Um automóvel sobe uma rampa que mais parece uma parede vertical, fica invertido, abandona a estrutura e lança-se no ar. Roda, voa e regressa ao solo com uma aterragem suave, controlada por propulsores. A sequência parece retirada de um filme de ficção científica, mas foi a forma escolhida pela Tesla para apresentar a nova geração do Roadster, o desportivo elétrico que Elon Musk promete há quase uma década.
A apresentação, realizada na noite de 15 de outubro, procurou mostrar que o novo Roadster não será apenas mais um automóvel de elevado desempenho. A Tesla quer transformar o modelo numa montra da sua capacidade de cruzar engenharia automóvel com tecnologia aeroespacial, recorrendo a soluções desenvolvidas em colaboração com a SpaceX, a empresa espacial também liderada pelo bilionário e homem mais rico do planeta, Elon Musk.
A apresentação do novo Tesla Roadster teve grande impacto visual: o veículo não se limitou a acelerar; literalmente, levantou voo.
A Tesla descreve ainda o Roadster como um dos últimos grandes automóveis concebidos para serem conduzidos por pessoas, numa altura em que Musk tem defendido uma transição crescente para a condução autónoma.
Quando a Tesla junta forças com a SpaceX
O elemento mais extraordinário do Roadster é o sistema de propulsão que permite executar as manobras aéreas. A tecnologia utiliza propulsores de gás frio alimentados por ar comprimido, com componentes desenvolvidos para adaptar soluções aeroespaciais à utilização num veículo.
Segundo Lars Moravy, vice-presidente de engenharia da Tesla, o sistema integra dez propulsores e um reservatório de 600 litros de ar comprimido, com cerca de 250 quilogramas de ar. Os depósitos são construídos com vasos de pressão revestidos com fibra de carbono e ocupam os espaços disponíveis no interior da estrutura.
A tecnologia também abre a porta a manobras que ultrapassam a utilização rodoviária tradicional. Na versão mais radical, os propulsores estão distribuídos pelo perímetro do veículo e permitem gerar força para a frente e para cima, bem como movimentos de rotação lateral.

O sistema de sucção é outro dos elementos centrais. Ventoinhas instaladas sob o automóvel extraem o ar e criam força descendente, permitindo, segundo a Tesla, manter o veículo invertido mesmo quando está parado. A marca associa esta solução à aerodinâmica ativa e a um modo de pista concebido para aumentar a aderência em curva.
A apresentação demonstrou o potencial visual destas tecnologias, mas não esclareceu todas as questões práticas. Continuam por conhecer os limites de utilização dos propulsores, a duração das manobras aéreas e as condições em que poderão ser repetidas no veículo de produção.
Três versões, três níveis de ambição
A Tesla disponibilizou informação sobre três configurações do Roadster, com diferenças significativas na utilização prevista e no desempenho anunciado.
A versão Performance, destinada à estrada, tem dois lugares, aerodinâmica ativa e um sistema de sucção multimodo. A marca anuncia uma aceleração dos zero aos 100 km/h em menos de 1,6 segundos.
A Tesla esclarece que a versão Rocket não está aprovada para utilização em vias públicas.
A versão Thrust acrescenta propulsores na traseira e é apresentada como uma configuração orientada para a competição. A aceleração anunciada é inferior a 0,9 segundos dos zero aos 100 km/h.
A versão Rocket é a mais radical: tem apenas um lugar e incorpora propulsores distribuídos pelo perímetro do veículo. A Tesla anuncia uma aceleração inferior a 0,59 segundos dos zero aos 100 km/h e uma velocidade máxima superior a 370 km/h. É também a única configuração que a marca descreve explicitamente como preparada para voar.

A Tesla anuncia uma autonomia superior a 480 quilómetros para o modelo, mas ainda não divulgou a capacidade da bateria.
Existe, além disso, uma distinção importante entre as três propostas: a versão Performance está disponível mediante reserva, a Thrust será comercializada numa edição limitada e a Rocket só poderá ser adquirida por convite. A Tesla esclarece que a versão Rocket não está aprovada para utilização em vias públicas.
Oito anos de promessas e uma nova data: 2028
O projeto do Roadster foi apresentado pela primeira vez em novembro de 2017, com a promessa de entrar em produção em 2020. Essa data não foi cumprida, seguindo-se sucessivos adiamentos enquanto a Tesla concentrava recursos no desenvolvimento e na produção de modelos destinados a volumes de vendas superiores.
A produção do Roadster está agora prevista para 2028, embora a Tesla ainda não tenha apresentado um calendário detalhado de entregas.
0 aos 100 km/h em menos de 1 segundo
Em 2017, a Tesla prometia uma autonomia próxima dos 1.000 quilómetros, uma velocidade máxima superior a 400 km/h e uma configuração de quatro lugares. A informação agora divulgada aponta para mais de 480 quilómetros de autonomia, uma velocidade máxima superior a 370 km/h na versão Rocket e um máximo de dois lugares nas versões Performance e Thrust.

Em contrapartida, a aceleração anunciada tornou-se ainda mais ambiciosa. A versão Performance promete fazer os zero aos 100 km/h em menos de 1,6 segundos, enquanto a Rocket aponta para menos de 1 segundo.
Os números das prestações anunciados colocam o Roadster no território dos hipercarros.
Reservas de 50 mil dólares e uma versão de 250 mil
A Tesla abriu as reservas para o novo Roadster, mantendo uma estrutura de pagamentos que exige um compromisso financeiro significativo antes de o automóvel chegar ao mercado.
Na versão Performance, os interessados têm de pagar inicialmente 5.000 dólares e transferir mais 45.000 dólares nos dez dias seguintes, num total de 50.000 dólares. Para a versão Thrust, o depósito adicional sobe para 245.000 dólares, elevando o compromisso inicial para 250.000 dólares.
A versão Rocket, por sua vez, estará disponível somente por convite.
Estes montantes correspondem aos depósitos de reserva anunciados, não ao preço final dos automóveis. A Tesla não divulgou ainda o preço de venda de nenhuma das configurações, nem esclareceu todos os pormenores relativos à disponibilidade comercial nos diferentes mercados.





