O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recorrer às redes sociais para publicar uma série de imagens aparentemente geradas por inteligência artificial, desta vez envolvendo a Gronelândia, o Irão, o congressista democrata Ro Khanna e o apresentador Stephen Colbert.
Entre os conteúdos divulgados por Trump está uma imagem alusiva ao sistema de defesa antimíssil “Golden Dome”, proposta da administração norte-americana inspirada no modelo israelita Iron Dome. Na publicação, o sistema surge a proteger apenas a Casa Branca e não todo o território dos Estados Unidos.
Pouco depois, Trump publicou novamente uma imagem enigmática sobre a Gronelândia, onde surge a espreitar acima de uma paisagem da ilha autónoma dinamarquesa, acompanhada da mensagem “Hello, Greenland”. A publicação reacendeu as tensões diplomáticas em torno do território, que Trump continua a considerar estratégico para a segurança nacional norte-americana.
O presidente norte-americano também partilhou uma imagem de um mapa do Médio Oriente coberto pela bandeira dos Estados Unidos, acompanhada da frase “The United States of the Middle East?”. A publicação surgiu depois de negociadores iranianos terem indicado que recusariam um compromisso com Washington nas atuais negociações de paz.
Numa outra publicação, Trump divulgou um vídeo gerado por IA em que surge a empurrar Stephen Colbert para um contentor do lixo antes de dançar ao som de “YMCA”. O vídeo foi publicado poucas horas após a emissão final do programa “The Late Show with Stephen Colbert”.
Trump publicou ainda uma caricatura de Ro Khanna, congressista democrata da Califórnia responsável pela proposta legislativa Epstein Files Transparency Act, apelidando-o de “dumocrat” e “sleazebag”.
A insistência de Trump na Gronelândia remonta ao primeiro mandato presidencial, mas ganhou nova intensidade desde o regresso à Casa Branca em 2025. O presidente defende que os Estados Unidos necessitam do território por razões estratégicas e energéticas. Tanto a Dinamarca como o governo autónomo da Gronelândia têm rejeitado repetidamente qualquer possibilidade de transferência de soberania.
Segundo o New York Times, decorrem desde janeiro negociações discretas entre as três partes sobre o futuro da ilha, embora continue incerto se algum entendimento poderá satisfazer as exigências da administração Trump.
A discussão voltou ao centro da agenda depois da visita do governador da Louisiana, Jeff Landry, enviado especial de Trump para a Gronelândia. Durante a deslocação à capital Nuuk, Landry distribuiu bolachas de pepitas de chocolate a crianças locais, num momento que se tornou viral nas redes sociais.
Em entrevista à Fox News, Jeff Landry afirmou que os recursos naturais da Gronelândia poderiam transformar economicamente o território e reforçar a posição energética do Ocidente. O governador defendeu que a ilha poderia produzir dois milhões de barris de petróleo por dia e afirmou que a exploração poderia arrancar “dentro de cerca de 10 meses”.
A Gronelândia suspendeu oficialmente a exploração petrolífera em 2021, após avaliações ambientais e económicas apontarem para impactos negativos e baixa rentabilidade potencial.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





