Em 2025, estavam inscritos na Segurança Social cerca de 1,13 milhões de trabalhadores estrangeiros, o que compara com os 152 mil inscritos em 2010. Ora, isto mostra a crescente importância dos imigrantes no mercado de trabalho nacional, e, por essa razão, o Boletim Económico de março do Banco de Portugal decidiu analisar a duração da sua permanência. E conclui: a permanência destes trabalhadores está diretamente ligada a laços parentais, ou seja, trabalhadores estrangeiros com filhos tendem a ficar mais anos no país.
O Banco de Portugal utilizou para esta análise os microdados da Segurança Social entre janeiro de 2010 e setembro de 2025, para identificar a sequência de registos. Verifica-se que uma percentagem significativa destes trabalhadores tem permanências curtas nos registos da Segurança Social: 22% permanecem menos de um ano e 39% menos de três anos. Estima-se também que 52% continuam em Portugal cinco anos após a entrada. Os dados analisados pelo Banco de Portugal mostram que a probabilidade de permanência cinco anos após a entrada é de 77% para trabalhadores com filhos, situando-se 28 pontos percentuais acima da probabilidade associada aos trabalhadores sem filhos. Ou seja, a existência de família no país determina a duração da permanência do trabalhador em território nacional.
O boletim mensal do Banco de Portugal conclui que Portugal ainda está longe dos países com maior grau de permanência dos trabalhadores estrangeiros. Assim, são necessárias mais políticas que favoreçam vínculos laborais estáveis, melhores condições remuneratórias e enquadramentos institucionais que apoiem a parentalidade.
Os analistas do Banco de Portugal referem que o grau de permanência dos trabalhadores estrangeiros tem implicações na economia na definição das políticas públicas. Esta permanência está ligada à sua participação no mercado de trabalho: mais de 90% da sua permanência é dedicada ao trabalho por conta de outrem, ou independente, sendo o recurso a prestações sociais residual. O relatório mostra ainda que os estrangeiros que recebem subsídio de desemprego têm um risco 55% superior de sair dos registos da Segurança Social, procurando outros destinos para trabalhar. Ou seja, uma inversão do ciclo económico tenderá assim a reverter o dinamismo das entradas e a duração da permanência dos estrangeiros em Portugal.
Em suma, o boletim do Banco de Portugal conclui que Portugal ainda está longe dos países com maior grau de permanência dos trabalhadores estrangeiros. Assim, são necessárias mais políticas que favoreçam vínculos laborais estáveis, melhores condições remuneratórias e enquadramentos institucionais que apoiem a parentalidade. Isto poderá ter impacto positivo na dinâmica do emprego, na evolução demográfica e na integração dos indivíduos estrangeiros na sociedade portuguesa.





