O ex-presidente dos EUA Barack Obama criticou a “obsessão” de Donald Trump por si num episódio de um podcast divulgado na passada quarta-feira, uma repreensão invulgar no contexto de críticas mais amplas à administração de Trump, antes das eleições intercalares que se realizarão ainda este ano.
Obama, num episódio do podcast “All the Smoke”, classificou a atenção que Trump dedica a ele e à sua família como uma “obsessão” e uma “coisa estranha”, acrescentando: “É óbvio que ocupo espaço na cabeça dele”.
Obama afirmou que “a última coisa” para a qual tinha tempo enquanto presidente “era preocupar-me com o que alguém dizia ou com o que o meu antecessor fazia”, acrescentando: “Eles já se foram, eu tenho trabalho a fazer”.
O ex-presidente continuou, dizendo que as críticas persistentes de Trump a seu respeito “mostram alguém que não está focado no povo americano e no trabalho que deve fazer”.
Recentemente o casal Obama já tinha feito outras referências à atual presidência. Na inauguração do Centro Presidencial Obama, em Chicago, no início deste mês, a ex-primeira-dama Michelle Obama foi ovacionada depois de ter feito alusão ao facto de o seu marido ter “ganho um prémio da paz”, numa aparente alusão a Trump. Trump, que sugeriu repetidamente que merecia ganhar o Prémio Nobel da Paz no ano passado, recebeu a medalha das mãos da vencedora, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado. Barack Obama ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2009.
O ex-presidente também discursou e pareceu fazer mais críticas sem mencionar Trump pelo nome, salientando que não haveria “reis nem senhores” a governar os EUA, ao referir-se aos “valores partilhados que tornam a democracia possível”, incluindo “a crença na transferência pacífica do poder depois de o povo se ter pronunciado em eleições justas e livres”.
Numa entrevista à NBC antes da inauguração do centro, Barack Obama sugeriu que os EUA podem estar “em pior situação” agora do que antes de Trump ter lançado uma guerra contra o Irão em fevereiro, afirmando: “Já travámos uma guerra, gastámos milhares de milhões e milhares de milhões de dólares, colocámos uma enorme pressão sobre as nossas forças armadas” e “muitas pessoas morreram”.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Rita Meireles.





