UNESCO reconhece roças de São Tomé e Príncipe como Património Mundial

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou as plantações agrícolas coloniais portuguesas nas ilhas de São Tomé e Príncipe como Património Mundial. A assembleia anual da UNESCO, que decorre na cidade sul-coreana de Busan, reconheceu como Património Mundial o conjunto de seis roças situadas nas ilhas da…
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Além de reconhecer as plantações agrícolas coloniais portuguesas nas ilhas de São Tomé e Príncipe como Património Mundial, a UNESCO reconheceu ainda as praias de Desembarque na Normandia, entre outros sítios. Reunião decorre até quarta-feira em Busan, na Coreia do Sul.
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A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou as plantações agrícolas coloniais portuguesas nas ilhas de São Tomé e Príncipe como Património Mundial. A assembleia anual da UNESCO, que decorre na cidade sul-coreana de Busan, reconheceu como Património Mundial o conjunto de seis roças situadas nas ilhas da nação africana, que representam um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e instalações sociais.

Estes locais, sublinhou a organização da ONU, ilustram o funcionamento de um sistema agroindustrial colonial em grande escala, baseado na migração e nos trabalhos forçados, desde o final do século XIX até meados do século XX, concebido para sustentar a produção de matérias-primas após a abolição da escravatura.

A UNESCO declarou ainda como Património Mundial as praias do Desembarque na Normandia, no noroeste de França, e o icónico Monte Olimpo, na Grécia. A decisão foi tomada durante a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que decorre até quarta-feira em Busan, na Coreia do Sul, e avalia 30 candidaturas de diferentes países. A inscrição das praias do Desembarque na Normandia foi o culminar de um projeto iniciado há cerca de 20 anos.

Ao longo de pouco mais de 80 quilómetros de costa, entre os departamentos de Manche e Calvados, no noroeste de França, as praias do Desembarque dos Aliados foram palco de uma batalha decisiva para libertar a Europa do nazismo e pôr fim à Segunda Guerra Mundial. Em causa estão as cinco praias — Omaha, Utah, Sword, Gold e Juno — onde mais de 150.000 soldados aliados desembarcaram a 06 de junho de 1944, assim como o local do assalto à Pointe du Hoc.

A 48ª reunião Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) decorre até quarta-feira em Busan, na Coreia do Sul, e avalia 30 candidaturas de diferentes países. 

O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), que avalia as candidaturas apresentadas ao comité do património, afirmou que os locais contêm vestígios extensos, desde fortificações alemãs e paisagens marcadas por bombardeamentos até estruturas portuárias aliadas e navios naufragados, assinalando um “evento amplamente considerado como tendo possibilitado o regresso da liberdade e anunciado uma paz duradoura no continente europeu”.

O ICOMOS apelou também a maiores esforços de monitorização e preservação dos locais, citando potenciais ameaças representadas pelo turismo, pelas alterações climáticas e pela subida do nível do mar, bem como pelo desenvolvimento de parques eólicos nas proximidades dessas áreas. “É provavelmente o maior desembarque anfíbio de sempre. Deveria ser lembrado só por isso”, afirmou o historiador David Edgerton sobre os desembarques na Normandia, numa entrevista recente à Associated Press.

Já a inscrição na Lista do Património Mundial do Monte Olimpo, o lar mítico dos 12 deuses do Olimpo, recompensou um esforço de 12 anos por parte da Grécia para garantir o reconhecimento da sua montanha mais alta como um local de património misto, cultural e natural. Elevando-se 2.918 metros a partir de uma base próxima do nível do mar, acreditava-se que a montanha fosse o trono de Zeus, rei dos deuses, ao mesmo tempo que abrigava uma rica biodiversidade. “Reafirmamos o nosso compromisso inabalável de salvaguardar o Monte Olimpo em benefício das gerações presentes e futuras”, afirmou Georgios Koumoutsakos, delegado da Grécia junto da UNESCO. “Como a mitologia grega sabiamente nos lembra, é sempre melhor manter boas relações com os deuses”, acrescentou.

O comité da UNESCO inscreveu também as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara e a paisagem migratória de Boma-Badingilo, no Sudão do Sul, palco de uma das maiores migrações de mamíferos terrestres do mundo e a primeira inclusão do país na Lista do Património Mundial. Quanto aos locais japoneses designados na prefeitura ocidental de Nara, abrangem 19 sítios arqueológicos das capitais de Asuka e Fujiwara, dos séculos VI a VIII, onde o Japão estabeleceu o seu primeiro Estado centralizado, inspirado nos sistemas chineses. Os sítios preservam os vestígios, em grande parte soterrados, de palácios reais, edifícios governamentais, templos budistas e túmulos das capitais que influenciaram as capitais posteriores de Nara e Quioto.

A paisagem migratória de Boma-Badingilo, no Sudão do Sul, abrange vastas zonas húmidas, planícies aluviais e savanas moldadas pelas chuvas sazonais e pela dinâmica das cheias, com cerca de seis milhões de gazelas de orelhas brancas, tiang e Mongalla a deslocarem-se em resposta às condições ambientais em constante mudança. Proporciona ainda ‘habitat’ a elefantes, leões, chitas e outros animais selvagens e sustenta várias comunidades étnicas que, há séculos, vivem da pastorícia, da agricultura e da pesca, de acordo com a UNESCO.

(Lusa) 

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