O stock de investimento direto estrangeiro em Portugal ascendia a 213,7 mil milhões de euros em 2025

O stock de investimento direto no nosso país representa o valor, acumulado no tempo, do capital investido por empresas estrangeiras no território, face ao valor investido por empresas portuguesas no exterior. Este investimento tem um impacto relevante na economia nacional. Segundo uma análise publicada ontem pelo Banco de Portugal sobre o papel das empresas com…
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O volume total de investimento direto estrangeiro (IDE) representava, no final do ano passado, um peso de 70% do PIB, quando em 2008 essa percentagem era de apenas 46%.
Economia

O stock de investimento direto no nosso país representa o valor, acumulado no tempo, do capital investido por empresas estrangeiras no território, face ao valor investido por empresas portuguesas no exterior. Este investimento tem um impacto relevante na economia nacional. Segundo uma análise publicada ontem pelo Banco de Portugal sobre o papel das empresas com investimento direto estrangeiro nas contas externas de Portugal, entre 2015 e 2025, o stock de investimento direto estrangeiro ascendia, em 2025, a 213,7 mil milhões de euros. Este montante equivale a 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nesta data, sendo que, em 2008, esse peso no PIB seria de 46%. Atualizando o valor do stock ao primeiro trimestre de 2026, este ascende já a 218 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal refere que o investimento estrangeiro em Portugal produz efeitos na economia, nomeadamente na criação de emprego na produtividade, na transferência de tecnologia e de conhecimento, no acesso a mercados internacionais e nas contas externas do país. Esta análise aborda apenas esta última dimensão, analisando-se assim o contributo das empresas que recebem IDE nas contas externas.

Desta análise, a instituição conclui que as empresas com investimento direto estrangeiro têm um impacto relevante, embora heterogéneo nas contas externas. São empresas que contribuem significativamente para as exportações, mas apresentam, em termos líquidos, um saldo comercial negativo. São também empresas que reduzem a capacidade de financiamento da economia através dos rendimentos pagos ao exterior. No entanto, o setor em que operam influencia o seu peso nas exportações e nas importações de bens e serviços, sendo que o setor da indústria exporta mais do que importa, e observando-se o contrário para o setor do comércio. Mas vejamos os dados com maior detalhe a seguir.

A análise do Banco de Portugal mostra que o comportamento das empresas com investimento direto estrangeiro é diferente na balança comercial de bens e na balança comercial de serviços. Na balança de bens, importaram mais do que exportaram, mas na balança de serviços, registou-se a situação inversa.

As empresas com investimento direto estrangeiro remuneram o capital investido por acionistas não residentes. O Boletim mostra que estes pagamentos corresponderam, entre 2015 e 2025, em média, a 4% do PIB, e por serem pagos ao exterior, contribuem, desta forma, para reduzir a capacidade de financiamento da economia portuguesa perante o resto do mundo.

As empresas que recebem IDE têm impacto nas exportações, tendo sido responsáveis, em média, entre 2015 e 2025, por 44% das exportações e serviços. Isto correspondeu 19% do PIB. Porém, estas empresas também tiveram impacto nas importações, ou seja, apresentaram sempre um saldo negativo na balança comercial durante a década em análise. Representaram, em média, 55% das importações de bens e serviços, o que correspondia a 24% do PIB. Como importaram mais do que exportaram, o impacto na balança comercial foi negativo.

No entanto, o Banco de Portugal ressalva que o comportamento das empresas com investimento direto estrangeiro é diferente na balança de bens e na balança de serviços. Na balança de bens, importaram mais do que exportaram, mas na balança de serviços, registou-se a situação inversa. Olhando para os setores de atividade, as empresas no setor da indústria, as que receberam IDE e as restantes, apresentaram saldos positivos na balança de bens. Já no setor do comércio, o saldo foi sempre negativo nos dois grupos de empresas.

Na balança de serviços, o contributo das empresas que receberam IDE, nas atividades de consultoria, informação e comunicação apresentaram saldos positivos mais elevados do que as restantes empresas. Já no setor dos transportes e armazenagem, aconteceu o contrário.

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