Na primeira sessão solene em que participa enquanto Presidente da República, António José Seguro defendeu que “a Liberdade é tão natural como a nossa vida” e lembrou que “a democracia, a justiça social e a igualdade são valores que fazem parte da nossa identidade coletiva”.
O chefe de Estado sublinhou que “são os elos que dão coesão à nossa sociedade, como se fossem uma segunda Terra Mãe, o nosso chão comum”, realçando que “o ponto de partida, o 25 de Abril de 1974, é de valor inquestionável”.
António José Seguro realçou que hoje todos “podem manifestar as suas opiniões devido à liberdade de pensamento e de expressão conquistadas em Abril”, assim como todos podem escolher livremente os seus representantes na Assembleia da República, como sucedeu há 50 anos com as primeiras eleições legislativas.
Depois de evocar e agradecer os Capitães de Abril pela luta pelo fim da ditadura, o Presidente da República afirmou que “numa democracia, a liberdade não é um acessório: é o seu fundamento. Sem liberdade de expressão, não há debate; sem liberdade de imprensa, não há escrutínio; sem liberdade de associação, não há participação”.
Sem esquecer que vivemos “numa era em que algoritmos e sistemas de inteligência artificial influenciam cada vez mais as nossas escolhas”, o governante defendeu que “a liberdade, neste contexto, exige transparência, responsabilidade e escrutínio democrático sobre estas tecnologias”.
Numa alusão à geração mais jovem, o Presidente da República sublinhou que “tudo devemos fazer para que os jovens encontrem em Portugal o lugar onde querem construir as suas vidas. Se Portugal deu novos mundos ao mundo, hoje temos a obrigação de dar novos mundos aos portugueses – aqui em Portugal”. E lembrou aos mais jovens as conquistas de hoje que são herança do 25 de Abril: “Quando deixaste de ser obrigado a combater, ir para a guerra – foi Abril. Quando conduzes um carro e não precisaste de autorização do teu marido ou da família – foi Abril. Quando optas por uma carreira de magistrada ou diplomata e és mulher – foi Abril. Quando a tua mãe e o teu pai foram à urgência e não lhes pediram que pagasse antes de ser tratada – foi Abril. Quando a tua liberdade apela a propor, participar ou assinar uma petição – foi Abril. Quando leste ou partilhaste uma notícia crítica do poder e ninguém bateu à tua porta – foi Abril. Quando votaste, ou decidiste não votar, sem medo de represálias – foi Abril”.
E deixou um alerta: “Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar: ou a defendemos com coragem, ou arriscamo-nos a perdê-la em silêncio”.





