O Uruguai posiciona-se de uma forma modesta nas vendas internacionais de Portugal (ocupava a 100ª posição como cliente de produtos portugueses já esta década) e há um enorme caminho para percorrer na forma como os dois países se irão relacionar economicamente com o avanço do acordo Mercosul.
A convicção foi deixada por Carolina Ache Batlle, embaixadora do Uruguai em Portugal, na quinta edição do Growth Forum, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e que contou com o JE, Forbes Portugal e Forbes África Lusófona como media partners.
Com o acordo Mercosul a arrancar ao final de 25 anos de negociações, esta diplomata destaca que o acordo valerá um quarto do mercado global de consumidores e que a sua importância geopolítica é decisiva. “América do Sul e União Europeia têm muito em comum no que diz respeito à democracia e ao direito internacional. No fim, procuramos crescimento e mais emprego para todos os países envolvidos”, destacou.
Sobre a relação entre os dois países, Carolina Ache Batlle destaca a ligação histórica e cultural entre Uruguai e Portugal, posta à prova nas duras negociações deste acordo comercial: “Em 25 anos, muitos países mudaram de posição quanto ao acordo Mercosul, mas Portugal e Espanha nunca mudaram essa posição favorável. Isso é notável e merece reconhecimento”.
Numa alfinetada aos EUA, a embaixadora sul-americana citou o Índice de Democracia publicado pela “The Economist Intelligence Unit” que coloca Uruguai e Canadá como os países consistentemente classificados como democracias plenas no continente americano. De resto, o Uruguai é frequentemente apelidado, neste relatório, como o líder na América Latina, superando até alguns países europeus em critérios como o processo eleitoral, pluralismo e até liberdades civis.
“Uruguai e Canadá são as únicas democracias plenas na América. As regras do jogo no Uruguai não mudam de um dia para o outro e temos alguns princípios inegociáveis: os acordos são para cumprir. Temos um mercado de quatro milhões, mas o Uruguai como hub tecnológico, serve um mercado muito mais significativo: 270 milhões de pessoas. É uma das zonas francas mais antigas da América Latina”, sublinhou.





