Um incêndio de grandes dimensões consumiu hoje o armazém da E. Timóteo, empresa familiar que se dedica à produção e comercialização de frutas. Além disso, foi fundada por Elias Timóteo, empresário português que transformou a tradição agrícola da família numa marca de referência no setor agroalimentar. A empresa é PME Líder e conquistou o Prémio Empreendedor da Diáspora Portuguesa pela sua dinâmica em Cabo Verde.
Paixão desde menino e moço
Desde os 10 anos, Elias Timóteo está ligado ao negócio familiar. Inspirado pelo legado da família, decidiu reduzir a intermediação e apostar na distribuição direta a grandes superfícies comerciais. Assim, conseguiu melhorar a qualidade dos produtos sem aumentar os preços.
Em 1996, assumiu também o papel de importador e distribuidor em Cabo Verde. Ali, construiu um armazém de cerca de 4.200 m², com capacidade de frio para 600 toneladas de produtos frescos e congelados. Essa infraestrutura moderna, funcional e com padrão europeu foi pioneira na resolução de um grande problema no país: a limitada capacidade de frio para conservação de alimentos.
Mais tarde, inaugurou uma loja gourmet, oferecendo produtos devidamente embalados, certificados e higienizados, provenientes de Portugal. Como resultado, a procura por estes produtos tem crescido de forma constante, consolidando a reputação da marca e mostrando a atenção ao detalhe e à qualidade que caracteriza a família Timóteo.
Crescimento e inovação internacional
Fundada oficialmente em 2008, a E. Timóteo começou como um projeto modesto e hoje ocupa 150 hectares de pomares. Além das maçãs e peras, a empresa também produz damascos, ameixas, pêssegos e nectarinas. Ademais, mantém um compromisso rigoroso com qualidade, inovação e sustentabilidade.
Sob a liderança de Elídio Timóteo, distinguido com o Prémio Empreendedor da Diáspora Portuguesa, a empresa consolidou-se internacionalmente. Cerca de 50% da faturação provém das exportações. A E. Timóteo tem presença direta no Brasil, Marrocos, Polónia e Alemanha, e parcerias em França, Inglaterra, Dubai, Arábia Saudita e Colômbia. Além disso, produz cerca de quatro mil toneladas de fruta por ano, utilizando técnicas de plantação avançadas, sistemas de frio de última geração e variedades selecionadas que unem sabor, aroma e consistência.
Segundo o edil de Óbidos, Filipe Daniel:
“Estamos a falar de uma empresa familiar do concelho de Óbidos, que já vem, de algumas gerações, a construir todo este património. Fatura mais de dez milhões de euros em exportação de fruticultura, conta com mais de 50 trabalhadores efetivos e mais 20 prestadores de serviço. Nos períodos de pico, representa uma entidade empregadora para mais de 100 pessoas.”
Resiliência e legado familiar
O incêndio de hoje, em Casais de Capeleira, mobilizou mais de 100 operacionais e 40 viaturas de bombeiros e GNR. Além disso, grande parte das instalações, equipamentos e mercadorias foi destruída. Cinco moradores foram realojados e quatro bombeiros sofreram ferimentos ligeiros.
Embora ainda não existam estimativas oficiais, a Proteção Civil considera que a estrutura e a mercadoria sofreram perda total. Por isso, o prejuízo será significativo tanto para a empresa como para a comunidade local.
Mais do que um incêndio, este é um teste de resiliência para um negócio que, ao longo de quase duas décadas, se tornou símbolo da capacidade empreendedora portuguesa. A E. Timóteo transformou um projeto familiar numa referência internacional.
No entanto, o desafio agora é reconstruir, mantendo a reputação, os mercados internacionais e a cultura de excelência que Elias Timóteo imprimiu desde o início. De fato, a história da família mostra que paixão, visão e coragem podem superar crises e inspirar gerações.
Além disso, a empresa mantém viva a sua filosofia inspiradora, como se lê na página do Facebook da família: “Somos agricultores e trabalhamos todos os dias por um futuro melhor.” Essa frase resume o espírito de perseverança que guia a E. Timóteo em todos os desafios.





