Portugal consolida a sua presença na rota internacional do luxo residencial

No mercado imobiliário – e não só - o novo luxo está na autenticidade e naquilo que não pode ser replicado. “O produto de luxo está a mudar: já não basta localização e área”, pode ler-se no relatório The Residence Report, elaborado pela consultora Knight Frank, associada, em Portugal, da Quintela + Penalva. O relatório…
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O produto de luxo está a mudar, pois não basta localização e área, estando o valor cada vez mais associado ao que é mais difícil de replicar: lugar, proveniência, experiência, julgamento e ligação humana. Portugal poderá aproveitar a onda. A Comporta, por exemplo, passou a ser “um dos destinos balneares mais cobiçados da Europa”.
Economia Imobiliário

No mercado imobiliário – e não só – o novo luxo está na autenticidade e naquilo que não pode ser replicado. “O produto de luxo está a mudar: já não basta localização e área”, pode ler-se no relatório The Residence Report, elaborado pela consultora Knight Frank, associada, em Portugal, da Quintela + Penalva. O relatório refere que à medida que amenities e serviços se tornam mais comuns, o valor desloca-se para aquilo que é mais difícil de replicar — lugar, proveniência, experiência, julgamento e ligação humana. Isto pode beneficiar Portugal, que oferece projetos com boa localização, com arquitetura e design diferenciadores, com privacidade com serviço personalizado, ligado ao wellness, à boa gastronomia e à natureza, associando ainda um leque de experiências à gestão profissional das propriedades.

O research identifica uma deslocação progressiva do investimento residencial de luxo das cidades para destinos costeiros, ilhas, resorts e localizações associadas a um estilo de vida de elevada qualidade. Assim, segundo esta análise, Portugal está bem posicionado para beneficiar da transformação estrutural que está a redefinir o mercado residencial de luxo a nível global.

Globalmente, a Knight Frank estima que o crescimento médio dos preços residenciais prime nas 20 cidades analisadas neste estudo aumente de 1,6% em 2026 para 2,2% em 2027, sinalizando uma melhoria gradual das condições do mercado imobiliário de luxo. As cidades asiáticas continuam a liderar as previsões de crescimento, com Seul, Tóquio e Hong Kong nas primeiras posições do ranking. O relatório indica ainda que a maioria dos mercados espera uma segunda metade de 2026 mais dinâmica do que o primeiro semestre, antecipando um aumento da procura, do volume de transações e da atividade de compradores internacionais.

Há uma deslocação progressiva do investimento residencial de luxo das cidades para destinos costeiros, ilhas, resorts e localizações associadas a um estilo de vida de elevada qualidade. Portugal está bem posicionado para beneficiar da transformação estrutural que está a redefinir o mercado residencial de luxo a nível global.

Olhando mais especificamente para o mercado português e começando pela capital, os analistas da Knigt Frank referem que Lisboa mantém uma posição relevante no mapa internacional do luxo residencial, isto apesar dos valores de referência estarem abaixo dos principais mercados globais, como Londres, Nova Iorque, Paris, Miami ou Milão. No entanto, a capacidade de crescimento dos destinos como Lisboa, Comporta e Algarve, pode constituir uma vantagem competitiva para Portugal, sobretudo num contexto em que os compradores mais abastados – os chamados UHNW, ou seja indivíduos com ultra ricos – estão a diversificar geograficamente os seus patrimónios residenciais.

“Existe margem de valorização de Lisboa face a alguns grandes mercados internacionais. Lisboa ainda não atingiu o posicionamento de preço dos grandes mercados globais de luxo e, nesse sentido, tem mais espaço para crescimento, enquanto Comporta e Algarve beneficiam sobretudo da escassez e do posicionamento lifestyle”, explica, em comunicado, Carlos Penalva, sócio fundador da Quintela + Penalva.

A transformação internacional do mercado imobiliário de luxo é impulsionada pela mobilidade da riqueza. Segundo este relatório, o número médio de propriedades residenciais detidas por UHNWI aumentou de 2,9 para 3,8 em menos de uma década. A análise da Knight Frank mostra ainda que famílias com elevado património estão cada vez mais a estabelecer múltiplas bases residenciais para aceder a oportunidades, redes e talento.

Segundo o estudo da Knight Frank há uma clara oportunidade para o mercado português: passar de um destino imobiliário internacionalmente competitivo para uma referência residencial global para capital internacional.

Neste contexto Portugal e Espanha, estão bem posicionados para atrair, sobretudo, famílias norte-americanas em busca de proteção patrimonial e de maior isolamento face a riscos geopolíticos. Trata-se de uma mudança relevante, já que, para este segmento o nosso país pode assumir o papel de uma base internacional, integrada numa carteira imobiliária mais diversificada, e não necessariamente de uma substituição da residência principal.

Certo é que os compradores internacionais estão cada vez mais dispostos a pagar preços anteriormente associados às grandes cidades por localizações lifestyle de elevada qualidade e Lisboa surge como um dos exemplos desta convergência. “Portugal mantém uma dinâmica residencial muito forte e continua a destacar-se no contexto europeu e internacional. O nosso país tem demonstrado uma enorme resiliência da procura e a atratividade junto de compradores nacionais e internacionais”, afirma Carlos Penalva.

Portugal a caminho de se tornar uma referência residencial global

Segundo o estudo da Knight Frank há uma clara oportunidade para o mercado português: passar de um destino imobiliário internacionalmente competitivo para uma referência residencial global para capital internacional. Ou seja, o potencial do nosso país está menos numa competição direta com Londres, Paris ou Nova Iorque e mais na sua capacidade de se posicionar na nova geografia do luxo, onde os compradores procuram cada vez mais destinos capazes de combinar lifestyle, privacidade, natureza, serviços de elevada qualidade e conectividade internacional. Num mercado onde a mobilidade internacional da riqueza aumenta e os destinos lifestyle ganham peso, o verdadeiro prémio residencial começa a estar associado àquilo que não pode ser facilmente criado noutro lugar.

A Comporta, zona localizada na costa alentejana, deixou de ser considerado uma localização emergente para passar a ser apresentado como “one of Europe’s most coveted seaside destinations”. 

“O posicionamento de Lisboa entre os mercados residenciais prime com melhor desempenho confirma a crescente relevância internacional da cidade como destino para investimento imobiliário de qualidade. A combinação entre oferta limitada, qualidade de vida e interesse contínuo por parte de compradores internacionais continua a sustentar a valorização deste segmento”, sublinha Carlos Penalva.

Por outro lado, o relatório mostra uma clara evolução do destino Comporta, localizado na costa alentejana, que deixou de ser considerado uma localização emergente para passar a ser apresentado como “one of Europe’s most coveted seaside destinations” (tradução: “um dos destinos balneares mais cobiçados da Europa”).

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