Portugal mais que duplicou os seus pedidos de patentes ao Instituto Europeu de Patentes entre 2015 e 2024. Ou seja, os pedidos passaram de 145 para 347, o que representa um crescimento de 139%. No entanto, continua a um décimo do ritmo de pedidos da Alemanha, indicando que o País acelera no pedido de patentes, mas continua com desafios ao nível da competitividade europeia.
Estas conclusões resultam da 6ª edição do Barómetro Inventa – Patentes Made in Portugal, relatório elaborado pela Inventa, consultora especializada em propriedade intelectual. Neste estudo a consultora usou o Índice de Patenteabilidade que relaciona pedidos de patentes com a população, comparando economias de dimensão similar, concluindo que Portugal está a atravessar uma fase de consolidação e maturidade, mas o grande desafio é agora transformar conhecimento em impacto económico à escala internacional.
Entre 2013 e 2023, Portugal registou 2.327 pedidos no Instituto Europeu de Patentes (EPO), com crescimento acelerado nos últimos anos, de 94 para 332 pedidos no período, culminando nos 347 pedidos de 2024.
Vítor Sérgio Moreira, coordenador de Patentes na Inventa, refere a propósito que “Portugal amadureceu o seu sistema de propriedade intelectual, mas ainda não converteu esse progresso em escala comparável às economias mais inovadoras da Europa. O crescimento é positivo, mas precisamos de maior densidade empresarial e mais capacidade de internacionalização”.
A Inventa revela ainda que, para os requerentes portugueses, a internacionalização tornou-se estratégica. Os EUA e Europa concentram mais de metade dos depósitos internacionais, com crescente diversificação para China, Brasil, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Índia e Austrália. Entre 2013 e 2023, Portugal registou 2.327 pedidos no Instituto Europeu de Patentes (EPO), com crescimento acelerado nos últimos anos, de 94 para 332 pedidos no período, culminando nos 347 pedidos de 2024.
Universidade de Aveiro lidera pedidos de patentes
O estudo mostra ainda que a Universidade de Aveiro lidera o top, relativo a dados de 2023, com 42 famílias de patentes, destronando a Universidade do Minho que assumia o primeiro lugar na edição anterior. No pódio está ainda a universidade de Lisboa, com 37 família de patentes e a universidade do Porto, com 36. A liderança no pedido de patentes europeias continua muito concentrado no meio académico, indicativo de que a investigação nas universidades é ainda central no ecossistema nacional de inovação.
O estudo revela ainda alguns desiquilíbrios relevantes nesta matéria. Um deles é a concentração territorial: o Norte apresentou, junto do INPI 323 pedidos, o Centro 191 e a Área Metropolitano de Lisboa 162. Ou seja, os pedidos do resto do país são residuais. A mesma distribuição se aplica aos pedidos europeus.
Como case study, a Inventa destaca a startup portuguesa CleoCare, que criou a SenseGlove, luva sensorizada com IA para autoexame mamário e cujos fundadores pertencem à lista nacional da Forbes 30 Under 30.
Por outro lado, Portugal destaca-se quando comparado com países como a Lituânia ou a Polónia, mas ainda distante das principais economias europeias e mundiais nesta matéria. Quando comparado com a Alemanha, que apresenta 30 pedidos por cada 100 mil habitantes, com a França que apresenta 16, ou o Reino Unido que apresenta 8,8, Portugal fica muito abaixo, com apenas 3,3 pedidos. O estudo resume então os três grandes desafios que Portugal precisa enfrentar com sucesso: escalar inovação para níveis europeus, reduzir assimetrias territoriais e converter conhecimento académico em impacto empresarial sustentável.
Como case study, a Inventa destaca a startup portuguesa CleoCare, que criou a SenseGlove, luva sensorizada com IA para autoexame mamário e cujos fundadores pertencem à lista nacional da Forbes 30 Under 30. Segundo a consultora, a empresa protege as suas invenções através do sistema PCT (Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes) nos EUA, Israel, Canadá, Brasil e Europa, demonstrando uma abordagem global desde a fase inicial.
Portugal é o país europeu com maior participação feminina na atividade de patenteamento
Olhando agora para o mundo das patentes, mas numa ótica de género, e num período de tempo mais curto, Portugal é o país europeu com maior participação feminina na atividade de patenteamento, refere o estudo Observatório de Patentes e Tecnologia, elaborado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) divulgado a propósito do Dia Internacional da Mulher. Esta análise mostra que, entre 2018 e 2022, 29,3% dos pedidos de patente com origem em Portugal incluíram pelo menos uma mulher inventora, colocando o país no primeiro lugar entre as maiores jurisdições europeias e acima da média europeia (13,8%). O estudo revela que num contexto em que a disparidade de género na Europa diminui apenas de forma marginal, o desempenho português destaca-se como um indicador relevante da capacidade competitiva e inovadora da economia nacional.
Portugal posiciona-se acima da média, tendo como mulheres 15,7% dos fundadores de startups portuguesas que detêm pedidos de patente europeia, colocando o país em segundo lugar, apenas atrás de Espanha.
Outro dado interessante deste estudo é que Portugal ocupa o segundo lugar na Europa na taxa de mulheres fundadoras entre as startups. Em termos globais os dados não são animadores: a disparidade de género é particularmente evidente nas startups com atividade de patenteamento. Apenas 13,5% das startups com patentes nos países da OEP incluem uma mulher fundadora. No entanto Portugal posiciona-se acima da média, tendo como mulheres 15,7% dos fundadores de startups portuguesas que detêm pedidos de patente europeia, colocando o país em segundo lugar, apenas atrás de Espanha. Além disso, 22,9% das startups portuguesas com atividade de patenteamento incluem pelo menos uma mulher entre os seus fundadores. Os Países Baixos, a Áustria e a Alemanha registam as taxas de participação mais baixas.





