A seleção iraniana de futebol deixou um bilhete escrito à mão a agradecer ao povo de Los Angeles, que acolheu os seus dois primeiros jogos no Mundial 2026, depois de a equipa ter conseguido um empate a 0-0 contra aquela que seria a equipa mais forte do seu grupo, a Bélgica, apesar das queixas sobre o mau tratamento recebido e as complicações nas suas viagens nos EUA.
No meio de várias controvérsias fora do campo, o Irão deu um passo em direção à qualificação para a segunda fase da competição, depois de uma exibição digna do “homem do jogo” por parte do guarda-redes Alireza Beiranvand ter ajudado a equipa a garantir um empate a 0-0.
O Irão ocupa agora o segundo lugar do Grupo G, com dois empates até ao momento, faltando-lhe ainda um jogo contra o líder da tabela, o Egito.
Até ao momento, o Irão disputou dois dos seus jogos da fase de grupos no Estádio de Los Angeles, e o seu próximo jogo terá lugar em Seattle.
Apesar das queixas de maus-tratos por parte das autoridades norte-americanas, a Federação Iraniana de Futebol partilhou uma fotografia de um bilhete de agradecimento escrito à mão que a equipa deixou em Los Angeles.
A nota agradecia à cidade pela sua hospitalidade, tendo a equipa salientado que chegou a Los Angeles com “orgulho” e que parte com “dignidade”.
“Desde a antiga Pérsia de há milhares de anos até ao Irão civilizado de hoje, o espírito do Irão permanece vivo e inabalável. Viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade. Obrigado, Los Angeles, pela vossa hospitalidade. E obrigado a todos os iranianos que deram o seu coração, a sua voz e a sua alma pelo Irão ao longo destes 180 minutos. Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações”. A nota incluía também “#168” e “#minab”, uma aparente referência ao ataque aéreo dos EUA a uma escola de raparigas na cidade de Minab, no início da guerra do Irão, que resultou em mais de uma centena de mortos.
Depois de o seu primeiro jogo do Mundial ter terminado num empate 2-2 contra a Nova Zelândia, vários membros da seleção iraniana e o seu treinador criticaram veementemente o que consideraram ser um tratamento injusto para com a sua equipa. O treinador do Irão, Amir Ghalenoei, queixou-se de que a equipa tinha planeado passar a noite na Califórnia após o primeiro jogo, como parte do seu processo de recuperação, mas foi obrigada pelas autoridades a regressar à sua base em Tijuana, no México, imediatamente após o jogo.
Devido às tensões em curso resultantes do conflito entre os EUA e o Irão, a seleção iraniana está alojada no México, apesar de disputar todos os seus jogos do Mundial nos EUA. Ghalenoei queixou-se de que a sua equipa não teve “tempo para recuperar”.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles.





