Emirados anunciam saída da OPEP e da OPEP+. O significado e as implicações da decisão

Os Emirados Árabes Unidos vão retirar-se da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) liderada por Riade e da aliança OPEP+, que também inclui a Rússia, a partir de 01 de maio, anunciou a agência de notícias dos Emirados. Segundo a agência de notícias dos Emirados WAM, a saída dos Emirados da organização deve-se às…
ebenhack/AP
Os Emirados Árabes Unidos vão retirar-se da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) liderada por Riade e da aliança OPEP+, que também inclui a Rússia, a partir de 01 de maio, anunciou a agência de notícias dos Emirados.
Economia

Os Emirados Árabes Unidos vão retirar-se da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) liderada por Riade e da aliança OPEP+, que também inclui a Rússia, a partir de 01 de maio, anunciou a agência de notícias dos Emirados.

Segundo a agência de notícias dos Emirados WAM, a saída dos Emirados da organização deve-se às “perturbações no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz”.

A decisão dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de se retirar da OPEP a partir de 01 de maio “reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado a longo prazo”, afirmou hoje o ministro de Energia e Infraestrutura do país, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei.

Numa publicação na sua conta no X, o ministro agradeceu à OPEP e aos países membros pelas “décadas de cooperação construtiva” desde que Abu Dhabi se juntou à organização em 1967 e, posteriormente, todo os EAU após sua fundação em 1971.

“Mantemos o nosso compromisso com a segurança energética, garantindo um fornecimento fiável, responsável e com baixas emissões de carbono, ao mesmo tempo que apoiamos a estabilidade dos mercados globais”, acrescentou.

A OPEP é composta atualmente por 12 países membros, focados na coordenação da produção e preços. Além dos Emirados Árabes Unidos, os membros são: Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait, Venezuela, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia, Nigéria e República do Congo.

Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro maior produtor de petróleo da OPEP, atrás da Arábia Saudita e do Iraque, e a sua decisão de se retirar da aliança revela disputas internas que poderão afetar a influência do grupo nos mercados globais.

O papel da OPEP

A OPEP foi fundada em 1960 com o objetivo de estabilizar os preços, aumentando a produção entre os países membros quando a oferta é escassa e reduzindo-a quando os preços caem. Ao coordenar a quantidade que os seus 12 membros — Arábia Saudita, Iraque, Irão, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Argélia, Líbia, Nigéria, Gabão, Guiné Equatorial, República do Congo e Venezuela — extraem em qualquer momento, a organização consegue influenciar os mercados energéticos globais e as suas decisões podem repercutir-se rapidamente nos preços dos combustíveis, na inflação e na economia global em geral.


35%. É aproximadamente essa a percentagem do petróleo bruto mundial produzida pelos países membros da OPEP, e as exportações de petróleo do grupo representam cerca de 50% de todo o petróleo comercializado a nível internacional.


Sair da OPEP dará aos Emirados Árabes Unidos mais flexibilidade para responder à dinâmica do mercado e permitir-lhes-á aumentar a produção de petróleo tanto quanto os líderes considerarem adequado, o que poderia, em teoria, reduzir o preço global do petróleo. A empresa petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, a Abu Dhabi National Oil Company, já tinha estabelecido o objetivo de aumentar a sua capacidade de produção de petróleo bruto para 5 milhões de barris por dia (contra 2,94 milhões em 2023) até 2027.

Esta posição dos EAU não pode ser desligada da dos EUA. Trump acusou a OPEP de “roubar o resto do mundo” e argumentou que muitos membros da OPEP recebem proteção militar dos EUA “de graça”, ao mesmo tempo que “exploram” os EUA. A Agência Internacional de Energia, o órgão de supervisão energética do Ocidente, tem entrado em conflito com a organização nos últimos anos devido às trajetórias da procura global de petróleo e às decisões da OPEP de restringir a oferta. Os decisores políticos globais há muito que descrevem o grupo como um cartel que manipula os preços. As críticas internas vieram dos Emirados Árabes Unidos e de Angola, que abandonaram oficialmente a OPEP a 1 de janeiro de 2024, invocando desacordos sobre a redução das quotas de produção de petróleo.

Neste cenário, esta mesma terça-feira, o Financial Times avançou que a Abu Dhabi National Oil Company planeia investir dezenas de milhares de milhões de dólares para desenvolver um negócio de gás natural nos Estados Unidos.

Proposta em análise

Entretanto, a Casa Branca anunciou na segunda-feira que estava a analisar uma nova proposta iraniana para desbloquear o estreito de Ormuz, quase paralisado desde o início da guerra no Médio Oriente.

As negociações entre os Estados Unidos e o Irão para terminar o conflito e reabrir totalmente o estreito estratégico não avançaram desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 08 de abril.

O Irão atacou com mísseis e drones os vizinhos do golfo, incluindo o Qatar, em resposta aos ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica lançados a 28 de fevereiro.

Teerão visou interesses norte-americanos, mas também diversas infraestruturas, como refinarias de petróleo, complexos de gás e fábricas petroquímicas.

A guerra e o consequente bloqueio do estreito de Ormuz têm causado o receio de uma crise económica global devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás natural, bem como do transporte de mercadorias.

com Lusa e Forbes Internacional

Mais Artigos