Hotéis dos EUA ainda não sentiram o impacto do Mundial 2026

A FIFA apresentou o Mundial 2026 como um motor económico para os EUA, mas, a cinco semanas do início do torneio, o setor hoteleiro afirma que as reservas antecipadas em algumas cidades anfitriãs estão ao nível de um verão normal ou até aquém deste. Quase 80% dos hoteleiros norte-americanos em 11 cidades anfitriãs do Mundial…
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Há menos de um ano, o presidente da FIFA prometeu um impulso económico equivalente a "104 Super Bowls", mas isso "não era verdade quando foi dito e não se vai tornar realidade agora".
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A FIFA apresentou o Mundial 2026 como um motor económico para os EUA, mas, a cinco semanas do início do torneio, o setor hoteleiro afirma que as reservas antecipadas em algumas cidades anfitriãs estão ao nível de um verão normal ou até aquém deste.

Quase 80% dos hoteleiros norte-americanos em 11 cidades anfitriãs do Mundial afirmam que as reservas estão abaixo das previsões iniciais, com alguns a descreverem o torneio como um “evento sem impacto”, de acordo com um inquérito realizado pela American Hotel & Lodging Association (AHLA) aos seus membros, divulgado esta semana.

Apenas um quarto dos inquiridos da AHLA está a “observar um aumento significativo”, principalmente em mercados com uma forte procura de lazer de base ou onde se encontram os campos de treino das seleções.

As áreas metropolitanas dos EUA que acolhem jogos do Mundial irão “gerar algum crescimento do PIB este verão”, concentrado nos setores do lazer e da hotelaria, mas isso “não terá um impacto significativo” no emprego global e nos ganhos económicos deste ano, de acordo com um relatório divulgado na semana passada pela Oxford Economics.

Embora se preveja que os EUA venham a registar um impacto económico positivo com a organização do Mundial, é evidente que a procura pelo torneio ficará muito aquém dos “104 Super Bowls” prometidos no ano passado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino. “Não era verdade quando foi dito e não se vai tornar realidade agora”, afirmou Jan Freitag, diretor nacional de análise do mercado hoteleiro da CoStar, uma empresa de referência no setor, à Forbes. Uma análise da FIFA que previa que o Mundial geraria 30,5 mil milhões de dólares em impacto económico baseava-se no pressuposto de que milhões de turistas internacionais afluiriam ao torneio.

No ano passado, a FIFA informou os responsáveis pelo turismo nas cidades anfitriãs do Mundial que esperassem uma divisão de 50/50 entre visitantes nacionais e internacionais. No entanto, cerca de sete em cada dez inquiridos no inquérito da AHLA afirmaram que as barreiras relacionadas com os vistos e as preocupações geopolíticas mais amplas estão a reduzir significativamente a procura internacional. “A falta de visitantes internacionais irá certamente prejudicar o impacto económico global”, afirmou Freitag.

E a dimensão deste Mundial, que abrange 16 cidades-sede em três países, apresenta muitos obstáculos logísticos para os viajantes internacionais. “Uma diferença fundamental é que este torneio é muito maior do que outros Mundiais”, disse Alan Fyall, vice-reitor da Faculdade Rosen de Gestão Hoteleira da Universidade da Flórida Central, à Forbes. “É mais disperso, é mais caro e as viagens são mais complicadas”.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles

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