A crescente digitalização dos serviços públicos trouxe maior comodidade aos cidadãos, mas também novos riscos, particularmente para a população mais idosa, que frequentemente depende de terceiros para aceder a plataformas digitais como o Portal das Finanças, Segurança Social Direta, SNS ou serviços municipais. Consciente desta realidade, o Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade (C3P) da Universidade do Porto, no âmbito do projeto C-HUB – Cybersecurity Digital Innovation Hub, tem vindo a dinamizar sessões de sensibilização dirigidas a Juntas de Freguesia e entidades de proximidade, com o objetivo de reforçar competências na área da cibersegurança, proteção de dados e inclusão digital segura.
O Município de Valongo foi pioneiro nesta iniciativa, tendo realizado a primeira sessão no passado dia 5 de maio, dedicada às juntas de freguesia do concelho. A Associação de Municípios de Terras de Santa Maria associou-se igualmente ao projeto, acolhendo uma sessão que reuniu representantes de várias freguesias da região.
Para Rui Pereira, Diretor do Departamento de Inovação, Tecnologias de Informação e Comunicação da Câmara Municipal de Valongo, “estas ações respondem a uma necessidade muito concreta sentida pelas autarquias locais: apoiar os cidadãos na utilização dos serviços digitais sem comprometer a sua segurança e privacidade. As juntas de freguesia estão frequentemente na linha da frente deste apoio e esta formação fornece ferramentas úteis, práticas e extremamente relevantes para o trabalho diário desenvolvido junto da população.”
Sessões gratuitas pretendem capacitar autarquias locais para sensibilizar cidadãos mais idosos ou em situação vulnerável, para os riscos da partilha de dados pessoais e credenciais digitais.
Também Teresa Pouzada – Secretária-Geral da Associação de Municípios de Terras de Santa Maria sublinha a importância da iniciativa: “A transformação digital exige proximidade, capacitação e confiança. Preparar os profissionais e os agentes locais para reconhecer riscos, proteger informação sensível e apoiar os cidadãos de forma segura tem de ser uma prioridade. A adesão e a participação registadas demonstram a pertinência desta temática.”
Com uma abordagem muito prática, as sessões abordam temas como: riscos associados à partilha de dados pessoais e credenciais digitais; identificação de tentativas de fraude, phishing e engenharia social; boas práticas de apoio digital seguro à população; proteção de informação sensível em contexto autárquico.
A iniciativa pretende apoiar as autarquias locais no trabalho diário de proximidade com a população sénior, alertando para os perigos associados à partilha de passwords, códigos de autenticação, números de contribuinte, dados bancários ou informação pessoal com familiares, conhecidos ou terceiros não autorizados. Os especialistas alertam para o facto de muitos cidadãos mais vulneráveis continuarem a partilhar credenciais de acesso e dados sensíveis sem plena consciência dos riscos envolvidos, aumentando a exposição a situações de fraude, phishing, roubo de identidade ou acessos indevidos às suas contas digitais.
Segundo Luís Antunes, Diretor do C3P da Universidade do Porto, “a inclusão digital não passa apenas por ensinar alguém a utilizar uma plataforma. Passa também por garantir que essa utilização acontece em segurança. As juntas de freguesia têm um papel fundamental neste processo, porque são frequentemente o primeiro ponto de apoio dos cidadãos mais idosos.” Além da componente de sensibilização, os participantes recebem orientação prática para identificar vulnerabilidades nos processos de atendimento e apoio digital, promovendo uma cultura de maior ciber-resiliência nas estruturas locais.





