11 despedimentos em sete meses: a I Liga é um carrossel nos bancos

Quando faltam disputar três jornadas para o final do campeonato, o Estrela da Amadora voltou a mexer no comando técnico e elevou para 11 o número de “chicotadas psicológicas” na edição 2025/26 da I Liga. A saída de João Nuno, confirmada após a derrota frente ao FC Porto (1-2), surge sete meses depois do início…
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A I Liga portuguesa soma já 11 mudanças de treinador em 2025/26, com o Estrela da Amadora a protagonizar a mais recente saída, confirmando um padrão de instabilidade que volta a marcar o campeonato. Esta época é uma média de quase uma “chicotada psicológica” a cada três jornadas num dos 18 clubes da I Liga.
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Quando faltam disputar três jornadas para o final do campeonato, o Estrela da Amadora voltou a mexer no comando técnico e elevou para 11 o número de “chicotadas psicológicas” na edição 2025/26 da I Liga. A saída de João Nuno, confirmada após a derrota frente ao FC Porto (1-2), surge sete meses depois do início da época e numa fase decisiva da luta pela permanência.

João Nuno foi dispensado como treinador do Estrela da Amadora, na 31ª jornada

O histórico clube da Reboleira é, de resto, um dos rostos mais evidentes desta instabilidade. Começou a temporada com José Faria, passou por uma solução interina com Luís Silva e seguiu com João Nuno, agora afastado. Trata-se da terceira mudança no banco, ainda que uma delas tenha sido interina, num percurso marcado por resultados irregulares: cinco vitórias, seis empates e 13 derrotas deixam a equipa no 15.º lugar (num total de 18 clubes), com 28 pontos, a três jornadas do fim.

Curiosamente, o nome que a imprensa desportiva avança como sendo possível para render João Nuno à frente do Estrela é Cristiano Bacci, treinador italiano que à 27ª jornada foi, ele próprio, dispensado do Tondela.

Mas o Estrela não está sozinho nesta “dança de cadeiras”. O AVS, 18º classificado e já despromovido matematicamente ao escalão secundário, também acumulou três técnicos ao longo da época, iniciando com José Mota, prosseguindo com Fábio Espinho e seguindo com João Pedro Sousa, que cedeu o seu lugar a João Henriques.

Estrela e AVS lideram o “ranking” das mudanças de treinadores nesta temporada, na I Liga portuguesa: em cada um destes clubes, houve três “chicotadas psicológicas”.

Já o Tondela soma duas mudanças, com Ivo Vieira a dar lugar a Cristiano Bacci, o qual, por sua vez, deixou o lugar para Gonçalo Feio.

O Casa Pia apresenta um caso particular: também teve três responsáveis técnicos, mas um deles inserido numa estrutura multidisciplinar. João Pereira saiu, deu lugar a Gonçalo Brandão nesse modelo intermédio, e acabou substituído por Álvaro Pacheco.

Entre os clubes que trocaram apenas uma vez de treinador, surgem o Santa Clara, o Vitória de Guimarães e o Benfica. O Santa Clara viu Petit suceder a Vasco Matos, enquanto o Vitória promoveu Gil Lameiras, vindo da equipa B, após a saída de Luís Pinto.

No caso dos encarnados, a troca de treinador ocorreu em 17 de setembro do ano passado: Bruno Lage não resistiu à derrota na Luz (2-3) perante o Qarabag, no arranque da Liga dos Campeões, resultado que se seguiu a um empate caseiro (1-1) diante dos açorianos do Santa Clara. As “águias” contrataram, então, José Mourinho para o lugar de Lage.

Em contraste, FC Porto e Sporting mantiveram estabilidade no banco, com Francesco Farioli e Rui Borges, respetivamente, numa época que, ainda assim, não escapa ao padrão recorrente do futebol português: a rotatividade técnica como resposta imediata a resultados.

As 11 mudanças em apenas sete meses (neste número estão excluídos os treinadores interinos) traduzem uma média de quase uma “chicotada psicológica” a cada três jornadas num dos 18 clubes da I Liga. Um número que reforça uma tendência estrutural do negócio futebol, onde a pressão competitiva e os objetivos de curto prazo continuam a ditar o ritmo das decisões nos bancos.

 

Jornada Clube Sai Entra
5.ª Estrela da Amadora José Faria Luís Silva (1)
5.ª Benfica Bruno Lage (2) José Mourinho (2)
5.ª AVS José Mota Fábio Espinho (1)
6.ª AVS Fábio Espinho (1) João Pedro Sousa
7.ª Estrela da Amadora Luís Silva (1) João Nuno
10.ª Casa Pia João Pereira Gonçalo Brandão (3)
11.ª Tondela Ivo Vieira Cristiano Bacci
14.ª AVS João Pedro Sousa João Henriques
17.ª Casa Pia Gonçalo Brandão (3) Álvaro Pacheco
20.ª Santa Clara Vasco Matos Petit
25.ª Vitória de Guimarães Luís Pinto Gil Lameiras
27.ª Tondela Cristiano Bacci Gonçalo Feio
31.ª Estrela da Amadora João Nuno (a designar)

(1) – Interino.

(2) – A troca deu-se após a quinta jornada, mas o Benfica tinha um jogo em atraso da primeira.

(3) – Integrando uma equipa multidisciplinar.

 

com Lusa

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