Empréstimo à habitação cresceu 10,6% em março para os 113,6 mil milhões de euros

O Banco de Portugal acaba de revelar as estatísticas relativas aos empréstimos e aos depósitos do mês de março, e compara os mesmos com os valores registados há um ano. Assim, a instituição que regula o mercado financeiro revela que, em março último, o montante total de empréstimos concedidos cresceu 10,6% face ao mesmo mês…
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O Banco de Portugal revelou que, em março último, o montante total de empréstimos concedidos para habitação cresceu 10,6% face ao mesmo mês do ano passado, atingindo um montante total de 113,6 mil milhões de euros. Já os depósitos dos particulares cresceram também, registando uma taxa de variação anual de 4,8%.
Economia

O Banco de Portugal acaba de revelar as estatísticas relativas aos empréstimos e aos depósitos do mês de março, e compara os mesmos com os valores registados há um ano. Assim, a instituição que regula o mercado financeiro revela que, em março último, o montante total de empréstimos concedidos cresceu 10,6% face ao mesmo mês do ano passado, atingindo um montante total de 113,6 mil milhões de euros em crédito para compra de casa, um acréscimo de 1,2 mil milhões de euros em valor. Em termos de taxa de variação anual, esta foi a maior registada desde 2003.

Comparando com a zona euro, a taxa de variação anual dos empréstimos para a habitação em Portugal está acima da taxa média da área do euro desde agosto de 2024. No mesmo período em análise, entre março de 2025 e março9 de 2026, o stock de empréstimo para habitação na zona euro cresceu apenas 2,9%.

Também em março, e como consequência deste incremento, o montante total de empréstimos concedidos a particulares cresceu a dois dígitos, alcançando uma taxa de 10,2%. Os empréstimos ao consumo e afins totalizou os 34,7 mil milhões de euros, tendo subido cerca de 656 milhões de euros em março, alcançando uma taxa de variação anual de 9,1%. Os empréstimos para outros fins cresceram 10,2% nos 12 meses em consideração, registando a taxa mais alta desde abril de 2008, e os empréstimos ao consumo cresceram 8,5%, registando a taxa mais elevada desde março de 2020.

No caso das empresas, o stock de depósitos atingiu os 77,4 mil milhões de euros no final de março, ou seja mais 3,6 mil milhões do que em fevereiro. Já a taxa de crescimento anual, entre março de 2025 e março de 2026, foi de 11,6%. 

Já no que diz respeito aos empréstimos concedidos a empresas, no final de março, o montante total era de 75,7 mil milhões de euros, correspondendo a mais 1,2 mil milhões face a fevereiro, ou seja, um crescimento de 4,1%. Já o crescimento homólogo, entre março de 2025 e março de 2026, este foi de 5,6%, a taxa de variação mais elevada desde julho de 2021, quando estavam em vigor as linhas de apoio para fazer face às dificuldades da pandemia. Ainda que os analistas do Banco de Portugal não façam paralelo, muito provavelmente este crescimento reflita também a necessidade de reconstrução após a destruição da tempestade Kristin.

No caso em específico de micro e pequenas empresas, os empréstimos cresceram 12,4%, para as micro, e 7,7% para as pequenas empresas em março deste ano face ao mesmo mês do ano passado. As médias empresas apenas registaram um ligeiro incremente de 0,3%, mas, no sentido contrário, as grandes empresas registaram uma variação anual negativa, de menos 0,4%. Em termos setoriais, o setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar os seus empréstimos, com um crescimento anual de 11,6% e um crescimento de 10,3% face a fevereiro. Comércio, transportes e alojamentos, registou uma taxa de variação anual na ordem dos 5,1%, alojamento, restauração, cresceu 5,7% e a taxa do comércio cresceu 6,8%.

Depósitos de particulares crescem 4,8% num ano

Já do lado dos depósitos, a taxa de variação anual dos depósitos de particulares aumentou para 4,8%, segundo os dados do Banco de Portugal. Ou seja, no final de março, o stock de depósitos de particulares nos bancos portugueses totalizava os 201,7 mil milhões de euros, o que representou um acréscimo de 4,4% face a fevereiro, num total de 570 milhões de euros a mais.

No caso das empresas, o stock de depósitos atingiu os 77,4 mil milhões de euros no final de março, ou seja mais 3,6 mil milhões do que em fevereiro. Já a taxa de crescimento anual, entre março de 2025 e março de 2026, foi de 11,6%, a mais alta desde junho de 2022. A nota do Banco de Portugal explica que esta evolução nos depósitos das empresas poderá estar relacionada com o facto de as emissões de títulos de dívida das empresas terem excedido as amortizações e ainda com o aumento dos empréstimos.

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