar recomendações e otimizar a segmentação. Num mercado cada vez mais competitivo, compreender o consumidor é essencial para antecipar necessidades e responder com eficiência.

Face a este cenário, a internet revela todo o seu potencial, não apenas como canal de venda, mas como base para modelos de negócio mais ágeis, integrados e preparados para competir num mercado global. Para as empresas portuguesas, sobretudo as de menor dimensão, o desafio passa por aproveitar esta infraestrutura de forma estratégica e não apenas operacional. No final de contas, o futuro do comércio não se constrói entre os métodos tradicionais e o online, entre o físico e o digital, mas num espaço onde as fronteiras deixam de existir e onde a internet é muito mais do que um meio, é o próprio mercado.

Rúben Lamy,
Fundador e CEO da BIGhub

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