A Qualcomm registou uma subida significativa em bolsa no arranque da semana, depois de surgirem indicações de que poderá estar a trabalhar com a OpenAI no desenvolvimento de um novo smartphone baseado em inteligência artificial. A possibilidade levanta dúvidas sobre uma eventual concorrência direta com a Apple, num mercado onde a integração de IA começa a ganhar protagonismo.
As ações da Qualcomm subiram cerca de 8% na abertura de segunda-feira, prolongando uma tendência positiva que já vinha do último mês, período em que acumulavam uma valorização de 17% até sexta-feira, incluindo um salto superior a 11% nessa sessão.
Segundo Ming-Chi Kuo, analista da TF International Securities, a Qualcomm irá colaborar com a empresa taiwanesa MediaTek no desenvolvimento de um chip para smartphone destinado à OpenAI. Já o fabricante chinês Luxshare deverá assumir o co-design e a produção do dispositivo.
A produção em massa está prevista para 2028, embora as “especificações e fornecedores” só devam ser definidos até ao final de 2026 ou no primeiro trimestre de 2027, de acordo com o mesmo analista.
Nem a Qualcomm nem a OpenAI responderam de imediato aos pedidos de comentário da Forbes.
A estratégia da OpenAI para dispositivos com inteligência artificial tem vindo a ganhar forma nos bastidores. Sam Altman, CEO da empresa, terá indicado a colaboradores que, em conjunto com Jony Ive, antigo designer da Apple que se juntou à OpenAI no ano passado, está a trabalhar em “companheiros” de IA. Ainda assim, os planos iniciais não apontariam para um smartphone tradicional.
Altman e Ive discutiram um dispositivo capaz de compreender o contexto do utilizador, incluindo o seu ambiente e rotinas, podendo ser transportado no bolso ou colocado sobre uma secretária. Entre as possibilidades em estudo está também um equipamento sem ecrã. Segundo ambos, citados pela Bloomberg, o objetivo passa por permitir aos consumidores interagir com a inteligência artificial de formas “muito novas”.
O CEO da OpenAI terá ainda sugerido que o primeiro produto da empresa nesta área não irá “fazer desaparecer o smartphone” e será “um tipo de produto totalmente novo”. Altman já descreveu Jony Ive, responsável pelo design de produtos como o iMac, iPod, iPhone, iPad e Apple Watch, como “o melhor designer do mundo”, acrescentando estar “entusiasmado por tentar criar uma nova geração de computadores com inteligência artificial”.
De acordo com o The Information, a Luxshare terá assinado no ano passado um acordo com a OpenAI para produzir um dispositivo de consumo baseado em IA, que poderá assemelhar-se a uma coluna inteligente sem ecrã. Não há, contudo, indicação de que Jony Ive esteja envolvido neste eventual projeto com a Qualcomm.
O contexto financeiro da Qualcomm ajuda a explicar a reação do mercado. No início deste mês, as ações da empresa atingiram o nível mais baixo dos últimos 12 meses, num período marcado por constrangimentos na cadeia de fornecimento. Em fevereiro, a empresa apresentou previsões consideradas dececionantes, com o CEO Cristiano Amon a afirmar que a fragilidade estava “100% relacionada com a memória”, numa altura em que a procura crescente por centros de dados para inteligência artificial pressiona a disponibilidade de chips.
Os preços dos chips de memória dispararam até 90% em alguns mercados. Em paralelo, a consultora International Data Corporation indicou, também em fevereiro, que o mercado global de smartphones poderá registar uma queda até 13%.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





