Sebastião Bugalho: “Diplomatas norte-americanos são vistos por Trump como serviçais da Europa”

Entre a irracionalidade no pensamento dos EUA e a Ucrânia como o maior fator de segurança da Europa, Sebastião Bugalho, eurodeputado que faz parte da Comissão de Assuntos Externos e Paulo Portas, vice-presidente da Câmara de Comércio, analisaram as tendências geopolíticas e geoeconómicas para os próximos anos no Growth Forum. A quinta edição deste evento…
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A relação transatlântica ocupou grande parte da conversa que Sebastião Bugalho e Paulo Portas tiveram no evento Growth Forum. Sobre este tema, o eurodeputado Sebastião Bugalho, advertiu que a deterioração desta relação do bloco europeu com a administração Trump é pior do que pensa.
Economia

Entre a irracionalidade no pensamento dos EUA e a Ucrânia como o maior fator de segurança da Europa, Sebastião Bugalho, eurodeputado que faz parte da Comissão de Assuntos Externos e Paulo Portas, vice-presidente da Câmara de Comércio, analisaram as tendências geopolíticas e geoeconómicas para os próximos anos no Growth Forum.

A quinta edição deste evento teve lugar esta quinta-feira na Fundação Oriente, em Lisboa, e contou com o JE, Forbes Portugal e Forbes África Lusófona como media partners.

A relação transatlântica ocupou grande parte desta conversa e sobre este tema, o eurodeputado Sebastião Bugalho, à conversa com Paulo Portas, advertiu que a deterioração desta relação do bloco europeu com a administração Trump é pior do que pensa.

“A forma como mudou a nossa relação com os EUA é muito pior do que aquilo que se vê na TV. O que nos dizem à porta fechada, em termos de diplomacia, é que os diplomatas em Washington têm que perguntar a outros países o que se passa com o seu Governo”, destacou.

Sebastião Bugalho sublinhou que “os diplomatas norte-americanos são vistos como serviçais da Europa pela administração Trump. Há irracionalidade no pensamento dos EUA. O recuo americano está a tornar a Europa mais atrativa do ponto de vista estratégico”.

“Os portugueses não querem saber da relação transatlântica e a diplomacia não é popular. Mas manter esta relação é essencial para comprar tempo até ao momento em que eles possam não lá estar. Precisamos comprar tempo para não fazer escolhas difíceis de imediato. Já viram o que seria se todos fizéssemos o papel que a Espanha está a fazer?”, questionou.

Para o eurodeputado, o maior chapéu de chuva de segurança que temos hoje é a Ucrânia, é o maior exército europeu, uma ideia que é secundada por Paulo Portas: “Na prática, os ucranianos estão a dar uma tareia aos russos”.

“A ignorância dá votos hoje em dia”, realçou o ex-governante numa alusão ao crescimento das forças de extrema-direita. Sobre a despesa em defesa, Paulo Portas deixou a reflexão: “Acho que não vamos chegar aos 5% do PIB em gastos na defesa e não me parece que seja necessário. Acima de 3,5% do PIB em defesa é um delírio porque mais do que isso vai prejudicar as políticas sociais”.

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