Hoje seria milionário se tivesse investido 35 mil dólares há um ano nas ações desta empresa

A SanDisk, empresa especializada em cartões de memória e unidades flash, está a protagonizar uma das valorizações mais expressivas do mercado tecnológico recente, impulsionada pela corrida global à inteligência artificial. Num período de apenas um ano, as ações da empresa registaram uma subida superior a 2700%, o que significa que um investimento de $35.000 (29.681…
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A SanDisk, empresa de armazenamento de dados, viu as suas ações dispararem mais de 2700% num ano, impulsionadas pela procura por centros de dados para inteligência artificial, transformando um investimento de $35.000 (29.681 euros) em cerca de $1 milhão (848 mil euros).
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Tecnologia

A SanDisk, empresa especializada em cartões de memória e unidades flash, está a protagonizar uma das valorizações mais expressivas do mercado tecnológico recente, impulsionada pela corrida global à inteligência artificial. Num período de apenas um ano, as ações da empresa registaram uma subida superior a 2700%, o que significa que um investimento de $35.000 (29.681 euros) teria hoje um valor próximo de $1 milhão (848 mil euros).

A empresa prepara-se agora para integrar o índice NASDAQ 100, que reúne as 100 maiores empresas fora do setor financeiro, já no próximo dia 20 de abril, substituindo a Atlassian. A mudança reflete uma rotação mais ampla do mercado, com investidores a privilegiarem empresas ligadas a infraestrutura tecnológica em detrimento de software.

O desempenho bolsista da SanDisk supera largamente os principais índices e tecnológicas. No mesmo período de um ano, o S&P 500 avançou cerca de 30%, enquanto empresas como a Google registaram uma subida de 115%, a Microsoft de 12%, a Meta de 34%, a Amazon de 41% e a Oracle de 38%.

Mesmo entre os nomes mais associados ao boom da inteligência artificial, a SanDisk destaca-se. A Nvidia valorizou cerca de 90% no último ano, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company 142%, a Seagate Technology 605% e a Western Digital 922%, todos valores significativamente abaixo da subida da empresa.

A relevância da SanDisk está diretamente ligada ao papel central que o armazenamento de dados desempenha na inteligência artificial. Os modelos de IA dependem de grandes volumes de dados, como texto, imagens e vídeo, que são armazenados e acedidos constantemente para gerar resultados e guardar novas informações. A empresa especializa-se em memória flash, um tipo de armazenamento “quente”, que permite acesso imediato aos dados, ao contrário do armazenamento “frio”, destinado a informação menos utilizada.

A necessidade crescente de infraestrutura para IA está a impulsionar fortemente o investimento em centros de dados. A consultora Gartner estima que este mercado ultrapasse os $650 mil milhões (551 mil milhões de euros) em 2026, o que representa um crescimento de 31,7% face aos cerca de $500 mil milhões (424 mil milhões de euros) registados no ano anterior.

No início de janeiro, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, descreveu o armazenamento de dados para IA como um “mercado completamente inexplorado”, acrescentando: “Este é um mercado que nunca existiu, e que provavelmente será o maior mercado de armazenamento do mundo, essencialmente funcionando como a memória de trabalho das inteligências artificiais do mundo.” Após estas declarações, as ações da SanDisk subiram 28% num único dia.

A empresa apresenta atualmente uma capitalização bolsista de cerca de $135 mil milhões (114 mil milhões de euros), um salto significativo face aos aproximadamente $5,5 mil milhões (5 mil milhões de euros) registados há um ano.

A trajetória recente da SanDisk está também ligada à sua separação da Western Digital, concluída em fevereiro de 2025. A decisão de autonomizar o negócio de discos rígidos, associado ao armazenamento “frio”, do segmento de memória flash refletiu necessidades operacionais distintas, numa altura em que o setor procurava recuperar de um período de menor rentabilidade.

Há apenas dois anos, a indústria de armazenamento enfrentava dificuldades, afetada por compras excessivas durante o boom dos centros de dados para cloud e pelas consequências da pandemia. No entanto, com a explosão da procura gerada pela inteligência artificial, o cenário inverteu-se. Empresas tecnológicas de grande dimensão passaram a exigir volumes massivos de armazenamento em prazos curtos, criando escassez de oferta.

Este contexto permitiu à SanDisk aumentar os preços de forma significativa, com o preço por bit a mais do que duplicar no último ano. Para o trimestre terminado em dezembro de 2025, a empresa reportou receitas de $3 mil milhões (2,5 mil milhões de euros), uma subida de 31% em cadeia e de 61% em termos homólogos, e um resultado líquido de $803 milhões (681 milhões de euros), representando um aumento de 617% face ao trimestre anterior e de 672% em relação ao período homólogo.

Os investidores aguardam agora os resultados relativos ao trimestre terminado em março, que serão divulgados a 30 de abril. Apesar do otimismo em torno da procura por inteligência artificial, persistem dúvidas sobre a sustentabilidade deste crescimento. O setor de armazenamento é historicamente cíclico, com períodos de forte procura seguidos por fases de excesso de oferta, como aconteceu durante o boom dos smartphones nos anos 2000 e da cloud na década de 2010.

O analista da Morningstar, William Kerwin, alerta para esse risco, escrevendo: “Duvidamos que ‘desta vez seja diferente’. Acreditamos que a SanDisk está exposta à ciclicidade do mercado de chips de memória e não detém poder de fixação de preços sobre os seus clientes.”

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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