Fundada em 2015, por Virgílio Bento e Márcio Colunas, a génese da Sword Health está num projeto de investigação, realizado na Universidade de Aveiro, em 2008, que deu origem ao doutoramento dos dois fundadores. A startup começou por desenvolver uma solução de fisioterapia digital permitindo que os pacientes pudessem ser tratados remotamente a partir das suas casas. A tecnológica atua na área de artificial intelligence care, tendo desenvolvido a primeira plataforma de IA Care no mundo, para que pacientes tenham acesso a soluções de saúde a qualquer hora e em qualquer lugar.
O que começou com uma solução em Portugal, na Austrália e nos Estados Unidos, depressa se tornou um caso raro de sucesso mundial na área da saúde. Hoje disponibiliza um portefólio de sete soluções agregadas numa só plataforma tecnológica. Com sede nos Estados Unidos, está avaliada atualmente em cerca de 4 mil milhões de dólares, tendo atingido o estatuto de unicórnio – startup avaliada em mais de mil milhões de dólares – em 2021. Esta foi também considerada, em 2023, a tecnológica de origem portuguesa de maior crescimento na região EMEA, segundo a consultora multinacional Deloitte que a destacou na sua lista Technology Fast 500 EMEA 2023.
As doenças músculo-esqueléticas afetam mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo, e só nos Estados Unidos o tratamento destes problemas acarretam o maior custo de saúde, superior, por exemplo, ao custo com tratamento de doenças oncológicas e doenças mentais em conjunto. Com forte implantação no mercado mais competitivo do mundo, a Sword Health foi até caso de estudo na universidade de Harvard, em 2023. Em finais de 2025, foi escolhida pelo governo grego para transformar a Linha Nacional de Informações de Saúde, o equivalente ao nosso SNS 24, com tecnologia de inteligência artificial e supervisão clínica.
Sword assinou acordo com o SNS
Agora, mais de uma década depois e várias provas dadas a nível internacional, chegou a vez do SNS acreditar no potencial da tecnologia nacional. A empresa acaba de anunciar uma parceria estratégica com o SNS, com o objetivo de disponibilizar soluções de fisioterapia remota com IA em todos os hospitais e centros de saúde do setor público, sem custos para os utentes. A solução da Sword estará disponível no SNS a partir da próxima semana. Segundo o comunicado da empresa, estima-se que que o impacto da Sword na prestação de serviços de fisioterapia do SNS se traduza numa redução do tempo de espera para iniciar tratamento em 97% e numa poupança na ordem dos 45% face aos modelos convencionais. Ou seja, vai contribuir para reduzir as listas de espera na fisioterapia, atualmente superior a dois meses em alguns casos, tornando o acesso a cuidados de saúde mais conveniente para todos os utentes, que passam a poder realizar a fisioterapia a qualquer hora da sua preferência e a partir do conforto das suas casas.
A partir de hoje, todos os portugueses, que até então tinham um acesso muito limitado a este tipo de cuidados, podem contar com a nossa solução no SNS e recuperar da dor física, sem qualquer tipo de barreira ao tratamento”, afirma Virgílio Bento, fundador e CEO da Sword.
O anúncio oficial foi feito ontem no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, contando com a presença da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias. A partir de agora, todos os médicos de família de todos os centros de saúde ou qualquer outro médico assistente do SNS passam a poder prescrever a fisioterapia com IA da Sword a pacientes que sofram de patologias musculoesqueléticas comuns, como lombalgia, omalgia, gonalgia, entorses e distensões musculares.
“Há mais de 10 anos, começámos em Portugal com uma missão clara e urgente: resolver o problema da falta de acesso a cuidados de saúde de qualidade, num sistema tradicional que não era escalável. Construímos uma plataforma de cuidados de saúde com Inteligência Artificial e provámos a nossa visão ao conquistar o mercado dos Estados Unidos — obtendo resultados clínicos de excelência — e ao trabalhar com vários sistemas de saúde europeus. A partir de hoje, todos os portugueses, que até então tinham um acesso muito limitado a este tipo de cuidados, podem contar com a nossa solução no SNS e recuperar da dor física, sem qualquer tipo de barreira ao tratamento”, afirma Virgílio Bento, fundador e CEO da Sword, citado em comunicado.
O circuito clínico vai processar-se em etapas: a primeira começa com a prescrição pelo médico, seguida de uma consulta inicial com a equipa, recebendo o paciente dois dias depois em casa o dispositivo médico para realizar os seus exercícios. Graças à integração de Inteligência Artificial, a execução dos movimentos é analisada e corrigida em tempo real, de forma a garantir que são realizados de forma correta e segura. A Sword esclarece que resultado e desempenho de cada sessão são partilhados de imediato com a equipa clínica, que faz o acompanhamento do utente e procede aos ajustes necessários ao plano terapêutico. Além disso, o clínico está sempre contactável e disponível para responder a qualquer questão que surja ao longo do tratamento.





