Eileen Wang, presidente da câmara de Arcadia, cidade do condado de Los Angeles que tem mais de 50 mil habitantes, foi acusada pelas autoridades federais norte-americanas de atuar ilegalmente como agente da República Popular da China sem registo oficial.
Segundo os procuradores federais, Wang, que, entretanto se demitiu do cargo, deverá declarar-se culpada no processo anunciado esta segunda-feira.
De acordo com a acusação, Wang terá operado entre 2020 e 2022 um website de notícias em conjunto com Yaoning “Mike” Sun, atualmente a cumprir uma pena de quatro anos de prisão pelos mesmos crimes.
As autoridades alegam que a plataforma publicava conteúdos orientados por responsáveis do governo chinês. O crime de atuação como agente estrangeiro não registado pode ser punido com uma pena máxima de dez anos de prisão.
Renúncia ao cargo após acusação
Eileen Wang foi eleita pela primeira vez para o conselho municipal de Arcadia em 2022. Após as acusações, abandonou o cargo e renunciou às funções autárquicas.
Dominic Lazzaretto, city manager do município de Arcadia, informou os residentes da cidade do que se estava a passar nos tribunais, através de um comunicado divulgado na segunda-feira. Segundo o responsável, uma revisão interna concluiu que “nenhuma verba, funcionário ou processo de decisão da cidade esteve envolvido” na alegada atividade ilegal de Wang.
De acordo com o Los Angeles Times, uma juíza federal fixou uma caução de 25 mil dólares, cerca de 21 mil euros, e ordenou a entrega dos passaportes da autarca.
Os advogados de Wang afirmaram que a responsável “pede desculpa e lamenta os erros que cometeu na sua vida pessoal”.
Autarca divulgava propaganda pró-China
Os procuradores federais alegam que Wang e Sun geriam um website sino-americano chamado “U.S. News Center”.
Segundo a acusação, a plataforma publicava propaganda favorável à China e artigos previamente preparados por responsáveis governamentais chineses, enviados através de aplicações de mensagens encriptadas como o WeChat.
Entre os exemplos apresentados pelas autoridades está a publicação coordenada de uma carta de opinião do cônsul-geral chinês em Los Angeles, publicada no Los Angeles Times, que minimizava o tratamento dado pela China à população uigur na região de Xinjiang.
Os procuradores alegam ainda que Wang mantinha contacto com John Chen, outro cidadão que se declarou culpado em 2024 de atuar como agente ilegal da China e de tentar subornar um agente do IRS (Internal Revenue Service), a autoridade tributária norte-americana. Chen foi condenado a 20 meses de prisão.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





