A FlamAid nasceu em Barcelona e a Forbes Annual Summit de 2025 foi a primeira oportunidade de Julieta Rueff, fundadora e diretora executiva do projeto, para partilhar a história da empresa em português e, como descreveu, “em casa”.
“Há três anos, eu estava a estudar na universidade, em Barcelona, e comecei a notar que quando eu saia de casa estava sempre o mesmo rapaz na zona do meu prédio”, começa por contar Julieta para explicar ao público como surgiu a granada pacifica lançada pela empresa.
A situação piorou, com esta pessoa a seguir Julieta para onde ela fosse, chegando mesmo a passar por situações de pânico em que se viu obrigada a correr para fugir desta pessoa. Foi a partir desta experiência que percebeu que, apesar de todos nos esforçarmos para pagar a segurança das nossas casas, por exemplo, não pensamos nisso quando se trata de cada um de nós.
“Todos nós pagamos, em média, 40 euros por mês para proteger as nossas casas e ninguém paga nada para se proteger a si próprio na rua. Não temos tecnologias, não temos soluções, e o método mais famoso é o spray pimenta, que no final é um método de defesa ativa: um método que se pode usar contra ti. Se o meu atacante é mais forte que eu, é muito provável que esta pessoa possa usar o teu spray contra ti”, afirmou.
Com isto em mente, Julieta decidiu pesquisar qual é a ativação mais fácil do mundo. A investigar sobre a Segunda Guerra Mundial, descobriu a granada de mão. Descobriu também que é um dispositivo de fácil ativação. “Mas sempre se usou para a guerra, nunca se usou para a paz”, disse.
A pesquisa continuou com base nos sistemas de segurança instalados nas casas: “Aí descubro o som e, tendo em conta que somos pessoas móveis, em vez de uma morada faz sentido enviar o GPS após o pedido de ajuda. E já agora, porque é que eu não mando também o vídeo do que está a acontecer? É assim que nasce a FlamAid, a primeira granada pacífica do mundo”.
O que fizeram foi retirar tudo o que explode numa granada, tudo o que pode fazer mal, e associa-la a métodos de defesa verificados que se possam ativar apenas com o esticar do anel. “Esta ideia nasceu da necessidade pura de ter alguma arma para me poder defender e voltar a sentir liberdade”, disse.
Empreendedorismo jovem
Durante o seu pitch, Julieta confessou que jamais tinha pensado que fosse ser empreendedora ou chegar à lista 30 Under 30 da Forbes a nível europeu e espanhol. “Eu não queria ser empreendedora, não era o meu objetivo. Eu queria acabar os meus estudos e estar tranquila, mas não me foi possível porque eu sentia medo e este medo paralisava-me. Portanto, da pior coisa que me aconteceu na vida, que foi ter noites em que eu pensava que não ia chegar a casa, nasceu a melhor coisa da minha vida, que é o meu propósito. O meu propósito é que mais ninguém sinta esse medo”, afirmou.
E é por isso que a missão da FlamAid não passa pelo número de vendas que estão a conseguir atualmente. “Nós estamos no mercado desde novembro de 2024 e a mim dá-me vergonha dizer-vos que faturámos mais de 200 mil euros, dá-me vergonha dizer-vos que vendemos mais de 10 mil granadas e dá-me vergonha porque isso quer dizer que continuamos a ter um problema estrutural em Portugal e no resto da Europa. O meu objetivo é chegar à banca rota porque isso quer dizer que já não é preciso usar mecanismos de defesa, porque as ruas voltam a ser nossas e nós deixamos de ter medo. Mas até isso acontecer, eu vou estar aqui com a FlamAid para que toda a gente chegue sempre a casa”, garantiu Julieta.
Para os mais jovens neste caminho do empreendedorismo, a quem quis deixar um conselho, pediu para olharem para o maior problema das suas vidas. “A dor está no maior problema que estás a atravessar e esse problema pode converter-se numa força inesperada. Passar por um problema faz com que sejas a pessoa mais preparada para o solucionar”, concluiu.





