Bianca Castro, ativista e Under 30 da Forbes Portugal, foi uma das convidadas para a 2.ª edição dos Forbes Green ESG Awards, uma apresentação que teve como mote uma ideia muito clara: “A sustentabilidade, a transição ecológica, a inclusão e a responsabilidade social não podem ser temas isolados, têm de estar presentes em todos os espaços, em todos os palcos, em todos os momentos”. Até porque “a nossa casa comum é o planeta Terra. E essa casa já está a arder”.
O percurso de Bianca como ativista começou lá atrás. Cresceu numa pequena aldeia no Alentejo e não conheceu um verão sem medo devido aos incêndios. Quando chegou a Lisboa, aos 17 anos, organizou a primeira greve estudantil pelo clima em Portugal. “Lembro-me de pensar ‘se 500 pessoas aparecerem, já será incrível’. Para minha surpresa, vieram mais de 15 mil”, contou. Foi nesse momento que percebeu o poder da ação coletiva e deixou de sentir apenas preocupação, juntando-lhe também a responsabilidade.
“Hoje, continuo a trabalhar em justiça climática, sobretudo a nível internacional. Participo regularmente em conferências da ONU e tenho coordenado campanhas por uma transição energética justa, por transportes públicos acessíveis, por financiamento climático e por justiça climática global”, afirmou.
E é exatamente esta expressão que escolhe usar: justiça climática. “Porque as alterações climáticas são um problema político e de justiça social. Não basta reduzir emissões, as soluções têm de contribuir, a todos os níveis, para uma sociedade mais justa. Estamos num momento em que a realidade já ultrapassou muitos dos nossos piores cenários”.
A prova disso, alerta Bianca, é o facto de a Terra estar mais quente do que em qualquer outro momento nos últimos 100 mil anos, com o planeta a caminhar para um aumento de três graus, o dobro do limite que a ciência considera seguro. Num cenário ainda mais próximo, Bianca destaca que a Europa é o continente que está a aquecer mais rapidamente, ao dobro do ritmo global. “Só em 2023, cerca de 50 mil pessoas morreram devido ao calor extremo na Europa”.
Há ainda que ter em conta que esta crise não é apenas uma crise ambiental: “Agrava desigualdades que já existiam”, afirmou a ativista. “As pessoas e comunidades que já enfrentam exclusão, discriminação ou pobreza são também as que mais sofrem os impactos climáticos. Apesar de serem as que menos contribuíram para o problema”.
Uma realidade que se sente também no nosso país. “Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis aos impactos da crise climática. E aquilo que construímos hoje é aquilo que vamos viver amanhã”.
Como é que as coisas podem mudar? Antes de qualquer coisa, Bianca considera importante a noção de que “lutar pelo ambiente não é um slogan“, trata-se, sim, de “abandonar soluções simbólicas e investir em mudanças estruturais, cortar emissões na raiz, transformar a mobilidade, a forma como produzimos energia, como construímos casas e como usamos o solo”. E acrescentou: “É respeitar a ciência climática, abandonar os combustíveis fósseis e garantir uma transição justa, que não deixa ninguém para trás”.
O pitch da Under 30 terminou com um apelo aos presentes: “Esta causa é de todos nós e precisa de todos nós. Para quem sente que não sabe o suficiente, que não faz o suficiente ou que não sabe por onde começar, eu digo: nenhum de nós é perfeito. Mas não precisamos de ativistas perfeitos. Precisamos de milhares de pessoas imperfeitas, dispostas a agir com solidariedade e coragem”.





