Prata regista maior subida em meses e investidores voltam a olhar para máximos históricos

O preço da prata registou no início desta semana a maior subida diária dos últimos meses, avançando mais de 7% e aproximando-se novamente dos níveis históricos alcançados no início do ano. Por volta das 14h30 da costa leste dos Estados Unidos de segunda-feira, a prata negociava nos 86,60 dólares por onça, cerca de 73,5 euros,…
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O preço da prata subiu mais de 7% numa única sessão, naquela que foi a maior valorização diária desde fevereiro, reacendendo expectativas de novos máximos históricos.
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O preço da prata registou no início desta semana a maior subida diária dos últimos meses, avançando mais de 7% e aproximando-se novamente dos níveis históricos alcançados no início do ano.

Por volta das 14h30 da costa leste dos Estados Unidos de segunda-feira, a prata negociava nos 86,60 dólares por onça, cerca de 73,5 euros, depois de tocar um máximo de 86,80 dólares, aproximadamente 73,7 euros.

A valorização, superior a 6 dólares por onça, cerca de 5 euros, representou o maior movimento diário tanto em valor absoluto como em termos percentuais desde o final de fevereiro.

Com esta subida, a prata atingiu o valor mais elevado dos últimos dois meses, aproximando-se novamente da barreira dos 90 dólares por onça, cerca de 76 euros, nível em torno do qual negociava em meados de março antes de recuar devido às tensões relacionadas com a guerra no Irão.

Otimismo dos investidores impulsiona recuperação

Segundo a Bloomberg, a subida foi impulsionada sobretudo pelo regresso do otimismo entre investidores. Analistas da TD Securities referiram que vários investidores que tinham permanecido à margem nas últimas semanas regressaram ao mercado na segunda-feira, reforçando compras de prata. O próprio movimento de subida dos preços terá também atraído novos compradores que seguem tendências de mercado.

Outros analistas apontam ainda fatores adicionais, incluindo a viagem do Presidente norte-americano Donald Trump à China no final desta semana e o bloqueio nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irão.

Mercado volta a antecipar novos máximos históricos

A prata registou uma forte valorização ao longo de 2025 e início de 2026, atingindo máximos históricos acima dos 120 dólares por onça, cerca de 102 euros.

Entre os fatores que sustentaram essa subida estiveram tensões geopolíticas internacionais, cortes nas taxas de juro, tarifas comerciais e o aumento da procura industrial ligada a setores tecnológicos.

Philippe Gijsels, chief strategy officer do BNP Paribas Fortis, afirmou recentemente à CNBC que espera um regresso da tendência de valorização da prata e do ouro. O responsável acredita que ambos os metais irão “atingir novos máximos históricos num futuro não muito distante, potencialmente ainda este ano”.

Segundo Gijsels, a guerra no Irão aumentou a volatilidade devido aos receios de inflação e possível subida das taxas de juro. Ainda assim, considera que os fatores estruturais que impulsionaram a valorização dos metais preciosos continuam presentes.

“À medida que o nevoeiro da guerra desaparecer, os investidores voltarão ao mercado do ouro e da prata”, afirmou.

Christopher Romano, analista de matérias-primas da Reuters, escreveu esta segunda-feira que a prata está “no caminho da recuperação” após vários meses de volatilidade.

Segundo a análise, o metal conseguiu ultrapassar tendências descendentes recentes e “assegurar uma posição numa faixa de preços mais elevada”, aumentando as expectativas de uma eventual subida até aos 90 dólares por onça.

Ouro teve sessão mais contida

Ao contrário da prata, o ouro registou uma sessão mais moderada. O metal precioso valorizava apenas 0,1% na segunda-feira, negociando nos 4.736 dólares por onça, cerca de 4.023 euros.

Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova Pte Ltd, afirmou numa nota citada pela imprensa financeira que o ouro continua “preso entre a ansiedade geopolítica e os receios de inflação”.

Segundo a analista, isso poderá manter o metal “sem direção definida, apesar da extrema volatilidade nos mercados globais”.

Guerra no Irão aumentou volatilidade dos metais

Apesar de ouro e prata serem tradicionalmente vistos como ativos de refúgio em períodos de tensão internacional, os preços dos metais preciosos registaram uma elevada volatilidade ao longo da guerra no Irão. Durante o conflito, ouro e prata chegaram a negociar em sentido inverso ao petróleo, cujos preços dispararam.

No último dia de negociação antes do início da guerra, a prata fechou acima dos 93 dólares por onça, cerca de 79 euros, enquanto o ouro terminou acima dos 5.200 dólares, aproximadamente 4.416 euros.

Pouco depois, ambos os metais sofreram fortes quedas na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro. Ao longo do conflito, os preços voltaram ocasionalmente a subir, muitas vezes em reação a sinais ou expectativas de possíveis acordos de paz.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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